1916 – Faciola assume o Palacete Silva Santos

Comparação de duas notas de jornal: uma de 17 de setembro e outra de 20 de novembro de 1916

Duas prosaicas noticias publicadas no jornal Estado do Pará, ambas de 1916, revelam quando Antonio d’Almeida Faciola chegou ao Palacete Silva Santos para transformá-lo em Palacete Faciola.
A presença de Armando Chermont no nº26 de Nazareth, mesmo que não listado como filho de Pedro Leite Chermont e Maria da Silva Santos Chermont na nota de falecimento de 23OUT1911, confirma um membro da família Chermont dando como seu o endereço do imóvel colado ao Palacete da equina com a Doutor Moraes.
De outro modo, recebendo parabéns por seu aniversário em 18 de novembro de 1916, estava Antonio Faciola “em sua residência”, no mesmo n°26 de Nazareth, instalado na dita casa dois meses depois: saiu um e entrou o outro (e suas famílias).
Tal edificação, que surgira junto com o Palacete em 1898 (?), de fato (e de direito), era propriedade documentada de Marianna Fernandes da Silva Santos, esposa em segundas núpcias de Bento José da Silva Santos, casada em regime de separação de bens, contudo: estava pública socialmente como moradia do casal Pedro Chermont e filhos – no caso só a viúva, Maria.
Faciola, no que se sabe, adquiriu os dois prédios sem se desfazer de sua chácara e domicílio na Tito Franco, o Bem-bom; possivelmente ocupou o n°26 para gerenciar obras no Palacete de número 28, já que o mesmo fora, por algum motivo, preterido ao velório de Bento Júnior em 11 de maio de 1915, que se deu no 26 – “residência da irmã do morto” – teríamos um sinal de degradação pelos 16, 17 anos da construção?
O fato de Antonio se alojar no 26 e não no 28 dá à imaginação a hipótese de uma considerável reforma no Palacete para onde traria sua família e suas obras de arte; nela poderíamos pensar nos dois volumes arquitetônicos acrescidos, no surgimento do frontão e nas pinturas que decorariam o Palacete em equivalência ao que se vê no Bem-bom.
Por ora estamos diante de possibilidades; para que se tornem reais, carecem de comprovações.

Curiosidade:
Ainda não descobrimos quem é esse Armando Chermont, se um neto do Bento José da Silva Santos, ou outro membro da popular família Chermont, diferenciado pelo sobrenome interno, da mãe (que seria Santos); o fato é que em 1924, a filha de Antonio Faciola, Inah, casa-se com um Armando Chermont – homônimos ou a mesma pessoa?
Armando Chermont, por sorte ou casualidade, apareceu para ajudar na datação que questionávamos; mas, instaurou outras dúvidas.

Um palacete de velórios e festas

A publicação ficará aberta à construção do texto.


Postscriptvm (27JUL2022):
Segundo o jornal Estado do Pará, de 23 de outubro de 1911, que noticiou o falecimento do médico e deputado federal Pedro Leite Chermont, casado com dona Maria da Silva Santos Chermont, o casal tinha 5 (cinco) filhos: Pedro (estudante de engenharia), Edmundo, Rodolfo, Carmen e Ítala – não há Armando na lista.

Sobre o Projeto Laboratório Virtual - FAU ITEC UFPA

Ações integradas de ensino, pesquisa e extensão da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo do Instituto de Tecnologia da Universidade Federal do Pará - em atividade desde maio de 2010. Prêmio Prática Inovadora em Gestão Universitária da UFPA em 2012. Coordenação: professor Haroldo Baleixe.
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3 respostas para 1916 – Faciola assume o Palacete Silva Santos

  1. Victorino Coutinho Chermont de Miranda disse:

    Armando da Silva Santos Chermont, ou simplesmente Armando Chermont , era um capitalista e colecionador de arte nascido em Belém, que, a partir de determinada época, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde veio a falecer. Era o 4º filho de Pedro Leite Chermont e de sua mulher Maria Lemos da Silva Santos, que aqui também passou a residir. Foi casado com Inah Faciola. Era primo do tabelião Edgar da Gama Chermont, que se casou com Maria Laura de Almeida Faciola, e tio do cirurgião dentista Armando Brito Chermont, que presentemente reside em Belém e talvez lhe possa aduzir algo mais. Tais dados constam do livro A Família Chermont – Memória Histórica e Genealógica, 2 ed., 2016, de minha autoria, onde aquele se acha citado a fls. 155 e retratado em grupo a fls. 179 (na última fileira, o segundo da direita para a esquerda), com os cinco irmãos.

    • Caro Victorino: a nota acima linkada sobre o falecimento de Pedro Leite Chermont, em 1911, suprime o nome de Armando da Silva Santos Chermont; cita cinco filhos: “Pedro, estudante de engenharia; Edmundo, Rodolpho, Carmen e Ítala”. Considerando sua informação, Inah de Almeida Faciola, aos 15 anos, passou a ocupar o imóvel que seu futuro marido acabara de deixar – só casariam em outubro de 1924. (Já se conheciam, ou se conheceram, em 1916 – ou mais adiante -?)
      Sobre Laura de Almeida Faciola verificamos que ela fora casada (não encontramos a data do casamento, mas seria anterior a 1911) com Joaquim Augusto de Andrade Freitas com quem teve uma filha: Maria Faciola Freitas; em 1914, Laura casaria, em segundas núpcias, com Edgar Chermont; você confirma isto? Edgar e Laura tiveram filhos? (O fato dela ser viúva ao casar com Edgar não é relatado no seu livro.)
      Agradecemos imensamente sua contribuição à elucidação destas duas questões.

    • Victorino: no seu livro, no verbete sobre Laura, há um equívoco: Laura não era filha de José, mas de João (Giovanni no original); José era irmão de Laura, ambos filhos de Giovanni Facciolo (como Inah escrevia) ou Fasciolo (como Meira grafa) com Michaela Ramos d’Almeida.
      Em Memórias do Quase Ontem, de Otávio Meira, temos um bom levantamento dessa família.

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