Às oito horas da manhã de sexta-feira…; por Jaime Bibas

A notícia veio pelo telefone. Milton Monte se foi daqui cansado, talvez, dos padecimentos impostos ao seu corpo, que lhe privaram do movimento livre sem, no entanto, apagar o brilho intenso, o entusiasmo de um cérebro privilegiado.
Difícil escrever sobre um amigo que a gente perdeu, mais difícil quando por tempos ficamos afastados e agora, um estranho silêncio só permite relembrar dos primeiros desenhos no curso de arquitetura que se iniciava por aqui, do futebol jogado na velha quadra de cimento cheia de remendos, tempo em que havia menos rumores nas ruas, algum rádio ligado num programa qualquer, do sol que entrava pelas frestas das venezianas, sempre no mesmo ângulo, com intensidade igual de luz e desenhava sombras, da chuva protegida pelo beiral, que podíamos apreciar com a janela aberta.
Depois a própria vida se encarregaria – é notório – de nos tornar triviais, de dificultar os caminhos que cada um teve que andar, deixando no ar pendurados, suspensos, instantes de serenidade, de conversas que buscavam espaços em desenhos inacabados.
Agora falo sozinho, é claro, não é possível obter respostas. Mais um amigo que já deve estar longe demais. Quanto a mim fico ainda por aqui enquanto isso a mim é permitido. Um dia se for possível nos encontrar, reuniremos com os outros que também se foram, e quem sabe? Organizaremos um time de futebol, ou simplesmente jogaremos conversa fora sobre um raio de luz a desenhar sombras.
O tempo tem passado rapidamente. Farei todo o possível, hoje, para não ficar melancólico.

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Adeus ao Mestre Monte


Faleceu ontem à noite no hospital Amazônia o engenheiro-arquiteto Milton José Pinheiro Monte, professor aposentado desta Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, reconhecido internacionalmente por suas pesquisas com materiais construtivos regionais e projetos de arquitetura tropical — muitos desses premiados.
Mestre Monte, como era carinhosamente tratado por todos, foi professor da maioria dos docentes da FAU e frequentemente, mesmo idoso e com limitações físicas, proferia palestras que lotavam o auditório Daniel Campbell, congraçando-se, sempre em bom humor, com os jovens aprendizes da profissão.
Seu nome tramita — desde o 1º semestre de 2008, com a FAU ainda sob a direção do professor Ronaldo Marques de Carvalho — em processo que o titularia, em vida, como Doctor Honoris Causa; uma gratidão institucional diante da significância de seu trabalho profissional e acadêmico.
Milton Monte, que nos deixou na glória dos seus 84 anos, está sendo velado no Recanto da Saudade, à rua Diogo Móia nº1264, esquina com a avenida Alcindo Cacela; o sepultamento será hoje à tarde, às 15h.

Clube Interpass do Brasil, uma das diversas obras pensadas por Milton Monte construída na ilha do Mosqueiro — Belém-PA; fotografia retirada da galeria do jornal O Estado de São Paulo (O Estadão).

Saiba mais sobre o Mestre, pesquisando no Blog da FAU.

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Dia 31 é a data de entrega do Orçamento ao Congresso Nacional; e a greve dos professores, continuará?

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Envie e-mail à presidenta; uma proposição do CNG da ANDES


Imagem-link ao PDF em que o BF não conseguiu fazer a operação de “copiar e colar”.

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Agência Brasil veicula o fim da greve dos funcionários das IFES

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MVRDV: The Cloud


Imagem-link.

Para os críticos, o projeto do grupo holandês MVRDV (Winy Maas, Jacob van Rijs and Nathalie de Vries), assemelha-se, em sinônimo de “mau gosto”, às Torres Gêmeas (Word Trade Center) envoltas em chamas ou in cloud of smoke:

Winy Maas, Jacob van Rijs, Nathalie de Vries – © Allard van der Hoek

 

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Avalie o seu bairro pelos 12 critérios do livro New City Life


Fonte da imagem-link: CIDADES PARA PESSOAS.

