Reitoria da UEPA quando quartel da Polícia Militar

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Conjunto ampliável

As fotografias acima foram retiradas do Álbum do Pará de 1939interventoria José Carneiro da Gama Malcher (1937/43) ; nelas se pode observar espaços externos e internos do que fora o inacabado e abandonado prédio administrativo da Penitenciária do Estado do Pará, construção projetada pelo engenheiro civil Henrique Américo Santa Rosa para ocupar um terreno adquirido pelo Estado em 1892 que se estendia da Municipalidade à Rua de Belém (onde ficava o Curro Velho) margeado pelas travessas José Pio e do Curro.
A Penitenciária, junto com o Colégio Gentil e o Instituto Lauro Sodré, compunha as três joias da República para o governo Lauro Sodré (1891/97), mas foi a única jamais concluída à finalidade primeva.
A Penitenciária só teria retomado às obras, agora conclusivas e não improvisações de emergência, na interventoria do major Magalhães Barata que pretendia transformá-la no monumental grupo escolar Augusto Montenegro com capacidade para mil creanças, segundo o padre Cupertino Contente, diretor da Escola Normal em 1935: em março desse mesmo ano estando em construcção, em Belém, o grupo Augusto Montenegro.
De fato concreto se tem a notícia de um efetivo de 1.500 homens do 27° Batalhão de Caçadores de Manaus (Amazonas) que ali se hospedou à garantia da ordem social e política das eleições de 1935 vencidas por Malcher que tornar-se-ia interventor em 1937 com o Estado Novo e como tal permaneceu até 1943; sobre a atividade educacional nada, absolutamente nada, por ora.
Não se sabe se a experiencia  de abrigar um elevado contingente militar resultou no desvio da função da edificação: de abrigar um quartel de Polícia Militar em detrimento de uma instituição de ensino — Malcher parecia mais destro que Barata.
As fotos do álbum dos primeiros anos da Interventoria Malcher (1937/43) publicado em 1939 transmitem que se está diante da obra que completaria a original administração da Penitenciária do Estado do Pará com seus acabamentos (obras finas); ou seja: tem-se o prédio da Reitoria da UEPA em sua originalidade construtiva findada, como pensada por Santa Rosa que falecera em 1933, mas reordenada a outra finalidade.


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Ampliável

Ontem, dia 11 de junho, fomos à Retoria da UEPA para fazer algumas fotos que confirmassem o que foi dito na publicação passada sobre a conexão de dois pavimentos entre o prédio administrativo e o operacional (Castelinho) da Penitenciária — tudo ok, menos as fotos que serão refeitas noutra visita.
Na Reitoria da UEPA encontramos um ex-aluno, egresso da FAU/ITEC/UFPA, o Daniel Leão, que nos acompanhou oficialmente nas dependências da Reitoria para registar pistas do passado — pelo horário o “passeio” não pode ser completo, era almoço.
Na extensão do corredor que interliga o páteo central ao início da passarela ao Castelinho se vê um conjunto de alisares em ambos os lados, como algo decorativo d’alguma reforma; mas, na realidade, são os (alisares) originais, emoldurando 8 (oito) vãos emparedados, 4 (quatro) de cada lado — para compreender observem atentamente a foto acima: à esquerda estão as colunas que sustentam o alpendre (interno), no meio o corredor da ala dos fundos e, à direita: a perspectiva dos vãos de arcos plenos pela longitudinal do pavilhão leste totalmente livres.
As investigações prosseguem e agora contarão com a colaboração do Daniel Leão, arquiteto e urbanista do Departamento de Engenharia, pela própria Universidade do Estado do Pará integrando a equipe.

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8 respostas para Reitoria da UEPA quando quartel da Polícia Militar

  1. José Cícero disse:

    Maestro: sois vós a reencarnação de Theodoro Braga?
    Show de bola sempre.

  2. Ricardo José Condurú Conceição disse:

    Reproduzo abaixo, notícia veiculada no Jornal “A Manhã”, do Rio de Janeiro, de 27 de setembro de 1935, página 2, sob o Título “A Realidade Paraense – O que há de verídico sobre o propalado complot baratista, inventado pela política integralista do Governo Malcher – Declarações do Senador Abel Chermont a A Manhã”: Nela é citado a transformação do grupo escolar Augusto Montenegro, com capacidade para mais de 1.500 alunos, em quartel da força pública.
    (…)
    Tristes Perspectivas
    – Não sei o que será do Pará com semelhante orientação orçamentária. A nossa capacidade tributária está esgotada. Os nossos produtos estão desvalorizados e sem mercados. Não temos procucção e queremos ter renda e queremos majorar nossas despesas improductivas e não hesitamos, siquer, em levar a cerca de dois mil homens a Força Pública Militar, além da Guarda Civil, além de duplicar os effetictos de Corpo de Bombeiros, a que deu o governo a classificação de Batalhão de Caçadores, além da creação da célebre Delegacia Integralista da Ordem Política e Social com mais de 300 agentes, delegados e sub-comissários…e emquanto isso, o governo paralysa as obras públicas já iniciadas e transforma o Grupo Escolar Modelo “Augusto Montenegro”, o maior e o mais moderno que tínhamos – obra do major Magalhães Barata, que o construiu, com capacidade para mais de 1.500 alumnos, num dos bairros proletários de Belém, aproveitando em grande parte as obras ha mais de 30 annos paralysadas, da projectada Penitenciária – em quartel de Força Pública, privando, assim, muitas centenas de creanças pobres, necessitadas de assistência e de instrucção, do único meio de consegui-la, numa terra em que há miséria, pela faltas de trabalho e onde o governo paralysa o pouco do que poderia haver, pelo guante do fisco impiedoso.

  3. Ricardo José Condurú Conceição disse:

    A revista “A Noite”, do Rio de Janeiro, nº 203, de 1934, traz uma foto do Grupo Escolar Augusto Montenegro, no prédio da antiga penitenciária (hoje prédio da UEPA), informando haver 1.200 alunos matriculados. Com isso, pode-se afirmar agora que o prédio também funcionou como escola.

  4. Ricardo José Condurú Conceição disse:

    Exato. Muitas informações desencontradas. Por exemplo, o Jornal A Noite, de 1935, nº 8401, informa que o 27º Batalhão de Caçadores, que chegou a capital “está alojado no prédio do novo grupo escolar Augusto Montenegro. O efetivo do 27º Batalhão é de 1.200 homens (e não de 1.500)”.

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