O não clipper da Castilhos França


O detalhe de uma fotografia publicada em Belém (Círio) 1973; por Roberto Serra Freire nos dá ao conhecimento duas construções defronte aos armazéns da SNAPP/ENASA: um posto de combustíveis com bandeira ESSO de aparência Streamline Moderne (estadunidense) e um abrigo com telhas francesas perimetrado por pestanas de outro material, por ora não identificado (amianto?).
Tal equipamento guarda semelhança com um antigo abrigo erigido na Avenida Portugal também pestanado por material distinto à telha francesa da cobertura central de quatro águas:

Sem datação ou autoria a foto revela duas placas: a de primeiro plano diz Bilhetes para os Bondes… Kiosque e a mais afastada: Parada… Bondes Souza Marco Circular Cremação… Bagé…

O equipamento do canteiro central da Avenida Portugal na esquina com a João Alfredo, defronte à praça Dom Pedro II, não era do tipo clipper, uma vez que os clippers surgiriam somente em 1939 com o Clipper Nº1, defronte à Praça do Relógio; seguido pelo Clipper Nº2, na Castilhos França, esquina com a 15 de Agosto, atual Presidente Vargas — ambos estruturados em cimento armado cobertos por lajes.


1935: nenhum clipper havia sido construído em Belém

Anos 1960: a dita Parada com Kiosque compondo, de modo destoante, parte do conjunto de equipamentos urbanos estruturados em cimento armado e cobertos por lajes, do Ver-o-peso.
A edificação se distingue das demais por sua parecência (subjetiva) com o Escritório do Tráfego da Pará Electrics que também vendia Bilhetes para os Bondes com placa de anúncio à distância dependurada num poste:


A similitude arquitetônica entre os abrigos da Avenida Portugal e da Castilhos França com o Escritório do Tráfego, inaugurado em 17JAN1934, abre a possibilidade de ambos serem os mais remotos abrigos destinados aos passageiros dos bondes feitos pela própria Companhia (Pará Electrics):

As pestanas das Paradas com kiosques podem não ser do projeto original; ou, noutra lógica: a Pará Electrics as construiu para os seus próprios omnibus chegados em 1937, já que os trilhos dos bondes estão centralizados nas vias a elas adjacentes — para acessar os bondes as pestanas seriam inúteis à defesa do sol e/ou da chuva; já para os ônibus, pertinentes como a assinalada no postal Ponto de Onibus, ou mesmo a que se projeta à Castilhos França.
A fotografia de Roberto Serra Freire põe por terra  CLIPPER da Castilhos França em 1965, uma vez que nela se vê o posto de combustíveis da ESSO e por trás o que não é um clipper, mas que certamente os inspirou, pelo menos, em funcionalidade.

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