The End of the River – 1947; por Derek Twist (Belém em 1946)

A película The End of the River (O Fim do Rio em português) é uma produção inglesa lançada no pós 2ª Guerra Mundial (1947) baseada na novela do estadunidense Desmond Holdridge que tem como protagonista uma jovem (24 anos) atriz brasileira: Abigail Izquierdo Ferreira – a Bibi Ferreira.
As locações externas na Amazônia foram, em parte, acompanhadas pela revista O Cruzeiro que em duas reportagens dá, didaticamente, explicações sobre o filme, inclusive sobre sua montagem em Londres:

Aqui demos destaque à parte do texto de O Cruzeiro de 07DEZ1946 que explica os truques da magia cinematográfica (aos interesses fantasiosos) e, na sequência, mostra-se fotografias de cenas de Belém do Pará (em 1946): a entrada do Porto no final da XV de Agosto (hoje Presidente Vargas), a igreja de Santo Alexandre (fora da edição da fita) e a Farmácia Nacional:

Cartazes do The End of the River: lançamentos internacional e nacional (ampliáveis)


Como o Laboratório Virtual ilustra mais que textua, far-se-á a separação das filmagens externas do The End of the River; uma vez que esse apartamento entre o casal e os atores ingleses era previsão contratual, tanto que Bibi e Sabu voltaram a Londres às gravações de estúdio com áudio de qualidade (é o que o material demonstra) – de todo modo é interessante entender o filme como produto da indústria cinematográfica internacional pela ótica da própria “atriz brasileira” (Sabu, hindu) lendo seu posicionamento na Revista da Semana de 27SET1947 – isto nos exime de debates com a linguagem.
Mas… aos recortes:

A edição utilizou apenas as imagens externas de Belém – se alguma escapuliu, corrigiremos -; a lógica: ambientes internos, com diálogos, são de estúdio; do mesmo modo que tomadas distantes (ou desfocadas das fisionomias das pessoas) acusam uma externa dependente de complemento em ambiente propício ao áudio – e isto só na Inglaterra.
Todavia: por questão de ofício, nossa satisfação foi encontrar uma cópia com boa definição e entender fragmentos da cidade datados: o Círio é o Círio de 1946 e “pt saudações” – as outras imagens gravitam pelo período em que a trupe por aqui esteve.
Abaixo um exemplo do casamento entre externa e estúdio já montados com dublagem:

O fato é que o ator inglês canta com a voz de outrem uma música de Waldemar Henrique composta em 1934; contudo, o maestro paraense não sobe nos créditos, fica anônimo como o seu nacional Boi-bumbá.


Sugerimos a leitura de O Cruzeiro de 09NOV1946: a matéria trata da viagem na gaiola Tupã feita pela equipe técnica junto com os atores não britânicos (Bibi e Sabu) e os “extras” (contratados entre Belém e Manaus à figuração útil).


Os editores do LV agradecem a colaboração voluntária de
Carlos Daniel de Castro Magalhães – calouro FAU/ITEC/UFPA.


Postscriptvm (08JAN2025):

Escapuliu um estúdio nos cortes que fizemos; entretanto, servirá como mais um exemplo de que as externas independiam dos atores (inclusive de Bibi e Sabu), poderiam ser os “extras” (figurantes contratados na rota Belém-Manaus-Belém) nos quais lhes coubessem as vestes – esse molde (ou manequim) é citado nas revistas à continuidade das cenas em sets dos estúdios londrinos.
O gif já abre discussões: na externa estaríamos vendo a bunda de Sabu; e o desenho dessa grade?
Observemos também o quanto o casal está próximo e distante (num só tempo) da marcação do piso; infiel à realidade, mas plenamente licenciado à ilusão do espectador: uma fábrica de sonhos.
Os atores e “extras” podem caber nas mesmas roupas, mas não mostram nem a mesma compleição física, nem cabelos assemelhados; ou seja: sabe-se lá quem foi a dupla imortalizada pelo cinema universal sem qualquer registro no cast.
No mundo vivo da Belém de 1946 tem obras nas vias; há a vestimenta do povo, que o agrupa ou dissocia; há o parque de diversões junto ao (desabado) Pavilhão de Vesta apinhado de gente; há o presídio de São José numa tranquilidade mosteiral donde do seu portão de entrada se avista uma charrete contornando a pacata Praça Amazonas; certamente há muito mais, resta-nos perceber sinais e batear.

Outra falha nossa: deixamos de capturar esses dois takes reais de visadas reversas da doca do Ver-o-peso; a Praça do Relógio ainda com o calçamento original.
(Compreenda as cercanias do Ver-o-peso num passado próximo AQUI.)

Cortes em gif: Largo de Nazaré no Círio de 1946: o Pavilhão de Vesta de pé e sem o Super Clipper Brasil.

O Presídio de São José: chegada pela Praça Amazonas (não é uma carruagem, mas uma carroça a cavalo) com trajetória interna em diagonal (à lateral e cela); nos fundo se vê a passagem ao segundo bloco com telhado de platibanda dentada que divide a penitenciária; observem que a sombra na entrada é a da manhã, já na sequência do filme, no pátio, a sombra é a da tarde.

O Círio 1946 passa defronte à construção do Edifício dos Comerciários: XV de Agosto com Oswaldo Cruz – a filmagem finda no chanfro da esquina, defronte à Praça da República.

O Largo do Redondo da avenida Nazaré com vista à Quintino Bocaiúva…

Chegada da berlinda à basílica de Nazaré

Calma: faltam alguns links e imagens como complemento.
Aguarde!

Sobre o Projeto Laboratório Virtual - FAU ITEC UFPA

Ações integradas de ensino, pesquisa e extensão da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo do Instituto de Tecnologia da Universidade Federal do Pará - em atividade desde maio de 2010. Prêmio Prática Inovadora em Gestão Universitária da UFPA em 2012. Corpo editorial responsável pelas pesquisas e publicações: Aristoteles Guilliod, Fernando Marques, Haroldo Baleixe, Igor Pacheco, Jô Bassalo e Márcio Barata. Coordenação do projeto e redação: Haroldo Baleixe. Membros da extensão do ITEC vinculada à divulgação da produção de Representação e Expressão: Jorge Eiró, HB e Eduardo Lobo.
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1 respostas para The End of the River – 1947; por Derek Twist (Belém em 1946)

  1. Carolos Armando Quaresma disse:

    Excelente material.
    Obrigado por compartilhar.

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