A Penitenciária como Hospedaria dos Flagelados


Fotografia publicada no Abum Discrittivo del Pará de 1898 que pela ausência da abóbada é anterior — provavelmente do início de 1896


Virtualização sobre fotografia publicada no Album do Pará de 1939

As fotografias com as quais temos trabalhado à virtualização da Penitenciária do Estado do Pará — plano panóptico desenvolvido pelo engenheiro Henrique Américo Santa Rosa implementado em 1893 e paralisado, em seu mister, no ano de 1898 — são insuficientes à percepção do que o Estado do Pará de 24ABR1920 chamou de velho casarão da Penitenciária.
Não havia dois meses que o mesmo periódico publicara Em prol dos flagelados do nordeste (Estado do Pará 01FEV1920); por essa nota sabe-se que o governador Lauro Sodré satisfez o pedido do coronel Domingues Carneiro,  presidente da Commissão de Socorros aos Flagelados, para montar naquele próprio estadual uma hospedaria de immigrantes.
Ao que tudo indica a torre, coberta por abóbada que acreditamos à semelhança técnica do Pavilhão de Vesta de 1891, fora utilizada como habitação; além de outras dependências do complexo já erigido, como o remanescente Castelinho da UEPA que serviria à administração do conjunto prisional original.
Na sequência das publicações do jornal observa-se que a diretoria do Serviço Sanitário do Estado, em consequência dos casos de varíola registrados em 23 de fevereiro de 1920 na Penitenciária, já na condição de Hospedaria dos Immigrantes (apelidada de dos Flagelados), procedeu a rigoroso expurgo e desinfecção em todos os compartimentos do prédio, isolando-o durante 14 dias — “Nesse período as levas que chegarem irão para a hospedaria do Outeiro, afim de não propalar o mal.”.
No dia 4 de março de 1920, na Hospedaria da Penitenciária, faleceram quatro crianças cearenses entre oito meses e três anos, duas diagnosticadas com enterite e duas com gastro-enterite.
Ao primeiro de maio de 1920, José Felix da Silva, vulgo Maria Dulce, a Fatima Miris Sertaneja que passara uma estadia de cinco mezes na central de policia, dos quais quatro passou como mulher, fora remettido a hospedaria de immigrantes na Penitencia(ria); Maria Dulce deseja obter uma passagem para seu torrão natal; “caso não consiga, ira para a E. F. de Bragança trabalhar na lavoura, em que é exímio.”.
Em maio de 1921 trinta e cinco colonos — entre homens, mulheres e crianças — foram hospedados na Penitenciária (sempre dita em construção) por quatro dias; um fato inusitado ao coronel Domingues, já que o grupo veio do interior do Estado a palácio para conseguir passagens de volta ao Ceará e tal súplica não poderia ser atendida de imediato.
Por ora não se tem ideia da estrutura física ocupada pela Hospedaria da Penitenciária capaz de absorver a demanda; somente das ações, muitas delas deformadoras do projeto de Santa Rosa, para receber os primeiros flagelados em 1920:


Postscriptvm:

A Penitenciária, como Hospedaria dos Imigrantes, tinha endereço (Largo da Penitenciária) e telefone (1243) em 1920:

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