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Receita de Mulher; por Vinicius de Moraes


As muito feias que me perdoem
Mas beleza é fundamental. É preciso
Que haja qualquer coisa de flor em tudo isso
Qualquer coisa de dança, qualquer coisa de haute couture
Em tudo isso (ou então
Que a mulher se socialize elegantemente em azul, como na República Popular Chinesa).
Não há meio-termo possível. É preciso
Que tudo isso seja belo. É preciso que súbito
Tenha-se a impressão de ver uma garça apenas pousada e que um rosto
Adquira de vez em quando essa cor só encontrável no terceiro minuto da aurora.
É preciso que tudo isso seja sem ser, mas que se reflita e desabroche
No olhar dos homens. É preciso, é absolutamente preciso
Que seja tudo belo e inesperado. É preciso que umas pálpebras cerradas
Lembrem um verso de Éluard e que se acaricie nuns braços
Alguma coisa além da carne: que se os toque
Como o âmbar de uma tarde. Ah, deixai-me dizer-vos
Que é preciso que a mulher que ali está como a corola ante o pássaro
Seja bela ou tenha pelo menos um rosto que lembre um templo e
Seja leve como um resto de nuvem: mas que seja uma nuvem
Com olhos e nádegas. Nádegas é importantíssimo. Olhos, então
Nem se fala, que olhem com certa maldade inocente. Uma boca
Fresca (nunca úmida!) é também de extrema pertinência.
É preciso que as extremidades sejam magras; que uns ossos
Despontem, sobretudo a rótula no cruzar as pernas, e as pontas pélvicas
No enlaçar de uma cintura semovente.
Gravíssimo é porém o problema das saboneteiras: uma mulher sem saboneteiras
É como um rio sem pontes. Indispensável
Que haja uma hipótese de barriguinha, e em seguida
A mulher se alteia em cálice, e que seus seios
Sejam uma expressão greco-romana, mais que gótica ou barroca
E possam iluminar o escuro com uma capacidade mínima de cinco velas.
Sobremodo pertinaz é estarem a caveira e a coluna vertebal
Levemente à mostra; e que exista um grande latifúndio dorsal!
Os membros que terminem como hastes, mas bem haja um certo volume de coxas
E que elas sejam lisas, lisas como a pétala e cobertas de suavíssima penugem
No entanto sensível à carícia em sentido contrário.
É aconselhável na axila uma doce relva com aroma próprio
Apenas sensível (um mínimo de produtos farmacêuticos!)
Preferíveis sem dúvida os pescoços longos
De forma que a cabeça dê por vezes a impressão
De nada ter a ver com o corpo, e a mulher não lembre
Flores sem mistério. Pés e mãos devem conter elementos góticos
Discretos. A pele deve ser fresca nas mãos, nos braços, no dorso e na face
Mas que as concavidades e reentrâncias tenham uma temperatura nunca inferior
A 37º centígrados, podendo eventualmente provocar queimaduras
Do primeiro grau. Os olhos, que sejam de preferência grandes
E de rotação pelo menos tão lenta quanto a da terra; e
Que se coloquem sempre para lá de um invisível muro de paixão
Que é preciso ultrapassar. Que a mulher seja em princípio alta
Ou, caso baixa, que tenha a atitude mental dos altos píncaros.
Ah, que a mulher dê sempre a impressão de que se se fechar os olhos
Ao abri-los ela não mais estará presente
Com seu sorriso e suas tramas. Que ela surja, não venha; parta, não vá
E que possua uma certa capacidade de emudecer subitamente e nos fazer beber
O fel da dúvida. Oh, sobretudo
Que ela não perca nunca, não importa em que mundo
Não importa em que circunstâncias, a sua infinita volubilidade
De pássaro; e que acariciada no fundo de si mesma
Transforme-se em fera sem perder sua graça de ave; e que exale sempre
O impossível perfume; e destile sempre
O embriagante mel; e cante sempre o inaudível canto
Da sua combustão; e não deixe de ser nunca a eterna dançarina
Do efêmero; e em sua incalculável imperfeição
Constitua a coisa mais bela e mais perfeita de toda a criação inumerável.


