Especulações da área do Jardim Mythologico

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Ampliável à leitura

Em Onde ficava o Jardim Mythologico de Belém do Pará? aventouse a possibilidade da Fábrica de Cerveja Paraense ter ocupado parte da área pertencente ao Jardim Mythologico – sítio privado destinado ao divertimento público localizado na Estrada da Independência de propriedade da firma Gomes Junior & C.ª .
O Jardim Mythologico, referência comprovada de lugar da cidade pelo menos até 1882, surgiu no final de 1870 como Circo Olympico sendo rebatizado em 04 de junho de 1871.
As investigações revelaram notas que nos fizeram arriscar uma conformação – hipotética pela falta de dados – do terreno defronte à estação da Companhia Urbana da Estrada de Ferro Paraense, uma sociedade anônima concomitantemente implementada à integração e expansão de Belém na direção da Estrada de Bragança (antes da Estrada de Ferro de Bragança); em 1871 os trilhos urbanos já circulavam a cidade e chegavam ao Largo de São Brás, além do Mythologico.
Os anúncios no conjunto gráfico trazem à tona a figura do pai de Manuel Raymundo Gomes Junior* (Gomes Junior & C.ª) como negociador dos terrenos em seu cartório; Manuel Raymundo Gomes** fora serventuário vitalício até 15 de dezembro de 1874.
O fato da família Raymundo Gomes por à venda partes do Mythologico pelas extremidades nos faz crer no primeiro fatiamento e subtração da superfície original de sua propriedade: possivelmente compreendida, pela frente, na Estrada da Independência, entre as travessas 14 de Março e 09 de Janeiro; já pelos fundos, limitada na Estrada da Constituição (Gentil Bitencourt).
Vale destacar o dito na conclusão do relatório da Urbana Paraense (Anno I): … o assombroso augmento de valor nos terrenos no bairro de Nazareth e na linha do Marco, nos dão a firme convicção de que um brilhante futuro aguarda  a nossa nascente empreza… como justificativa ao desfalque geográfico na chácara Jardim Mythologico.
Se conseguimos interpretar satisfatoriamente as informações o quarteirão do Museu Paraense Emílio Goeldi estaria, em 1871, totalmente inserido na Quinta dos Gomes que possuía plantação de laranjas, as quais se vendia no local aos centos.
Observamos que esta postagem foi baseada em suposições, portanto, há possibilidades de erro – à correção em postscriptvm ou novas publicações se necessário.
As buscas permanecem, mas o que temos de novidades pretéritas ao entretenimento, por ora, pode ser acessado em recortes de jornais (arquivo pdf), um hiperlink às fontes primárias.

*Manuel Raymundo Gomes Junior em 1871 tinha 26 anos de idade e sua firma, a Gomes Junior & C.ª, certamente era familiar com domínio decisório do patriarca.
**Manuel Raymundo Gomes, o tabelião Gomes, fora casado com Umbellina M. da Conceição Gomes com quem tivera três filhos: Hygino Raymundo Gomes, Manuel Raymundo Gomes Junior (casado com Robina de Araujo Gomes) e Maria M. Gomes Paes (casada com Pedro Antonio Paes); da família nuclear também fizera parte seu irmão: Rodrigo Raymundo Gomes.

Fonte: recortes de jornais da Hemeroteca Digital Brasileira  Biblioteca Nacional.


Material recomendado à leitura:

Relatório da Companhia Urbana da Estrada de Ferro Paraense – anno de 1872.

Relatório da Companhia Urbana da Estrada de Ferro Paraense – anno de 1882.

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3 respostas para Especulações da área do Jardim Mythologico

  1. Manoel de Almeida Gomes disse:

    Seria o Gomes meu antepassado?
    Lúcido o raciocínio do site e rico o material primário que provoca uma viagem ao lugar.

  2. Bassalo disse:

    Haroldo, pode até haver existido o “Fabianológico” da Dezesseis. Mas os anúncios dos jornais não deixam dúvidas quanto ao Mythologico da Independência. Vai ver que eram vários…

    • fauitec disse:

      Bassa: não creio que houvesse outro Jardim Mythologico com a notoriedade deste que quando inaugurou em 1870 como Circo Olympico recebeu 1526 pessoas num domingo.
      Se observarmos as propagandas de jornais não há endereço nem do Olympico nem do Mythologico; no máximo a referência, quando Olympico, à “estação terminal da estrada de ferro paraense”.
      Por isto foi dito no texto: referência comprovada de lugar da cidade – um marco duradouro.

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