Cadê a coroa com 600 gramas de ouro desenhada por Theodoro Braga?


A atriz paulista natural de Lorena, Lucília Peres, em imagem de acervo da revista FON-FON reproduzida em 22JUL1922

PT

Palace Theatre em Belém do Pará — espaço do Grande Hotel para 2 mil espectadores

Em 23 de janeiro de 1916, certamente por ocasião das festas do Tri-centenário de Belém do Pará que ainda não possuía data comprovável de sua fundação — isto só ocorreria em 1927 com a tradução de dois códices por Theodoro Braga* à Revista do Museu Paulista —, aportou na cidade o paquete Olinda trazendo a bordo a Grande Companhia Nacional pertencente à Lucília Peres** e Leopoldo Fróis tendo como empresário Jucá de Carvalho; a trupe aqui estava para a annunciada temporada do Palace Theatre do Grande Hotel da firma Teixeira, Martins & Cª inaugurado em 12DEZ1913.
Em artigo do jornal Estado do Pará, do mesmo dia do desembarque do Olinda, o collaborador artistico Ulysses Nobre rememorou, como testemunha ocular, o 1º de julho de 1910, depois de uma ausencia (de Lucília) de cinco longos annos, ocasião em que a atriz conhecera Belém e fora homenageada pela sociedade paraense no Theatro da Paz recebendo diversos regalos de valor, dentre os quais uma coroa de louros com seiscentos gramas em ouro maciço; tal joia, avaliada em 3 contos de Réis, fora ofertada pela Joalheria Krause [de Krause Irmãos e C.º que tinha como sócios: Max Lewinm e Krause & C.º (Pernambuco)] com trabalho executado na oficina do ourives Manoel  do Couto Monteiro sob desenho (hoje design) e orientação de Theodoro Braga.
A nota do periódico Estado do Pará (de 25JAN1916) que encabeça esta matéria nos dá a entender que a coroa de louros veio na bagagem da atriz que permitiu sua exibição na sede da Krause, situada na rua Santo Antonio nº17, logo após sua chegada.
A Gazeta de Notícias de 25JUL1910 — em texto retardado reproduzido de A Província do Pará  — revela-nos a cobertura da coroação, datada pelo cronista em 1916 como 1° de julho de 1910, que contou com a presença do designer Theodoro Braga; a do Governador do Estado, João Coelho; e: a ausência de Antonio Lemos, este representado por seu filho Antonio Pindobussu de Lemos.
A Gazeta também ousa na descrição do mimo dado à Lucília naquela ocasião: Fecham-se dous galhos de louros em circulo, com flores e fructos, numa flagrante naturalidade e inexcedivel relevo que lhe dão o lavor do artista, emprestando a perfeita semelhança dos usados nos tempos romanos. Pesa cerca de 600 gramas a custosa joia. Ao centro do laço posterior da coroa estão gravadas as iniciais L. P. e nas pontas lê-se esta inscripção: —”A Lucília Peres, a familia paraense”.
Por ora não conseguimos nenhum clichê da coroa designada pelo pintor T. B. que planejou e acompanhou igualmente as obras do Pavilhão da Fábrica de Cerveja Paraense, único exemplar de arquitetura do Estado do Pará na Exposição Nacional de 1908 na Praia Vermelha do Rio de Janeiro; curiosamente: tal kiosque fora erigido entre o Pavilhão dos Bombeiros e o Theatro João Caetano, palco onde Lucília Peres se apresentara, em espetáculos naquele mega evento da Capital da República, havia menos de dois anos.
Os personagens da vida real já se conheceriam?

enconj

Recortes de fotografias de Augusto Malta que documentaram a proximidade entre as duas construções em 1908 — Theodoro e Lucília poderiam estar aí

O pesquisador Vicente Salles em seu livro Épocas do Teatro no Grão-Pará ou Apresentação do Teatro de Época tratou do assunto no tópico A coroação de Lucília Peres em 1910.

*Theodoro Braga (1872-1953).
**Lucília Peres (1882-1962).


Postscriptvm: o Laboratório Virtual está coletando imagens do Pavilhão da Fábrica de Cerveja Paraense, projetado por Theodoro Braga à Exposição Nacional de 1908, para que o professor José Maria Coelho Bassalo possa proceder sua virtualização gráfica animada.

Esse post foi publicado em Arquitetura e Urbanismo, Fotografia antiga, História e marcado , , , . Guardar link permanente.

Uma resposta para Cadê a coroa com 600 gramas de ouro desenhada por Theodoro Braga?

  1. Olá!

    Foi um agradável mergulho nessa rica história de nossa Belém.

    Embora permaneça sem resposta a pergunta introdutória, poder passear pelos acontecimentos aqui descritos foi muito prazeroso.

    Sobre a pergunta, não seria natural que a peça se encontrasse com os descendentes de Lucília Peres?

    Um abraço fraterno e muita paz!

    Cleiton César

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s