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Cecilia Giménez, um gênio incompreendido (2)
“La verdad es que cada cual ha hecho sus versiones de cuadros señeros y nadie ha dicho nada.” (José María Suárez Gallego)
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Publicado em Arquitetura e Urbanismo, Greve
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A psicológica volta às aulas

Se as universidades públicas federais não estivessem em greve por condições dígnas de trabalho e uma carreira docente coerente, dia 20 passado teríamos iniciado o 4º e último período letivo na UFPA — enganam-se aqueles que vociferam que greve é sinônimo de FÉRIAS no meio educacional, pois o estado de alerta é semelhante à espera de um avião que, por não estar no alcance do radar, tem um atraso sinistro.
Retomar as atividades para completar o 2º período letivo — que encerraria em 07 de julho de 2012 —, mesmo que imprescindível, é angustiante; é como se a roda do tempo girasse ao contrário, desconstruindo toda e qualquer razão.
Ter verdadeiras férias, junto à família, é algo que demorará muito, até que a casa se arrume e o calendário acadêmico seja fatiado de acordo com os 365 dias de um ano normal que comece em 01 de janeiro e finde em 31 de dezembro — e sabe-se lá quando ocorrerá.
As outras categorias do funcionalismo não têm esse padecimento: o que passou, passou; a vida no trabalho apenas segue, sem a responsabilidade de reparar o que ficou para trás.
Mas…deixemos essa aflição de lado para interpretar uma curiosa estatística do Blog da FAU:
Exatamente no dia 20 de agosto, como demonstra o quadro acima, a audiência diária do BF retornou aos níveis do mês de maio, quando as IFES iniciaram o movimento de paralisação.
A sensação é que os internautas da comunidade acadêmica estão a cantar em agonia, aos ouvidos moucos do Governo Dilma, Pedaço de Mim:
Professores da FAU em diálogos com o patrimônio
Publicado em Arquitetura e Urbanismo, Patrimônio
Com a tag 'FAU-UFPA', Diálogos com o patrimônio, FAU
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Divulgação/convite à FAU
Em setembro, na Elf:
Insano de Mim – Mostra de acervo com intervenção de Drika Chagas
Há uma razão na falta de razão.
Foto: Simões. Acrílica s/ papel, 1992.
Se um homem tivesse encontrado a razão que levava Dom Quixote a fazer isto ou aquilo, conheceria o sofrimento provocado pelo vazio, porque perderia sentido lutar pelo eterno e pelo infinito. A delirante alegoria da obra de Cervantes encaixou a fantasia transgressora que reside na mente humana nos irresistíveis apelos da insanidade, do sonho e da realidade. De fato, há uma razão na falta de razão!
Assim pensando, dá pra concluir que viver é a prática da falta de razão: dizem até que alguém “se faz louco para bem viver”… e, se assim não fosse, como, então, seria possível passar pelo cotidiano sem ver lesada a esperança? Como romper a densa camada onde estão enclausurados os pensamentos racionais se a ninguém importa nada de nada que não seja o seu próprio interesse? Seria a razão, portanto, o interesse? Há espanto, hoje, diante de qualquer ato de generosidade. E todos os que se dizem não insanos vivem a perguntar, diante desse ato: qual é a razão da pessoa tê-lo feito? A solidariedade perdeu a razão!
Se, ainda, acaso tentasse argumentar contra os argumentos dos hermeticamente sensatos, estaria perdido. Não encontraria palavras que os convencesse sobre o essencial, que não é visível aos olhos: eles deixam de ver a beleza, não percebem cores nem sabores, não escutam a melodia da chuva ao findar o dia… Estão fechados em seus sepulcros e já não querem mais saber de nada. No entanto, no mesmo lugar onde se localiza o sepulcro, reside também o berço, que permitirá o percorrer de um novo caminho.
Quem quiser se aventurar e seguir por este novo caminho perceberá o grito que ainda ecoa na alma, a chama que ilumina as paredes frias, o sabor que está contido na apreciação do belo. Sem dúvidas, a escolha significaria seguir pelo caminho Quixotesco do enfrentamento da sua loucura e das diversas faces dos moinhos.