FAU

Foto de Vanessa Watrin, a bela diretora da FAU: Fernando Martins.

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Reabertas as inscrições às eleições do CONSELHO NACIONAL DE POLÍTICA CULTURAL


Imagem-link ao Portal da Cultura.

Material enviado pela professora Rose Norat.

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Às mulheres de comando; por Haroldo Baleixe

AS MULHERES E A ADMINISTRAÇÃO foi uma postagem proposital: catei na Internet um artigo light escrito por mulher jovem e vistosa; uma relação direta com a mudança na identidade diretiva da Faculdade, pois saem “pernas de calça” e entram “rabos de saia” — no sentido figurativo, claro.
Se ao gênero masculino é dado o direito à intuição, todas as vezes que exercitei liderança, o usei: as mulheres me acompanharam; salvo uma vez, que abracei um marmanjo.
Coordenar a aplicação de vestibular ou concurso público é, no mínimo, ato de guerra; a logística deve estar azeitada, perfeita; disciplina e pontualidade — as únicas razões do meu ódio pela domesticada humanidade — são imprescindíveis.
Arregimentava para o “comando” as colegas Ana Luiza Coutinho e Madalena Coimbra, experientes professoras e administradoras na UFPA; sábias capitãs com diferença comportamental entre o arrebatamento e a discrição, uma complementação à estereofonia necessária aos meus ouvidos.
O dinheiro era simbólico — fazia-se isso muito mais por cooperação com a professora Célia Brito —, portanto eu sempre as liberava das reuniões de coordenação, às sextas, mas as pegava para dar uma olhada nas escolas que assumiríamos desde os sábados anteriores aos certames.
Vivi com essas duas mulheres, por várias vezes, um prazer inenarrável: a anarquia original: jamais a elas dei uma ordem e, em contra partida, nunca delas recebi um problema que não estivesse resolvido; sabia deles quando montávamos, ao final da missão, o detalhado relatório.
Uma vez, por motivo compulsório, levei o professor Raimundo Leite — em substituição à professora Madalena que havia se aposentado e saído do sistema (voltaria depois) — junto com a professora Ana Luiza para um “sabadão do DAVES” em uma escola que havia sido destelhada na sexta-feira por um vendaval; sendo o concurso, inadiável e imexível, no domingo  — algumas horas mais tarde.
O estabelecimento estava em petição de miséria, o volume d’água escorria pelas escadarias, um caos mais que redondo.
O estado de pânico só seria atenuado com a percepção de confiança na administração da escola e, principalmente, pela garantia dada pelos humildes funcionários: “A gente só sai daqui quando acabar, nem que seja de manhã!”; um deles chamava-se João, estava pregando ripas nos caibros para retelhar algumas salas de aula no pavimento superior; um faz-tudo sessentão, de bermudas, sem camisa e botas Sete Léguas — homem honrado, de certeza.
Pálido me vem o carateca Raimundão apavorado com o que viu no setor que ele cuidaria: “Não tem luz lá em cima! É impossível passar prova aqui amanhã!”.
Um “Calma Leite, calma!” veio da Ana Luiza para recorar o Raimundo com ”A chave geral foi desligada, para evitar curto, um hábito deles.”; ela percebera que não havia eletricidade no local, sendo a primeira providência de conserto que tomara junto à diretora.
Nosso trabalho ali era de “sintonia fina”, a infraestrutura fazia parte da relação estabelecida entre a Universidade e o Estado — essas escolas lucravam muito pouco: o ordinário material de limpeza que levávamos e o pagamento dos envolvidos de acordo com as definidas funções.
O Raimundo não agiu mal, só deixou fluir o instinto masculino de crer no poder absoluto do machado, que separa as partes para que suas anatomias fiquem expostas — hoje um ímpeto comum de dois gêneros, segundo MATSUNAGA.
É óbvio que a preocupação do Leite logo se transformou em objeto de redobrável inquietação da trinca: uma espécie de “alerta de comando”.
Mas…que me perdoe o bro Raimundão: de neurótico, já me basto; prefiro as meninas, com quem nunca falo de trabalho, mesmo na manicure.

