Natal de 1953: inauguração do Posto Atlantic do Ver-o-peso

O jornal Folha do Norte, no domingo 27 de dezembro de 1953, reporta o ato inaugural do Posto Atlantic, construído às margens da travessa Marquês de Pombal, com a presença do governador do Estado do Pará, o general carioca Alexandre Zacharias de Assumpção, o que demonstra o prestígio da firma Valdevino Pinto & Cia. Ltda. responsável pelo empreendimento em logradouro público.
Como o periódico dá a exata datação da construção será possível rever publicações anteriores que trataram do assunto, como O Ver-o-peso de Dona Lourdes Holanda, terceira proprietária do lugar, dito por ela em entrevista: demolido por Ajax de Oliveira (prefeito à época).
O Atlantic do Veropa ganhou notoriedade internacional por fotografia feita por Dmitri Kessel em 1957 à revista estadunidense LIFE; nela se vê um “futurista” Ver-o-peso com um zepelim (no caso ônibus) abastecendo numa estação (gas station Streamline) – talvez uma irônica (e improvável) inspiração ao The Jetsons de 1962:

Obviamente Kessel foi experto na composição imagética: valorizou o ângulo do Atlantic que possuía duas colunas em “V” e a curvatura da laje cobrindo a imitação de balão estruturado em madeira sobre chassis de veículo pesado; também não descuidou do contraste com as velas e mastros dos barcos, nem com o casario antigo.
O que pareceu novidade a Kessel, como o dirigível da Viação Triunfo, rodava como Pérola desde o ano de 1948 – o próprio Atlantic, como visto, já estava de pé desde 1953 -; ou seja: o belenense se acostumara com a mimese que o Ver-o-peso ostentava da cultura estadunidense desde o Clipper Nº01, uma réplica em cimento armado do Baby Clipper da PanAir.
O que a fotografia emblemática de Kessel não mostra é que em ambos os serviços, tanto os da gas station Atlantic quanto os do zepelim, eram prestados por mulheres: o Atlantic tinha frentistas e o dirigível aeromoças; o que também não seria fato novo na Amazônia, já que nos subúrbios de Manaus, desde 1947, as mulheres eram arregimentadas à limpeza pública por Katharine Harper Cant, uma estadunidense que veio pra Belém por causa da 2ª Guerra Mundial, mas se estabeleceu em Manaus no pós-guerra.

Katharine Harper Cant transportando as Mulheres do Lixo por toda a Manaus em 1950, depois de expandir os serviços que implementara junto com o marido em 1947.


Postscriptvm:
A matéria O Ver-o-peso de Dona Lourdes Holanda foi baseada em entrevista que será recuperada e transcrita; nela Dona Lourdes dá informações que foram desconsideradas pela falta de contexto, mas que serão revistas diante de evidências emergentes.
Dona Lourdes não omitiu o primeiro proprietário do Atlantic: Valdevino Pinto; inclusive faz referência a outro posto de combustível que seria dele: Streamline Moderne além de 100 quilômetros de Belém em 1953.

As páginas amarelas do catálogo telefônico de 1965 comprovam a transferência do Atlantic à firma dos Irmãos Holanda (Renato Queiroz Holanda e Maria de Lourdes Holanda) ratificando o que disse Dona Lourdes.

Sobre o Projeto Laboratório Virtual - FAU ITEC UFPA

Ações integradas de ensino, pesquisa e extensão da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo do Instituto de Tecnologia da Universidade Federal do Pará - em atividade desde maio de 2010. Prêmio Prática Inovadora em Gestão Universitária da UFPA em 2012. Corpo editorial responsável pelas pesquisas e publicações: Aristoteles Guilliod, Fernando Marques, Haroldo Baleixe, Igor Pacheco, Jô Bassalo e Márcio Barata. Coordenação do projeto e redação: Haroldo Baleixe. Membros da extensão do ITEC vinculada à divulgação da produção de Representação e Expressão: Jorge Eiró, HB e Eduardo Lobo.
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