É neste caminho que estamos hoje – porque setembro chegou – quando prontos para assistir a intervenção de Drika Chagas, na hora, e diante dos desenhos de Simões e PP Condurú, dois talentosos paraenses que bem representam tudo o que se deseja mostrar na exposição “Insano De Mim”. Os desenhos que compõe a mostra pertencem ao acervo da ELF GALERIA, que se propõe levar a quem desejar ser como Quixote, a reelaborar a sua insanidade por meio da arte, buscando na poesia escrita nas cores e formas e nas palavras, o desequilíbrio que poderá transformar vidas cansadas (porque a razão cansa!) em alegres e singulares extravagâncias, longe do que está regulamentado e enquadrado, mais próximo da liberdade de ver, gostar, ouvir e expressar. E assim será porque, como atividade sequencial à exposição, no dia 15 de setembro, acontecerá um sarau literário, que versará sobre o tema exposto, acreditando que toda a loucura será perdoada.
Serviço:
Abertura da mostra para convidados: 1 de setembro de 2012, de 11 às 14h
Visitação: de segunda a sexta, de 10 às 19h e aos sábados, de 10 às 14h, até o dia 22 de setembro.
Sarau Literário: dia 15 de setembro, de 11 às 14h, sob a coordenação de Luciana Brandão, Edney Martins, Valéria Fagundes e Fernando Maués
O Liberal (Opinião 27/ago/2012)
Publicado em Arquitetura e Urbanismo, Reprodução de artigos
Com a tag 'Eidorfe Moreira', 'FAU-UFPA', FAU
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A greve dos cem dias; por Leonardo Cazes
Falta de acordo com MEC leva professores à maior paralisação desde 2001

Assembleia dos professores da UFRJ decide manter a greve em 17/08/2012 DIVULGAÇÃO
RIO – Os professores das universidades federais enfrentam a maior greve em 11 anos, deflagrada há 98 dias. Das 59 instituições, 53 estão paradas. Desde 2001, no governo Fernando Henrique Cardoso, uma paralisação dos docentes não atinge tantas universidades por tanto tempo. Separados por mais de uma década, os dois movimentos só têm a longevidade em comum. No passado, os principais motores do movimento eram o arrocho salarial e falta de investimento nas universidades. Agora, a luta é por um novo plano de carreira e por melhores condições de ensino, principalmente nas novas unidades criadas a partir de 2007, dentro do Programa de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni).
As vagas oferecidas mais que dobraram, e o número de municípios atendidos por universidades ou institutos federais pulou de 114, em 2003, para 237, em 2011. A oferta cresceu, e os problemas acompanharam. Espalham-se pelo país instalações provisórias em contêineres, e faltam laboratórios e material para aulas. Ao mesmo tempo, os professores são uma das poucas carreiras do serviço público que não foram reestruturadas durante o governo Lula.
….
— As condições de trabalho com o Reuni, em 2007, pioraram muito, porque a contratação de professores não ocorreu no mesmo ritmo da expansão. Houve uma precarização do trabalho docente, há locais onde os professores dividem a mesma sala de aula, não têm laboratórios para desenvolver pesquisas. Sobre esse ponto, o Ministério da Educação (MEC) nem marcou uma mesa de negociação. O governo quer acabar com a greve vencendo pelo cansaço — critica Marinalva Oliveira, presidente do Sindicato Nacional dos Professores das Instituições Federais de Ensino Superior (Andes).
O governo é duro na negociação e fechou um acordo com o ProIfes (Federação de Sindicatos de Professores de Instituições Federais de Ensino Superior), que representa apenas oito associações de docentes. Pelo texto, os professores receberiam reajustes que variam entre 25% e 40%, parcelados até 2015. Contudo, o aumento tem como salário-base os vencimentos de 2010, e a proposta não considera a inflação.
Para o Andes, haverá perdas salariais, já que o Índice de Custo de Vida (ICV) do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) prevê uma elevação de 35,5% no período. Além disso, o aumento mais robusto seria dado aos professores titulares, que são minoria. Já o presidente do ProIfes, Eduardo Rolim de Oliveira, defende o acerto com o governo e alega que foi “a melhor proposta recebida” entre todas as categorias. Para ele, o contexto atual é muito diferente do de 11 anos atrás.
— Antes vivíamos um período de arrocho salarial fortíssimo. De julho de 2010 para cá, temos o melhor salário que já tivemos, está bem menos defasado — diz.
