Lazarópolis do Tucunduba — tentativa de configuração ilustrada 3

O médico Heraclides César de Souza Araújo, em seu livro A Prophylaxia da Lepra e das Doenças Venereas no Estado do Pará (Volume II) de 1922, dá garantia, ao descrever o Asylo do Tucunduba, de que seu desenho no mapa de Theodoro Braga orientará melhor o leitor interessado quanto à posição e situação do Asylo.
Na realidade o que temos em mãos são dois croquis anteriores à abertura da Barão de Igarapé Miri, da construção do Portal do Tucunduba e da iluminação daquele leprosário relatados em 07 de setembro de 1928 por Dionysio Ausier Bentes; portando, corrigiremos o esquema anterior publicado em Lazarópolis do Tucunduba — tentativa de configuração ilustrada 2:


O que supúnhamos ser a Barão de Igarapé Miri, de fato, parece o antigo caminho que dava vista geral ao Asylo; senão: analisemos as mesmas fotografias que se encaixaram no leiaute descartado, pela orientação, de Lazarópolis do Tucunduba — tentativa de configuração ilustrada:


As fotos que têm a marca d’água FGV/CPDOC são posteriores ao ano de 1928; as demais, no quadro vermelho, mais antigas, de 1921 — quando Souza Araújo ali trabalhava como chefe da Prophylaxia Rural.
A estampa com a legenda “Belém. Vista Geral da ‘Lazaropolis do Tucunduba’, inaugurada em 1816.” dá à visão o caminho antigo na direção do igarapé Tucunduba, com a mais velha enfermaria à esquerda e uma fileira de casinhas à direita do observador — as restantes mostram o mesmo edifício em ângulos distintos.
As três imagens do topo, posteriores a 1928, parecem revelar o prolongamento da Barão de Igarapé Miri transpassando o Portal do Asylo; neste caso, à esquerda do observador, teríamos os fundos das casinhas paralelas à velha enfermaria e à direita construções (novas?) na margem da Barão: vê-se um cruzeiro próximo a uma igrejinha (vê-se um crucifixo na cumeeira da igrejinha) que pode ter substituído a capela incrustada na enfermaria de 1816 como no leiaute do pessoal da História; vale atentar à vegetação da cena, distinta da via primitiva.
Assim o croqui com que trabalhávamos falha na escala, dando força aos rabiscos de Souza Araújo, que estabelece superfícies semelhantes às três enfermarias: entre o paredão que há no local real e a margem esquerda da Barão de Igarapé Miri, sentido igarapé, deveriam constar: um espaçamento (à fóssa septica), a velha enfermaria, o caminho primitivo e a linha de casinhas — Souza Araújo, apesar do exagero na administração e no Retiro São Francisco, melhor resolve tal problema:

Por ora não possuímos informações das construções pós Souza Araújo (1924) e anteriores ao incêndio e desmonte da afastada colônia por José Malcher (1938); mas existem outras imagens, atribuídas ao lugar, que não há, ainda, como identificar:

 

Esse post foi publicado em Arquitetura e Urbanismo, Fotografia antiga, História, Memória, Patrimônio e marcado , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s