Tenente Magalhães Barata — passageiro clandestino

A New York, Rio & Buenos Aires Line Inc., NYRBA INC. — no Brasil Nyrba do Brasil S. A. — inaugurou o voo aeropostal Rio de Janeiro/Nova York em 21 de fevereiro de 1930 transportando malotes de correspondência pelo hidroplano Bahia.
A Porto of Pará — Belém era rota obrigatória — construiu rampa e a própria Nyrba montou o hangar às oficinas de manutenção de suas aeronaves.
O governador Eurico de Freitas Valle, último da República Velha, em 29 de junho de 1930 experimentou, a convite da Nyrba, a sensação de voar sobre Belém e ilhas adjacentes no aparelho Argentina — na comitiva estava seu oficial de gabinete,  o jovem advogado Mario Braga Henriques*, primeiro reitor da UFPA entre 1957 e 60.
Em 22 de agosto de 1930, na terceira prefeitura policial, abriu-se inquérito para apurar a vinda do primeiro tenente Joaquim de Magalhães Cardoso Barata (foto acima) de modo clandestino no clipper Bahia da Nyrba originado de Fortaleza (CE); houve comunicação do chefe de polícia da capital federal, Coriolano de Goes, com o delegado de polícia do estado do Pará, Oswaldo Caheté, sobre a ausência do tenente Barata do Rio de Janeiro como emissario dos revolucionarios.
Barata, segundo testemunhas, viajara sob o nome de João Benito; e, na sequência, dado como desertor do exército em 30 de agosto de 1930 no Rio de Janeiro mesmo em licença de seis meses para tratamento de saúde publicada em 20 de junho de 1930, escondera-se no Asilo dos Alienados d’onde Leandro Pinheiro (foto à direita) — primeiro prefeito de Belém com a Revolução de 1930 — era capelão residente.
No dia 04 de setembro de 1930, data em que o processo de deserção é encaminhado à Justiça Militar na capital da República, a polícia do Estado cercou o hospício e lá entrando verificou que o tenente Barata ocultava-se no forro da capela; não por dedução pericial ou revista, mas simplesmente porque o forro ruiu com o peso do corpo do foragido.
O tenente foi entregue a officiaes do exercito, que o levaram preso para o quartel do 26º Batalhão de Caçadores; já o padre Leandro Pinheiro acabou recolhido ao quartel do 1º Batalhão de Infantaria da Força Policial.
Em 08 de setembro de 1930 o primeiro tenente Joaquim Barata é posto a bordo do navio Affonso Penna, sob escolta, com destino ao Rio de Janeiro onde seria encerrado na Fortaleza de Santa Cruz, em Niterói; Barata foi obrigado, pelo Supremo Tribunal Militar que negou seu habeas-corpus em 29 de setembro de 1930, a pagar por sua passagem à capital federal, bem como as de ida e volta dos militares que o acompanharam.
Do mesmo jeito que o revolucionário Barata chegou em Belém pelo hidroplano Bahia da Nyrba, daqui embarcou com destino ao Rio de Janeiro no vapor Affonso Penna** da Companhia de Navegação Lloyd Brasileiro: clandestino — ao invés de tomar o navio no porto, Barata e seus condutores alcançaram a nave, esta em marcha previamente reduzida e escada arriada, com uma lancha policial na altura de Icoaraci (antiga Villa de Pinheiro) para nela atracar em movimento e longe das vistas do povo; é que o governo de Eurico de Freitas Valle temia um levante popular, à margem da baia do Guajará, que o libertasse.
Magalhães Barata retornou ao Pará em 11 de novembro de 1930, dia em que foi decretado o Governo Provisório, e nomeado interventor federal em 14 de novembro de 1930 — novamente a Nyrba do Brasil S. A., que viraria Panair do Brasil S. A. apenas em 21 de novembro de 1930, entra em cena: Magalhães Barata, Juarez Távora e José Américo de Almeida eram os passageiros ilustres desse clipper que amerissou em Belém e aportou no hangar da Companhia pela rampa da Port of Pará***.

*Mario Braga Henrique foi indicado reitor da Universidade do Pará por Barata.
**O vapor Affonso Penna foi afundado em 1943 por submarino italiano no litoral da Bahia.
***A rampa da Port of Pará tornou-se notória, pelo vasto uso de uma década, como Rampa da Panair e hoje integra o complexo Ver-o-rio.

Fontes: em construção do pdf.

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