Na quinta-feira, o Andes deu sua última cartada ao fazer uma contraproposta que pede apenas a reestruturação da carreira. Qualquer mudança desse tipo deve ser encaminhada até a próxima sexta-feira para valer a partir de 2013, e o governo não parece disposto a voltar às conversas.
Com a mesa de negociação encerrada pelo MEC e a oposição entre os dois sindicatos, houve uma radicalização do movimento. Mesmo em universidades controladas pelo ProIfes, há casos em que os professores decidiram continuar a paralisação. Assembleias lotadas e votações acirradas colocaram em rota de colisão diferentes visões sobre a luta dos docentes e o próprio modelo de carreira dos professores.
Na UFRJ, estudantes e professores favoráveis à greve chegaram a fechar a entrada do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS), no Centro, para impedir que as aulas do curso de História fossem retomadas. O professor e historiador Francisco Carlos Teixeira classificou a atitude de “desrespeito”. Para ele, as propostas defendidas pelo sindicato não o representam, assim como diversos outros professores.
— O discurso sindical é de isonomia na carreira, iguala mérito e tempo de serviço. Mas aqui não é o lugar da isonomia. A universidade é um espaço garantido para o mérito e a produtividade. Precisa-se muito de inovação e tecnologia, e um lugar onde as pessoas progridem por tempo de serviço é um desestímulo total.
O professor da Faculdade de Educação da UFRJ, Marcio Costa, também contrário à greve, vai além. Ele diz que é necessário repensar o financiamento e a estabilidade no emprego.
— Sou contra esse modelo de estabilidade no emprego que nós temos, contra um plano de carreira nacional. Isso é um freio para a universidade. Há uma fantasia de se achar que todas as universidades federais no Brasil podem ser de ponta, mas em nenhum lugar do mundo é assim. O orçamento também não devia ser todo de recursos públicos. Quem pode deveria pagar — defende Costa.
Na proposta de carreira do MEC, estão previstas avaliações dos docentes para que haja progressão, e não apenas o tempo de serviço como deseja o Andes. As regras serão definidas por um grupo de trabalho que ainda será nomeado. Para Marinalva, o plano do sindicato torna a carreira mais atrativa para jovens doutores.
— Hoje, dois professores com a mesma função tem uma valorização diferente. Por isso queremos que a passagem entre os níveis tenha o mesmo percentual e a gratificação por titulação seja incorporada ao salário. Hoje, a carreira não atrai os mais jovens. É preciso que, quando ele entrar, saiba onde pode chegar — afirma a presidente do Andes.
Fonte: O GLOBO de 25/08/2012.
Publicado em Arquitetura e Urbanismo, Greve
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Milton Monte; por Juliano Pamplona Ximenes Ponte
Eu me recordo do professor Milton Monte já velho. No início da década de 1990 eu era calouro do curso de Arquitetura e Urbanismo da UFPA e mal devia ter assistido às primeiras aulas. Não me recordo ao certo – devo estar também velho.
Meu pai, Romero Ximenes Ponte, era Secretário de Educação do Estado, e havia uma inauguração de Escola Estadual na Avenida Perimetral. O projetista era o próprio Milton Monte, creio que em parceria com outro professor querido dos alunos da FAU, José de Andrade Rayol. Meu pai se animava a me apresentar ao velho mestre. Eu fui, com expectativa e a ignorância dos jovens. Era uma manhã abafada de Belém do Pará e o professor Milton Monte dava entrevistas. Eu sabia algo da importância dele, claro. Quando meu pai e eu conseguimos chegar até ele vi um senhor caboclo, sorridente e satisfeito com suas janelas geométricas, seu contraste de claro/cor e escuro/madeira envernizada.
Ele parecia compartilhar uma inovação. Conversamos, e ele nos falava do edifício como árvore e da oca como analogia da árvore e, assim, do elo necessário entre árvore, oca, casa. Oikos e Eko, se quisermos. Ele falava convicto, sua fala era consistente e me permitiu uma primeira idiotice juvenil. Perguntei: – Mas o senhor não acha que a madeira teria um problema de segurança? Acho que ele coçou a cabeça e me disse “é, isso é algo que vamos resolvendo”. Em suma, ele foi condescendente com minha provocação incauta de calouro que achava que ia inventar a roda. E buscou mais um salgadinho numa bandeja que passava.