Esse texto é em homenagem às colegas Vanessa Watrin e Elcione Lobato que estão iniciando o comando da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo do Instituto de Tecnologia da Universidade Federal do Pará; a elas os mais sinceros votos ao desenvolvimento de um trabalho salutar e inovador em suas funções de diretora e vice da FAU.

Beijos às duas.

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Postscriptvm (27/ago/2012):
O termo “mesmo na manicure” não pretende estabelecer nenhuma relação irônica com o gênero feminino, até porque os homens de boa higiêne “fazem” as unhas.
É tão somente uma figuração de “lugar de fofoca” e fofoca, apesar de palavra substantiva feminina, é do gênero humano.

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Professora Roberta Menezes no JL 1ª edição de ontem

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As mulheres e a administração; por Nicéia Wünsch*

Com toda a evolução da humanidade e das relações humanas e comerciais, as mulheres tiveram que ir batalhar uma vaga no mercado de trabalho para poder ajudar no sustento da família. E a cada dia que passa é mais importante a presença delas dentro das empresas e na ajuda da receita familiar.
Segundo Peter Druck, “houve duas mudanças revolucionárias na força de trabalho dos países desenvolvidos: a explosão da educação avançada e a investida das mulheres na carreira fora de casa. Ambas são fatos consumados. A passagem do centro da gravidade da população dos trabalhadores braçais para os trabalhadores do conhecimento e serviço é irrevogável, assim como o envelhecimento tanto da força de trabalho como da população”.
Desde os primórdios sabe-se que a mulher era responsável pela educação dos filhos, a organização do lar, o plantio de verduras e legumes ao redor de suas casas e o homem responsável pela caça. Neste ínterim, as mulheres acabaram desenvolvendo a habilidade de pensar de forma mais ampla e ter flexibilidade para atender a todas as tarefas que dela eram exigidas.
Com essa flexibilidade, sua criatividade, feeling, maturidade psicológica e sua aptidão em reinventar-se todos os dias ela ganhou espaço neste mercado que já foi muito machista e dominado por poucos.
Na nossa sociedade contemporânea vivemos a era da tecnologia de informação, que está mudando a forma de trabalho, bem como das atividades gerenciais, nos trazendo uma inteligência artificial com característica da humana: memória expandida, aprendizado, raciocínio lógico e solução de problemas complexos. Com isso se diminui a distancia entre o gerenciamento do homem, que é mais força física, lógica e controle, e da mulher, que é delicadeza, fragilidade, intuição, flexibilidade.
A mulher sabe cooperar melhor que o homem e vem a cada dia mostrando seu potencial para definir as coisas, achando um meio termo entre o que considera o certo e o errado e acima de tudo vem tirando de letra essas funções de liderança.
Não quero aqui, de forma alguma, desprezar a força masculina, pois considero muito importante a aptidão que lhes é peculiar, que é o foco no negócio, tão essencial para os negócios como outras características citadas acima. O que pretendo é demonstrar que a mulher tem superado os limites que a sociedade lhe impôs durante séculos e tem conseguido melhorar a cada dia sua performance e capacidade gerencial.
As características do gênero feminino alteram a cultura organizacional, os relacionamentos e a maneira de fazer o trabalho. Na sociedade a mulher tem um papel de mãe, protetora; na empresa, ela procura valorizar os membros como seres humano e indivíduos, com seus valores e necessidades individuais e não apenas como alguém que faz, carrega, empurra, transporta ou ocupa posição. Cultiva, no trabalho, o relacionamento.
As mulheres buscaram seu espaço pela sua autenticidade, viveram sua realidade, buscaram a auto-realização e se tornaram pessoas leais e sensíveis diante das atividades rotineiras.

