Fotos do MUFPA revelam a Olaria São Martinho do Tucunduba

Um álbum exposto no Museu da Universidade Federal do Pará — MUFPA — contém fotografias do Campus do Guamá tiradas na década de 1970; três dessas imagens, sem datação exata no decênio, dão ao conhecimento a conformação de uma olaria localizada na margem direita do igarapé Tucunduba, dita por moradores: Olaria São Martinho — nomenclatura ainda não confirmada por documentação — que deu origem à Rua da Olaria.

Fotografias (ampliáveis) que permitem visão à Olaria São Martinho

Detalhes (ampliáveis) das imagens anteriores

O professor Alcyr Boris de Souza Meira  — diretor do Departamento de Planejamento e Obras do Conjunto Pioneiro — em entrevista ao periódico Beira do Rio, disse ao jornalista Walter Pinto:

O atual campos I (básico) foi projetado nos terrenos desapropriados de Affonso freire, Antonio Cabral e outros, cujo acesso mais viável era pela rua Bernardo Sayão. Essa área abastecia de argila uma antiga olaria que funcionou em seu interior. Os buracos deixados pela retirada de argila e a topografia natural dos terrenos contribuíam para o alagamento da área, sendo necessária a realização de um grande trabalho de aterro hidráulico. Utilizando uma draga de sucção para retirada de areia de granulometria grossa do leito do rio Guamá, foi, então, realizada a compactação do solo.

Já o depoimento de uma das moradoras mais antigas da invasão Riacho Doce, registrado na dissertação de Cleonice Meireles de Macedo intitulada Meio ambiente na percepção dos moradores da ocupação Riacho Doce e Pantanal na bacia hidrográfica do igarapé Tucunduba  ̶   Belém-Pará, explica que a ocupação:

Iniciou no dia 04 de setembro de 1990, por um grupo de amigos liderados pelo senhor Juvenal Batista que resolveram ocupar o terreno que estava abandonado, a qual funcionava uma olaria que fabricava tijolos e telhas, as margens do igarapé Tucunduba, de onde se tirava matéria prima… (sic)

Meira quando se refere ao acesso viável pela Bernardo Sayão recompõe o que remanescera da Fazenda Olaria Sant’Ana da Pedreira; enquanto T. S. (iniciais da posseira de 1990) relembra a inativa Olaria São Martinho que nos anos 1970, pelas fotografias e salvo equívocos interpretativos destas, mostra vestígios de funcionamento:

À margem direita* do Tucunduba a São Martinho;  à esquerda, pista de rolagem direcionada a um barracão próximo à sugestão (miragem?) de piscinas formadas pela retirada (aparentemente ordenada) de argila — isto do outro lado da Perimetral, defronte aos laboratórios de Hidráulica e Mecânica.
A questão é: generosa superfície servia à Olaria ou às obras na UFPA?

Em 1955 as duas olarias pareciam funcionar concomitantemente sem o traçado da Perimetral

*O Tucunduba nasce na residência do professor Paraguassú Ellers, às proximidades do Bosque, na Angustura; portanto, suas margens são orientadas na direção do exutório: rio Guamá.
Ler Caracterização qualitativa dos impactos ambientais causados pela ocupação urbana no igarapé do Tucunduba, Belém, PA.


Veja algumas fotografias do Campus do Guamá reproduzidas do álbum do MUFPA.


Postscriptvm (03MAR2018):
A publicação O Setor Esportivo da UFPA entre 1976 e 1977 rechaça a possibilidade das  piscinas formadas pela retirada (aparentemente ordenada) de argila.

Esse post foi publicado em Arquitetura e Urbanismo, Fotografia antiga, Memória, Patrimônio e marcado , , . Guardar link permanente.

Uma resposta para Fotos do MUFPA revelam a Olaria São Martinho do Tucunduba

  1. Carlos Brito disse:

    Fabuloso!
    Vocês sabem muito bem como utilizar fotografias antigas.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s