Anos depois uns amigos que faziam Arquitetura e Urbanismo e não gostavam de estudar me chamaram pra uma conversa coletiva, um almoço de um monte de gente que o professor Monte chamava no bufê da Assembléia Paraense da Almirante Barroso para falar do IAB. Era uma convocação. Outro dia é que soube que o Sandoval Ferreira trabalhou com o professor Monte. E o velho congregava, era ouvido. Inclusive por aqueles que perguntavam “Livro? De Arquitetura?”, como se fosse um Alien pousando na Terra. O mau hábito de arquiteto em Belém de não estudar já era vigoroso na época… Lembro do Jorge Derenji respondendo: “por que, não gosta de livro?”. Era fatal.
A Ana Cláudia cita o professor Monte de modo preciso: alguém que alertava para a necessidade de reflexão, de teorização e aplicação de conhecimento. Lembro dele no auditório do CREA-PA, falando de referências e do Interpass do Mosqueiro. Ele sempre pedia perdão, já idoso, por sua vaidade, dizia algo como “me perdoem, mas gosto disso, como um pássaro que pousa na água”. Isso no final dos anos 1990. Sua postura combativa e sua vaidade, talvez, tenham comprado algumas desavenças. Havia uma divisão entre profissionais contemporâneos e o professor Monte parecia não poupar os opositores de críticas. Apesar de afetuoso com os jovens, ou talvez por isso, era mordaz, às vezes, com certos pares.
Lembro dele no Auditório Daniel Campbell da FAU, falando aos estudantes, um dia desses, 2011, sei lá. Todo mundo via sua trajetória com admiração e tinha acolhida nele, afetuoso e satisfeito. Ele queria ser doutor, vejam só. Penso que Tafuri e Frampton nos perguntariam a razão e eu também não sei. A tradição aplicada precisa dos rituais acadêmicos? Até que ponto? Curioso, não? Sempre achei que aquele curso de Arquitetura e Urbanismo batizava alguns professores velhos de Mestres. Nem todos. O professor Monte era um, não por ser velho, nem por seu séquito.
Deve ser porque há certos velhos que sombreiam, acolhem, nutrem e duram muito. Como árvores.
Publicado em Arquitetura e Urbanismo, Falecimento
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Fragmentos de Belém: a João Alfredo em 1952

Fonte: Fragmentos de Belém.
Publicado em Arquitetura e Urbanismo, Fotografia, Fotografia antiga
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Do Portal da UFPA
Publicado em Arquitetura e Urbanismo, Falecimento
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À intensidade de Milton Monte; por Ana Cláudia Duarte Cardoso
Acho que o professor Milton Monte foi um representante muito marcante do seu tempo, vi nele todas as rotas que marcaram nossa profissão desde que convivo com ela; destaco a face experimental, a busca da inovação por releitura do tradicional, assim como a relação com o tipo de mercado de trabalho que existia na cidade. E em meio a tudo isso, também as frustrações…
Ele enfrentou dificuldades que já não enfrentamos, em compensação os desafios ficaram mais explícitos nesses tempos de aquecimento global, e globalização de economia e atitudes. Naquela época em que fomos seus alunos, ele nos mostrou possibilidades de investigação, e mais tarde, alertou com sua própria trajetória para a necessidade de sistematização do conhecimento empirico; que era importante para os jovens buscar a pós-graduação. Certamente algumas coisas que fizemos, não teríamos feito se não tivéssemos convivido com ele. Assim cada um de nós, que viveu aquela época da discussão do telhado quebra-sol, da discussão do projeto para a casa amazônica, processou esse exemplo de um modo próprio, e cá estamos… com a responsabilidade de refletir e construir uma identidade para a escola que herdamos dos arquitetos engenheiros, como o mestre Monte, que com sua valentia, materiais e soluções, ampliava os horizontes de nossa imaginação, ao mesmo tempo em que nos ligava ao debate sobre a Amazônia.
Presto minha homenagem à intensidade com que nos conduziu, e registro minha gratidão pelo entusiasmo que ele plantou em nós.
Que ele esteja sereno e em paz!
Discórdia docente nas IFES; a quem obedecer: ANDES ou PROIFES?
Publicado em Arquitetura e Urbanismo, Greve
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