(Baseado no artigo Mercado Formal de Trabalho e a Mulher Executiva de Denize Grzybovski, Roberta Boscarin e Ana Maria Bellani Moggotti)

*Nicéia Wünsch é administradora (CRA/RS Nº27.528).

Fonte: Administradores.com.

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A cidade e a universidade; por José Luiz Portella Pereira*

A universidade no Brasil está distante dos problemas cotidianos mais relevantes das cidades. Não importa de quem é a culpa; melhor resolver o problema.
Duas iniciativas surgem nessa direção. Nos dias 23, 24 e 25 de agosto, será realizada a 1ª Feira de Inovação e Empreendedorismo, a USPiTec. Vai divulgar pesquisas nas áreas de química, física, ciência e tecnologia aplicadas aos benefícios para a sociedade. E o projeto USPocupa, composto por sete faculdades, realizará um concurso virtual para eleger as 12 melhores ideias uspianas para transformar a cidade.
A USPiTec não tem foco nos problemas da cidade. Destaca em sua divulgação exemplos de pesquisas como tratamento inovador para micoses, o “nariz eletrônico”, capaz de determinar qualidades de madeira, impedindo que se transporte espécie proibida de exploração, como o mogno, que muitas vezes passa por cedro diante de uma fiscalização leiga.
Nada a opor. Contudo, eles mostram que as pesquisas que serão exibidas têm mais a ver com questões específicas levantadas pelos pesquisadores do que a preocupação em criar um eixo com a cidade.
É um passo a unir saber acadêmico e sociedade. Cabe dar outro na direção da identidade com São Paulo. Vale para cada universidade e sua cidade de origem.
O USPocupa ainda está enfrentando problemas técnicos com  o site. Porém, é “direto na veia” do que precisamos. Como ideia. Restaria transformar em projetos reais.
Creio que só projetos objetivos, vinculados ao dia a dia, como o problema com as calçadas, que vitimam cerca de 100 mil pessoas/ano, enchentes como as do Jardim Pantanal, questões ligadas à mobilidade, em especial ao trânsito, criariam uma ligação direta e imediata. Porque a população sentiria mais rapidamente que a universidade pode produzir saber concreto para resolver as dificuldades que enfrenta na pele todo dia.
Um centro de pesquisas e inovações ao lado da USP, composto por alunos que estejam nos dois últimos anos de seus cursos e de recém-formados com vocação para a pesquisa seria o ideal. Consolidaria o vínculo universidade-cidade.
Esse centro teria participação de empresas que produzem ou se utilizam de tecnologia nessas áreas. E também do poder público, sem que este seja o controlador. O centro deve ter independência gerencial.
Há projetos práticos que aparecem nas universidades por iniciativa de alunos e professores que não chegam ao poder público ou são por ele desprezados, exatamente por falta dessa tradição e da inexistência de um órgão não governamental que concretize essa ponte.
É um desperdício de inteligência. E de gente que se formou em faculdades públicas e deseja retribuir com ideias e projetos. Tudo isso se esvai, por conta da desconexão.
Universidade, empresas, poder público e organizações sociais precisam ter projeto conjunto, permanente e organizado para transformarem a cidade. Já passou da hora.
Temos competências, ilhas de excelência em todos esses setores, mas não há um sistema para resolver problemas que nos afetam. Alguns mais simples do que pensamos.
Ficar esperando que o poder público resolva tudo ou tome todas as iniciativas é abraçar a frustração.
A melhor coisa que os estudantes fariam nessas eleições seria induzir um processo de ligação entre a universidade e a cidade. O poder público iria respeitá-lo imediatamente.

