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Uma contribuição à prova do ENADE; por José Júlio Lima

Na última semana foram realizadas duas reuniões com o objetivo de apresentar aos alunos que irão prestar o exame do ENADE de Arquitetura e Urbanismo no próximo domingo (dia 6 de novembro). Na ocasião os alunos utilizaram-se do exame de 2008 para um simulado. Após a conclusão da prova, foram feitos comentários pelos professores José Júlio Lima e Haroldo Baleixe. Parte destes comentários são reproduzidos abaixo com a intenção de ajudar de alguma forma na preparação para a prova.
1. Há uma tendência das questões trazerem projetos de arquitetos famosos, nas perguntas o examinador procura testar a capacidade dos formandos em analisar aspectos dos projetos por meio dos desenhos apresentados. Observa-se que nestas questões não há cobrança de informações históricas ou conceituais, há uma cobrança pelo entendimento de relações formais que devem ser observadas a partir dos desenhos apresentados. Portanto há a necessidade de observar o que está sendo pedido em termos de composição, volumetrias, relações entre figuras geométricas, cheios e vazios, etc.
2. Há uma espécie de concentração em torno de projetos para espaços públicos das cidades do sul e sudeste do Brasil. Não esperem encontrar referências a cidades nortistas ou nordestinas. Apesar de não serem representativos de tudo o que entra nos programas dos cursos de arquitetura, os projetos do sul e do sudeste são utilizados em questões que relacionam aspectos formais e históricos.
3. Observa-se em todas as edições da prova questões em torno do conhecimento das várias áreas do curso, a saber:
• Paisagismo: questões que relacionam as composições dos jardins ingleses, franceses, japoneses.
• Informática: pelo menos uma questão sobre os avanços na informática aplicada à arquitetura, incluindo a relação entre a concepção e o desenvolvimento dos projetos. Agora que há uma integração entre desenho e informações, ler sobre BIM (Building Information Modeling)  seria interessante.
• Urbanismo: diferenciações entre densidades brutas e líquidas, instrumentos do Estatuto da Cidade (mais de uma questão, inclusive em questões discursivas), composição urbanística (é comum questões sobre Brasília, cidade-jardim), relações entre paisagismo, história e a cidade.
• Teoria e História: acredito que são as questões mais bem elaboradas, observar nos comandos a referência ao classicismo (não apenas as ordens arquitetônicas Greco-romanas, mas a utilização em princípios compositivos).
• Sistemas estruturais: as questões procuram colocar problemas para que seja feita uma análise sem a necessidade de cálculo, então é importante observar onde estão os centros de gravidade, a identificação de momentos fletores, relações entre as soluções estruturais e a solução compositiva do projeto.
Por último é importante chamar atenção para alguns termos que são usados de forma capciosa (que leva, ou pretende levar, ao erro: confunde, engana) nas questões comumente apresentadas, tais como: “nunca”, “exclusivamente”, “obrigatoriamente”, “unicamente”, “sem exceções”, ou que demonstrem nas alternativas algo que torne o argumento da questão uma situação extrema. Há de se observar se o examinador está dirigindo a atenção para algo que não ocorre da forma em que induziu o pensamento. Lembre que há alternativas conceituais que relativizam aquilo que está sendo colocado.
Boa sorte!

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Marca de Alcyr Meira é patrimônio da UFPA

A diretora da Biblioteca Central, Maria das Graças da Silva Pena, empenha-se em trazer para o acervo institucional a memória documental acumulada, ao longo de mais de 50 anos, por Alcyr Boris de Souza Meira sobre a Universidade Federal do Pará.
Alcyr, que foi o 6º funcionário a ingressar na ainda Universidade do Pará, pretende escrever um livro para contar a história dos bastidores do poder.
Octávio Augusto de Bastos Meira, pai de Alcyr, viajou à Europa, pela primeira vez, no ano de 1957, após a formação do filho em engenharia, com plena certeza que seria o primeiro reitor da recém-criada Universidade; ao retornar, Octávio viu seu colega de cátedra, Mário Braga Henriques, empossado por pirraças políticas: Magalhães Barata vingara-se do ex-correligionário do Partido Social Democrático, a mesma sigla do presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira.
A Universidade, para o professor aposentado do ITEC – lotado no extinto DAU, que deu origem à Faculdade de Arquitetura e Urbanismo -, parece ter verdadeiro marco na gestão do médico e professor José da Silveira Netto, a quem auxiliou, primordialmente, como engenheiro e arquiteto, na construção do Campus Pioneiro, dirigindo o Departamento de Planejamento e Obras.
Alcyr também foi o autor do signo que identifica a UFPA desde o ano de 1965, a única insígnia reconhecida por documento vigente datado de 1969, com memorial baseado na heráldica, redigido de próprio punho para compor o anexo da Resolução.
A águia sobre o livro, adotada oficialmente como escudo, desdobrou-se em medalhão reitoral e bandeira sob a orientação de seu autor; contudo, a banalização de programas gráficos a tem “corrigido” de tal modo que o desenho original deixou de ser reconhecido nas atuais reproduções.
Sobre esse fato houve o posicionamento do Magnífico Reitor: “Padronizar a nossa marca em consonância com os cânones estabelecidos há 42 anos é fundamental, não se pode negligenciar o que é visivelmente (ou visualmente) tradicional, já que é ela um patrimônio que transcende a comunidade acadêmica à sociedade, sua real proprietária e beneficiária”.
Para que isso ocorra a contento, Maneschy deverá cuidar da recuperação gráfica necessária e  distribuição desse brasão a todas as unidades, contando com a colaboração estética de Meira.
Em sua coleção de lembraças daquela Universidade que se foi nos tempos, Alcyr guarda farto material fotográfico, desenhos e documentos que a própria instituição desconhece; fontes primárias de pesquisa que poderiam estar disponíveis à consulta pública por meio de reproduções digitais na Internet.
Como testemunhamos o encontro do atual reitor com um vice-reitor (e quase reitor) da UFPA de época remota, podemos afirmar que algumas ações finalmente tomaram o rumo da sensatez; ou, pelo menos, apalavradas o foram.


Graça Pena, Alcyr Meira e o Magnífico Reitor da UFPA, Carlos Edilson de Almeida Maneschy, em reunião, ontem, no Gabinete.