Conjecturas gráficas

O Blog da FAU abriu discussão sobre uma ínsignia registrada em fotografias datadas de 1959 também cunhada no medalhão do primeiro Colar Reitoral da ainda “Universidade do Pará”; a ela chamou-se Brasão Original da UFPA.
A simbologia, de autoria incomprovada, tem características do estilo gráfico “Neo-marajora”, explicado resumidamente em Repertórios Ornamentais e Identidades no Brasil da 1ª República, de Arthur Valle.
Esse “brasão” tem sua feitura atribuída ao artista plástico paraense Manuel de Oliveira Pastana pelo falecido médico e especialista em heráldica e medalistica, José Luiz de Araújo Mindello  — tal afirmativa é de Jussara Derenji, diretora do Museu da UFPA.
Em inúmeras postagens este assunto veio à baila, contudo, sem conclusões devidamente comprovadas, permanecendo no campo das hipóteses.
De todo modo observa-se, dentre os ornamentos presentes no Brasão Original — urna marajoara, extração de latex e produção agrícola; todos sob o “sol republicano” — o estilo do desenho primevo do hoje símbolo-mor da UFPA, “eternizado” por Alcyr Meira: a Águia Guianense (elemento D’Armas do Estado do Pará) sobre o livro.
Essa representação da águia parece seguir os princípios heráldicos segundo comentário feito no Blog:
“ÁGUIA. Representa-se geralmente com as asas abertas, de pontas voltadas para cima, a cauda espalmada, as pernas abertas com as garras estendidas, a cabeça voltada para o flanco direito, ereta, com a língua de fora. Nesta posição chama-se estendida. Se tiver duas cabeças, em fugida, representa-se de igual modo quanto ao resto. Também se chama águia imperial por ser a insígnia peculiar do Sacro Império Romano. As vezes figura somente meia águia nos escudos, partida de alto a baixo, pelo que tem de ser a de duas cabeças, a fim de, quando aparece no segundo quartel do partido, não ficar acéfala. As águias devem-se representar muito estilizadas, com as asas bem espalmadas e de penas afastadas. Podem ter partes do corpo de esmaltes diversos do deste e, portanto, serem bicadas, lampassadas, sancadas e armadas e ainda estarem coroadas ou diademadas. VOCABULÁRIO HERÁLDICO (segundo o ‘Armorial Lusitano’, de Afonso Eduardo Martins Zúquete)” (http://www.buratto.org/gens/heraldica/gn_heraldica.html)
Outro internauta, Roberto Moraes, buscou corroboração à assertiva: “Ver http://www.heraldaria.com/heraldicac.php#14 no item ‘Herádica en el resto del mundo'”; dando “carta branca” a Pastana.
Em busca de imagens de águias na WEB, nada semelhante a essa representação foi encontrado, o que lhe dá originalidade pelo estilo das artes aplicadas no Brasil.
Como o livro jamais foi a única fonte de pesquisa, resolvemos eliminá-lo da simbologia, deixando somente a águia, exemplo de astúcia.
Essa proposição não passa de conjectura gráfica, mas tem o propósito de estimular o interesse de todos pela MEMÓRIA e HISTÓRIA imagética da Universidade Federal do Pará.

O Escudo Oficial da UFPA, de autoria de Alcyr Boris de Souza Meira, com primeiro registro publicado em 1965, jamais teve sua adequação gráfica aos dítames da Resolução n°17 de 1969 (um memorial escrito pelo próprio Meira); é outra estampa institucional tratada com idêntico desleixo, segue o fac símile de sua primeira aparição:

Tal desmazelo administrativo e acadêmico dá oportunidades às aberrações que deturpam a procedência autoral em prol de uma “beleza” estabelecida pelo senso ordinário:

Na esteira contrária à tradição cinquentenária há uma corrente na UFPA que intenciona modificar a marca institucional — é quase uma CONSPIRAÇÃO; o argumento do grupo é a “americanização”: tanto da águia quanto das cores empregadas.
Justificativa nonsense pois as cores são republicanas, as mesmas da França, as mesmas do Estado do Pará; e a águia (GUIANENSE), típica da região AMAZÔNICA, mesmo que NÃO VERDE como um PAPAGAIO.

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2 respostas para Conjecturas gráficas

  1. JORGE EIRÓ disse:

    HB, esse material poderia ser organizado na forma de um artigo e apresentado numa comunicação no Colóquio de História da Arte.

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