*José Luiz Portella Pereira, 58, é engenheiro civil especializado em gerenciamento de projetos, orçamento público, transportes e tráfego. Foi secretário-executivo dos Ministérios do Esporte e dos Transportes, secretário estadual dos Transportes Metropolitanos e de Serviços e Obras da Prefeitura de São Paulo e presidente da Fundação de Assistência ao Estudante. Formulou e implantou o Programa Alfabetização Solidária e implantou o 1º Programa Universidade Solidária. Escreve às quintas-feiras. Faz comentários no “RedeTVNews” e na rádio CBN.

Fonte: Folha de São Paulo COLUNISTAS (16/08/2012).

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FAU sob nova direção (2)


Fonte: Página nº158 do Diário Oficial da União de 15 de agosto de 2012.
Reveja FAU sob nova direção (1).

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Nas universidades, os anos 1970 acabaram; por Cláudia Tessari*

É inacreditável que a Folha publique um artigo tão desrespeitoso como o do professor Rogério Cerqueira Leite, aqui na seção Tendências/Debates (“A greve universitária e o princípio do prazer“), publicado no último dia 16.
Ele comparava os docentes das universidades federais em greve com crianças com dificuldades para transitar para a maturidade.
Há muitas questões em jogo na greve dos docentes das universidades federais, uma delas tem particular importância: a atratividade da carreira docente.
É por esse ângulo que devemos analisar as questões salarial e de plano de carreira. Essas podem até parecer lutas corporativas para quem tem visão estreita e se nega a reconhecer as evidências. Porém, carreira e salários atraentes são extremamente significativos para a atração de quadros qualificados. Sem esses, não se estrutura o sistema universitário de que o país necessita.
Atualmente, numa série de áreas, não há nem sequer candidatos inscritos para os concursos para professores nas universidades, pois os salários no mercado privado são muito maiores.
Eu, por exemplo, chego a assinar autorizações para realização de estágio para alunos que mal saíram do ensino médio e cujas bolsas são 30% do valor do meu salário após eu ter feito graduação, mestrado e doutorado.
O professor emérito da Unicamp e atualmente membro do conselho editorial da Folha, quando voltou para o Brasil no início dos anos 1970 a convite do fundador da Unicamp, professor Zeferino Vaz, trocou “o Bell Labs, nos Estados Unidos, até então o laboratório de pesquisa mais importante do mundo, pelo desafio de ajudar na formação da massa crítica que imprimiria à Unicamp a marca de universidade voltada para a pesquisa”, segundo uma entrevista publicada recentemente no site www.univesp.ensinosuperior.sp.gov.br.
Qual era o poder de compra do salário do professor da Unicamp naquela época, comparado com o poder de compra do pesquisador do Bell Labs? E hoje?
Qual relação encontraríamos atualmente se comparássemos o salário de um pesquisador do centro de pesquisa do Google ou do Facebook nos Estados Unidos com o salário de um professor de uma universidade federal? Quais as perspectivas de carreira que se colocavam à geração do professor?
Certamente o professor irá dizer que não voltou ao Brasil para participar da formação da Unicamp por causa do salário. Sabe-se que a Unicamp foi fundada para ser uma universidade de excelência e que este projeto ousado e corajoso atraiu não só o professor mas também muitos outros pesquisadores de alto nível.
E hoje, podem as universidades federais oferecer condições de trabalho que assegurem o ensino, a pesquisa e a extensão de qualidade com salários aviltantes e plano de carreira desestruturado?
Chega a ser desleal alguém tratar com tanto desrespeito profissionais da mesma carreira mas que, hoje, têm condições de trabalho muito piores do que as que ele teve no seu início de carreira.

*Cláudia Tessari, 38, doutora em economia pela Unicamp, é professora e coordenadora do curso de economia da Universidade Federal de São Paulo.

Fonte: Folha de São Paulo OPINIÃO (20/08/2012).

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O início do fim

FAU

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Divulgação


Material enviado pelo professor Juliano Ximenes.

