Dina Oliveira; um registro tardio do BF


Às vezes coisas inúteis se sobrepõem às que valem; foi o que ocorreu com o catálogo da amiga e professora Dina Oliveira que o enviou à Faculdade, mas se misturou à burocracia quantitativa acumulada no pequeno escaninho.
“Sulla Pianura: Verde, Caldo, Umido” foi a exposição que Dina fez na Academia de Belas Artes de Bolonha, na Itália, com curadoria de Beatrice Buscaroli, assim registrada pelo jornal O Liberal em 28 de abril de 2012:

Na planície, os traços de Dina Oliveira
Telúrica
A artista plástica paraense expõe seus trabalhos na cidade italiana de Bolonha
Academia de Belas Artes de Bolonha convida artista plástica paraense para fazer exposição de pintura individual na Itália. “Sulla Pianura…” que significa “Na Planície” fica em exposição do dia
4 a 31 de maio.
“Dina Oliveira é uma artista de visão ampla, de horizontes ilimitados, de gesto largo e generoso. Explora territórios desconhecidos, sensações e atmosferas: mergulha na terra, como no interior do corpo, na mente como no inconsciente, na floresta pluvial”, declara a crítica de arte Beatrice Buscaioli sobre o trabalho da artista
plástica paraense.
Beatrice escreveu o texto “O Sonho Amazônico de Dina Oliveira” para o catálogo da obra “Sulla Pianura… verde, caldo, umido”, que estará em exposição na Academia de Belas Artes de Bolonha, na Itália, do dia 04 a 31 de maio. Mais uma vez, Dina Oliveira representará o Estado fora do país. O convite para expor veio do próprio diretor da instituição, Mauro Mazzali, que escolheu a sala de Aula Magna da Academia como
local para a mostra.
Com várias experiências internacionais, essa será a primeira vez que Dina faz uma exposição em terras italianas. “Fiquei muito feliz de ter recebido o convite. Mas é um desafio. Afinal, esta instituição é a mais antiga do mundo e de altíssima relevância. Estamos na expectativa!”, declara a artista, que embarca no próximo dia 1º para a cidade de Bolonha. A exposição é resultado de um intercâmbio cultural com a Casa Rosada e tem patrocínio da Alubar.
PLANURA
Com o título e subtítulo “Sulla Pianura… verde, caldo, umido”, que significa em português “Na Planície… verde, quente, úmida”, a exposição reúne 18 telas inéditas de pintura acrílica, produzidas no ateliê da artista na capital paraense. As obras já estão na Itália e ganharam um texto profundo e analítico da crítica de arte Beatrice Buscaioli. “Desmesuradas formas pictóricas que se deixam ser conduzidas dentro, se multiplicam sobrepondo-se, deslizando umas sobre as outras, num fluxo contínuo de referências pessoais e artísticas. Isso da artista brasileira é um sonho Amazônico, uma homenagem à água, à elegância, à massa que acompanha e transporta em outro lugar. Um sonho de natureza lenta, de consciência realística quase invencível, assim como são as grandes extensões de água do seu horizonte memorial e pessoal”, descreve a crítica.
Buscaioli continua a crítica chamando a atenção para os títulos das telas. “E é um sonho Amazônico de cores, de matéria, de traçados submersos que emergem, uma espécie de meada iluminada que desliza: os títulos das obras, em vez de transportar-nos para fora do contexto, fazem precipitar no seu interno, “Corpo”, “Úmido”, “Quente”, “Limite azul”, são só alguns passos através da natureza onipotente daquele lugar, enobrecido por um traço pictórico intenso e introspectivo”.
Dina disse que a crítica conseguiu escrever o que ela talvez só consiga demonstrar através de seu trabalho. “Trabalho em um estado distante, no meio da Amazônia. Apesar de ter referência técnica, o trabalho reflete muito esse ambiente”, diz a artista. Por enquanto, apenas os italianos e os turistas que passarem por Bolonha poderão apreciar a exposição.
Sobre a artista – Pintora e desenhista, formada em arquitetura pela Universidade Federal do Pará (UFPA) e mestre em estruturas ambientais urbanas pela FAU/USP, Dina Oliveira já realizou exposições no Brasil e Exterior, como “Artistas de L’Amazonie”, Museu do Homem, Paris, em 1977; “Art in Paradise”, The Anglo American Scholl of Florida, Miami, em 1992; e “The Brazilian Art Exhibition”, Galeria do Grand Hyatt, Hong-Kong, em 1995; para citar algumas. Em 1968, recebeu o Prêmio Caju de Prata no 1º Simpósio da Juventude Amazônica. Participou ao longo da década de 1980, de salões em diversas cidades brasileiras, sendo premiada no 38º, 40º e 43º no Salão Paranaense (Curitiba, 1981, 1983, 1986); no 35º e 36º Salão de Artes Plásticas de Pernambuco (Recife, 1982 e 1983); Em 1986, recebeu o Prêmio Revelação concedido pela Associação Paulista dos Críticos de Arte – APCA, pela exposição individual realizada na Galeria Paulo Prado, São Paulo.

Antes tarde do que nunca! Desculpe-nos Dina Maria!

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