O Super Clipper Brasil; por José Maria Coelho Bassalo

O Super Clipper Brasil virtualizado pelo professor Bassalo

A partir das investigações do Laboratório Virtual FAU/ITEC o professor José Maria Coelho Bassalo efetuou a construção gráfica do Super Clipper Brasil demolido em 1965/66(?) localizado no Largo de Nazaré (ou Praça Justo Chermont) — com frente à Avenida Nazaré entre Generalíssimo e Vila Leopoldina.
O Supper Clipper Brasil — inaugurado em 04 de outubro de 1949, dez anos depois do Clipper n°01 que deu início a esses equipamentos urbanos de tipologia Streamline Moderne estadunidense no Ver-o-peso como abrigos aos passageiros dos bondes/ônibus fornecedores de serviços — possuía no térreo: “… café expresso, bombonieres, e serviço de gelados. Uma moderna e ampla sorveteria foi aí instalada, aparelhada higienicamente em condições também de fazer a distribuição de sorvetes populares.”; no pavimento superior:  “… o bar e restaurante, em cujos serviços seus proprietários prometem a maior perfeição e rapidez. Trecho desse piso foi coberto especialmente, de acordo com a planta, enquanto o outro, ao ar livre, tem as suas artísticas mesinhas cobertas por coloridos guarda-sóis…” (A Província do pará 05OUT1949).
O Streamline Moderne na arquitetura; apesar de estilo internacional pelas bases científicas preconizadas à solução de problemas da produção industrial no mundo pós Queda da Bolsa de Nova York em 1929 — daí dita Arquitetura da Máquina; nasceu e proliferou nos Estados Unidos como símbolo de modernidade e desenvolvimento: sinônimo de futuro coletivo idealizado no desenho animado The Jetsons no início dos anos 1960 já na variante Googie (o exagero do Streamline).
Essa influência do Streamline Moderne estadunidense na arquitetura Belenense parece ter relação com a rota dos hidroaviões da NYRBA/PanAir na America do Sul de 1929 até o início da Segunda Guerra: Belém era hidroporto e oficina de manutenção de aeronaves na Port of Pará — vejam que O Clipper nº1 foi calcado no hidroplano Fairchild 91 — Baby Clipper.
A facilitação da mobilidade por via aérea entre Belém e a América do Norte certamente espelhou culturas e consumos do exportador industrializado que se queria imitar.
Por esta ótica outras construções, além de clippers e postos de combustíveis, em Belém poderiam ser enquadradas no Streamline Moderne como os edifícios Costa Leite e o Uirapuru de Judah Levi; não seriam excluídas obras de Camilo Porto de Oliveira como a casa de Belisário Dias e a sede campestre do clube Assembléia Paraense (ambas de meados da década de 1950 com arcos que lembram o McDonald’s californiano de 1953 projetado pelo arquiteto Stanley Clark Meston) — dentre outros planos assinados por engenheiros e arquitetos do período que se estende ao final dos anos 1960 quando as primeiras turmas do Curso de Arquitetura da UFPA entram no mercado de trabalho.

Diferenças gerais entre o Deco e o Streamline Moderne.

Virtualização do Super Clipper Brasil: Jô Bassalo.
GIF da virtualização: Jucá Costa.


A Folha do Norte de 01JAN1939 mostra uma série de ante-projetos para equipamentos públicos a serem erigidos na administração de Abelardo Condurú com variedade de estilos.


Outras obras do Streamline Moderne na arquitetura de Belém virtualizadas pelo professor José Maria Coelho Bassalo:
Clipper n°01, no Ver-o-peso; Clipper n°2, no Bulevar Castilhos França/15 de Agosto e Posto Pará, no Ver-o-peso.

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Uma resposta para O Super Clipper Brasil; por José Maria Coelho Bassalo

  1. Alcydes Bragança disse:

    Descobri este site e passei a acompanhá-lo. Dinâmico, porém desorganizado para o leitor comum. É difícil entender a fragmentação das informações que pedem condensações em textos completos que juntem as tantas “pontas soltas” – e isto não há, principalmente com os levantamentos bastante complexos sobre os ditos clippers e o Streamline Moderne estadunidense desenvolvido na capital paraense e interiores adjacentes como designarchitecture. Contudo, como proposta de laboratório, é isto mesmo porque vai na contramão de ser fácil aos plagiadores ferramentalizados com o “recorta e cola” que alienam fontes para levar créditos fraudulentos em dissertações e teses acadêmicas no Brasil ainda deseducado. Cuidado com o furto, você pode levar a parte estragada do bolo, já refutada pelos autores. De certo é que as virtualizações orquestradas pelo professor Bassalo trazem à tona imagens jamais vistas com tanta clareza para análises formais e esse jeito de fazer é positivo para melhor entender a arquitetura de Belém do Pará em seu trajeto histórico. Escuso-me pelas críticas de intenção construtiva. Abraço e parabenizo os desenvolvedores desta página interativa que propaga o nome da mais antiga faculdade de arquitetura do Pará.
    Alcydes Bragança – Sintra, Portugal.

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