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Infância: apego versus autonomia; por Ivana Freitas*

Aprender a interagir com outras pessoas é um dos aspectos mais importantes do desenvolvimento na infância. Desde cedo as relações mais importantes para as crianças são as estabelecidas com os pais ou outras pessoas que cuidam delas, como avós ou babás. Sinais de apego, ou vínculo emocional, já são evidentes aos seis meses de idade ou mesmo antes disso. O bebê reage com sorrisos e ruídos quando vê a pessoa que cuida dele, e com choro quando essa pessoa vai embora. Para bebês de cinco meses de idade, quando as mães saem do quarto ainda vale a regra que “o que os olhos não vêem, o coração não sente”, mas para os bebês de nove meses a memória da mãe permanece e assim, comunicam a pleno pulmões que a querem de volta!
Bebês e crianças aprendem (ou não), que podem contar com a presença da mãe e de outras pessoas que cuidam deles sempre que precisarem, eles podem aprender a se sentir seguros mesmo na ausência da mãe. O psicólogo Erik Erikson denominou esse comportamento de confiança básica no mundo, e especialmente nas pessoas que fazem parte desse mundo. Se, de uma maneira geral, as necessidades das crianças são atendidas, elas desenvolvem a confiança nas outras pessoas e em si mesmas, vêem o mundo como um lugar seguro e com pessoas com quem podem contar, e são otimistas com relação ao futuro. Se, ao contrário, as crianças cujas necessidades básicas nem sempre são satisfeitas, ou que são cuidadas por pessoas insensíveis ou ausentes, crescem sentindo medo e muita ansiedade com relação à sua própria segurança, e o mundo se torna uma ameaça. Essa visão é apoiada por pesquisas segundo as quais crianças que crescem em famílias equilibradas, amorosas e acolhedoras geralmente constroem vínculos mais fortes com seus pais e irmãos do que as crianças criadas em famílias repletas de conflitos, rivalidades e desatenção uns com os outros (Frosch, Mangelsdorf e McHale, 2000).
A confiança que a criança adquire é aprendida, e quando isso ocorre, elas não se sentem tão ansiosas ou preocupadas com a disponibilidade da pessoa que cuida dela, da mãe ou outro cuidador. São crianças que estão confortáveis no mundo para descobri-lo, no início um pouco inseguras talvez, depois com mais coragem, elas se afastam da pessoa cuidadora para se aventurar no conhecimento do mundo e de outras pessoas que a cercam. Essa é uma observação que indica o desenvolvimento da autonomia da criança, ou de seu senso de independência.
Autonomia e apego podem parecer conceitos opostos, mas na verdade estão intimamente relacionados. A criança que construiu um apego seguro com as pessoas que cuidam dela são capazes de explorar o ambiente que as cerca sem medo. Essa criança sabe que quem cuida dela estará por perto quando ela realmente precisar e assim essa pessoa funciona como um “porto seguro” a partir da qual ela pode navegar e voltar quando quiser.
Ao contrário, crianças fragilmente apegadas à mãe ou outra pessoa cuidadora, tem menos segurança e confiança para explorar o ambiente ao redor, mesmo quando a mãe está presente. Se deixadas em um lugar estranho, como creche ou escola, a maioria das crianças pequenas choram e se recusam a serem consoladas, mas uma criança inseguramente apegada tende a continuar chorando mesmo depois que a mãe retorna, com raiva ou ignorando a mãe. Em contrapartida, crianças seguramente apegadas tem maior probabilidade de correr para a mãe para ganhar um abraço e ouvir algumas palavras de confiança e depois voltar a brincar (Ainworth, Blehar, Waters e Wall, 1978).
A importância de um apego seguro desde o início da vida torna-se evidente muitos anos depois. Essas crianças passam a se ver como pessoas adoráveis e competentes e vêem os outros como pessoas confiáveis e com quem podem contar.
Estudos realizados com crianças de um a seis anos de idade mostraram que aquelas que possuem um apego seguro com suas mães até a idade de dois anos, tendiam a ficar mais à vontade com outras crianças, mais interessadas em explorar novos brinquedos e são mais entusiasmadas e persistentes diante de novas tarefas. Esse modelo de funcionamento interno vai influenciar positivamente o comportamento da criança e do futuro adolescente diante da maioria dos desafios da vida que enfrentarão à medida que crescerem.
Uma sugestão de leitura: Revista Piauí (agosto): Surto Tarja Preta. Tema polêmico, assunto do próximo domingo.

*Ivana Freitas, psicóloga clínica com abordagem psicodinâmica em EMDR, pós-graduada em orientação de casal e familiar; e-mail: ivana.psicologia@gmail.com.
Ivana Barbosa Freitas é professora do INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DO PARÁ — IFPA.

Fonte: Seção Cabeça.

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O texto acima parece, de algum modo, complementar o raciocínio do professor  Rogério Cezar de Cerqueira Leite (publicação anterior); contudo, mostra os “cuidadores” como entes responsáveis e coerentes; talvez o que se esperasse de um governo capaz de enxergar a EDUCAÇÃO como um IVESTIMENTO, jamais como CUSTO à sociedade.
O corte no salário dos professores demonstrará ao alunado das IFES que “seus mestres são tão insignificantes quanto a mosca que pousou no cocô do cavalo do bandido”, segundo comentário de Manoel Ramalho Neto, aqui no BF.

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A greve universitária e o princípio do prazer; Rogério Cezar de Cerqueira Leite*

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Ao deixar de suprimir o salário de professor grevista,
o governo age como um pai relapso que não dá limites ao filho,
que com “birra” seguirá testando limites
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Freud, entre as inúmeras contribuições que constituiriam a teoria psicanalítica, propôs este revelador fenômeno que consiste na transição sofrida pela criança: a passagem do princípio do prazer para o princípio da realidade.
Durante aquela fase inicial, a criança vê o seu mundo como um aparelho cuja única função é satisfazer seus desejos. Não há limites. O agente, o instrumento desse domínio, é a mãe.
O início da transição para atuação sob o princípio da realidade – ou seja, para a maturidade – ocorre quando limites começam a ser impostos aos desejos da criança.
Este papel é responsabilidade principalmente do pai, pois a mãe, acostumada a satisfazer os desejos da criança, é menos capaz de impor limites a ela.
Portanto, para que a criança amadureça e se torne um cidadão saudável, é absolutamente necessário que o pai exerça a sua obrigação.
É claro que é desejável que a transição entre os princípios do prazer e da realidade se faça suavemente, tornando a passagem tolerável. Eis porque a intermediação pela mãe é desejável.
A proposta do executivo federal para o ensino superior é não apenas generosa. Ela é também extremamente inteligente, pois concilia os valores acadêmicos com os interesses individuais.
Oferece salários competitivos, equivalentes, talvez até superiores, àqueles típicos de universidades europeias. Estimula o aumento da competência acadêmica ao privilegiar o tempo integral e a titulação. Além do mais, como também acontece com as universidades do mundo desenvolvido, salários de professores ainda podem ser complementados pelo CNPq com relativa facilidade para aqueles que realizam pesquisas com alguma seriedade.
Olhando, por outro lado, o estímulo representado pelo aumento, que seria de 25% a 40% (que, descontando uma inflação prevista de 15% para os próximos três anos, resultaria aumento de 25% para fins de carreira, 15% para posições intermediárias e 10% para iniciantes), não deixa de ser elogiável o esforço.
Embora Freud não tivesse se preocupado, em sua análise dos princípios do prazer e da realidade, com excessos de comportamento da criança, é hoje consenso que ela procurará, para encontrar seus próprios limites de atuação, infringir regras, abusar de seus direitos. Para isso, desafia os progenitores. Se eles não exercem as suas obrigações, o caos advém.
E agora, tomando como paradigma a descoberta do saudoso Stephen J. