Investigações sobre a origem dos nossos CLIPPERS


O Blog da FAU permanece pesquisando a origem da nomenclatura inglesa CLIPPER dada às PARADAS de ônibus de Belém do Pará surgidas na década de 1930.
A hipótese é que esse termo tenha advindo dos hidroaviões da PAN AM que cruzavam os céus da Cidade desde 1929.
A questão também passa pela exclusividade do uso da palavra CLIPPER: seria ela empregada em outros lugares do Brasil e do mundo como designação a esse tipo de abrigo?
Descobrimos um exemplar de ponto de ônibus na capital de Cuba, Havana, que utiliza uma coluna em “V” como os CLIPPERS contruídos na década de 1950 ao redor da Doca do Ver-o-peso (e o de Icoaraci), contudo, sua solução é distinta e arrojada, pois o “V” abre-se em arcos que interpenetram o plano da cobertura gerando apoios únicos em outros dois lugares do solo, demarcando a triangulação mínima de um plano; o site que porta a fotografia, o CROOKEDBRAINS, data a construção como sendo da década de 1930 (do que desconfiamos), mas não faz nenhuma referência ao termo CLIPPER; Havana, segundo o filme incorporado à postagem  As viagens que transformaram PARADAS DE ÔNIBUS em CLIPPERS era o início da rota dos mesmos hidroaviões que passavam por Belém e aqui tinham oficina de manutenção, portanto, tal referência formal é a mesma para os habitantes dos dois centros urbanos.
No blog Gente de Opinião encontramos um exemplar de CLIPPER em Porto Velho, capital de Rondônia, com características semelhantes ao que entendemos como o primeiro de Belém. Suas dimensões são reduzidas, mas detém um lógico raciocínio em sua geometria espacial: dá à possível “placa” de identificação sobre a cobertura, uma integração por intermédio do encadeamento à alvenaria da guarita de serviços.
Não se pode desconsiderar que seja apenas uma mimese de obra erigida em grande centro como Belém, muito menos que o projetista e/ou construtor tivesse trânsito entre essas cidades amazônidas, como era o caso do arquiteto alemão Albert Oswald Massler, residente e domiciliado em Belém, que em 1930 assinou o Palácio Rio Branco, no Acre; de todo modo o CLIPPER de Porto Velho é mais relembrado pelos moradores antigos como um quiosque, não como parada de ônibus; senão, vejamos o que diz a legenda da foto: “Zé, o quiosque era chamado de ‘clipper’. Vai entre aspas porque, se a pronúncia era como se escreve, o significado desta palavra inglesa não tem relação com o objeto (no caso, um pequeno ponto de vendas). Sabe-se lá a razão. É a foto novidade do conjunto, Zé. Abraços. Marrocos.”.
No PORTA-RETRATO, blog temático “Macapá/Amapá de Outrora”, encontramos uma fotografia com os seguintes dizeres: “Década de 50 – Fotos da praça do Mercado Central destacando o Cliper Bar, parada dos ônibus da época: o Caixa de Cebola e o Bossa Nova. Observa-se, ao fundo à direita, o armazém Nely de propriedade do Sr. Antônio Nely de Matos.”; entretanto, tal imagem lembra mais os “telheiros” dos bondes de Belém (que também hospedavam serviços) que propriamente os CLIPPERS que surgiram, junto a esses, nos anos 1930.

Parceria: Fragmentos de Belém.


Postscriptvm (o1/11/2014):
Acompanhe a evolução da pesquisa pelo SUMÁRIO que dá acesso às postagens sobre CLIPPERS até 24/10/2014.
Algumas informação contidas nesta postagem podem ter caído por terra em consequência da aparição de novos registros documentais.
Não fazemos nenhuma reparação nos textos originais, apenas colocamos esta nota ao final das publicações cobertas pelo período do resumo.
Aprendamos com os nossos erros.

Esse post foi publicado em Arquitetura e Urbanismo, Equipamentos urbanos, Fotografia, Fotografia antiga, Fotografia recente e marcado . Guardar link permanente.

Uma resposta para Investigações sobre a origem dos nossos CLIPPERS

  1. Ronaldo Marques de Carvalho. disse:

    Rememorando minha tenra infância, lembro-me que cada bairro de Belém (os que eu conheci) continha um CLIPPER que funcionava como um terminal para uma determinada linha de ônibus.
    Regra geral: quase todas as linhas convergiam para o VER-O-PESO onde localizavam-se diversos CLIPPERS.
    Lembro-me que no chamado LARGO DE NAZARÉ havia um que, se não me falha a memória, funcionava como terminal de linha local.
    Enfatizo portanto que o CLIPPER não era uma mera PARAGEM (como falam os portugueses) e sim TERMINAIS DE ONIBUS URBANOS.
    No Guamá havia um, no Telégrafo também, no Largo de Nazaré idem, e assim por diante.
    Lembro-me também que na Praça do Relógio e na Avenida Portugal se concentravam em maior número os CLIPPERS.
    Ronaldo Marques de Carvalho.

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