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Divulgação/convite à FAU

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Fazendo a cabeça para 2014; por Jaime Bibas


Blog da FAU.
Todos temos dificuldades em lidar com a memória. Às vezes, trancada por motivos os mais diversos, teima em permanecer enterrada e esquecida nos desvãos da história. Pensava nisso quando deparei, na internet, com um desenho de Bohdan Bujnowski, arquiteto, já falecido, que pertencia ao grupo de professores vindos desde o RS, para fundar o Curso de Arquitetura, hoje FAU, em 1964.
Bohdan era polonês de nascimento, formado – parece – na UFRG quando veio para cá viver sua aventura amazônica. Lembrar dele é logo vir à memória o excepcional desenhador, professor exigente à época, com as técnicas do lápis, nankim, aquarela, pastel, enfim tudo aquilo que ele dominava – para assombro nosso – de maneira tão natural e incrivelmente correta. Exigia igual habilidade de seus alunos, os quais às vezes, de jeito nenhum conseguiam conduzir a mão (livre) as pinceladas e traços demandados.
Pouco se guardou dele. Desde a dedicação pelo curso, sua obstinada paixão pelo desenho, até o ser humano bom e ingênuo, demonstrado pela dedicação à mãe, uma polonesa que o carregara em uma caixa de sapatos, ao fugir dos campos de concentração de Hitler, como se dizia nos tempos da CAUFP.
Seria o motivo desses desenhos mostrarem belas imagens femininas, enquanto que as masculinas surgem no feitio de monstros feios e sanguinários? Não sei ao certo mas, olhando o desenho no flickr_nick-land (do arquiteto Nirlando lopes) e também, um resumo da tese de pós-graduação AQUI de Bohdan, volto a pensar como inicialmente, sobre os obstáculos que se impõe à alusão da memória, do tanto que precisa se fazer até 2014, por exemplo, quando a FAU completará seus primeiros cinqüenta anos de existência.
[jbibas]
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O passado de Belém emparedado e enterrado


A confluência da Ó de Almeida com a Padre Prudêncio guarda parte da História de Belém; há naquele local um estacionamento privado, defronte ao “camelódromo” erguido no antigo “buraco da Palmeira”.
A imagem do Google Earth nos dá o posicionamento aproximado de uma área pavimentada por concreto e asfalto que  encerrou importantes informações que subsidiariam uma reprodução virtual de antiga residência possivelmente arquitetada por Antonio Giuseppe Landi ou alguém que o tenha seguido nos métodos e técnicas de edificar.
Essa é uma suposição do arquiteto/arqueólogo, pesquisador do Museu Paraense Emílio Goeldi e professor do Programa de Pós-graduação em Arquitetura e Urbanismo da UFPA, Fernando Luiz Tavares Marques, já que as características de metade da fachada e os materiais de construção empregados apontam para essa possibilidade que se alinha ao fato da  rua Padre Prudêncio, em tempos idos, depois de chamar-se travessa da Misericórdia, fora a Rua do Landi.
Há quatro anos, quando os operários escavavam o terreno para as fundações do galpão até hoje descoberto, foram encontrados objetos do passado: cacos de faianças portuguesas, garrafas em louça e vidro — algumas delas ainda estão lá, armazenadas em um balde plástico como mostra uma das fotografias acima.
Os peões, casualmente educados pela exposição de objetos arqueológicos urbanos na Estação das Docas, comunicaram ao IPHAN os achados na construção.
O IPHAN solicitou ao arqueólogo Fernando Marques que, a partir de sua experiência com Arqueologia da Arquitetura —  disciplina que atualmente  leciona no mestrado do PPGAU —, elaborasse um estudo do caso; Fernando assim o fez, identificando o que fora forçosamente aflorado, e foi além:  preparou um projeto de pesquisa com a chancela do GOELDI que embasaria a Prefeitura Municipal de Belém no assunto, bem como previa espaço para exposição permanente no “camelódromo” do material arqueológico significativo que fosse encontrado na área.
Observamos que não houve escavações com metodologia científica no lugar da supositiva casa landiana; os buracos que lá foram abertos obedeceram às necessidades do projeto de cobertura do galpão, portanto, os sinais que o solo guardou se misturaram.
A Prefeitura não deu aval a proposição, mas a obra do estacionamento está paralizada desde então, só que o asfalto em seu interior seguiu impermeabilizando a memória da Cidade.
A Arqueologia da Arquitetura, circunscrição de estudos demarcada na Itália pela década de 1970, está em franco desenvolvimento aproveitando-se tanto das mais recentes tecnologias de sondagem, de estratigrafia e de programação gráfica quanto de documentos, mapas e outras iconografias antigas; sem contar que sua essência está na pluralidade do conhecimento, o que a torna, de certo modo, complexa e perene receptora de dados.
As análises preliminares de Marques indicaram que a fachada do século XVIII sofreu modificações no século XIX; provavelmente por questões de herança o bem se dividiu em duas partes, já que há indícios visíveis de uma parede com tijolos vazados que comprova a secção simétrica.
A fachada mais “moderna”, de três vãos altos, sugere um espaço comercial, talvez um armazém:


É possível fazer uma reconstituição virtual desse imóvel a partir da remanescência vertical junto aos vestígios sepultados no sítio; contudo, parece que a ignorância de autoridades e proprietários é incomodada pela irregularidade do imenso paredão soerguido: prefeririam eles um “belo” muro alisado pelo reboco com Poty?

Veja, logo abaixo, o resultado de três animações do Projeto Restauro Virtual da Casa de Dona Yayá da USP; com o material que atualmente dispomos sobre a Chácara Bem Bom, outro vacilo crasso da PMB, seria possível ter algo de nível semelhante com poucos esforços; já da edificação que aqui tratamos, essa materialização ficaria no campo das hipóteses, aguardando o resultado de outras descobertas que ajudassem na montagem do quebra-cabeça.



PostScriptvm:
Corre à boca miúda, lá pelo “camelódromo”, que o prédio vizinho ao estacionamento pela Ó de Almeida — no conjunto de fotos acima com pintura na porta de esteira GARAGEM CARGA E DESCARGA DIA E NOITE e símbolo de proibido estacionar —, do mesmo proprietário, está sendo vendido à PMB; o estranho é que as pessoas falam em venda e não desapropriação com indenização.

Matérias publicadas à época:
Revista do Museu 29/04/2007.
Revista do Museu 15/05/2007.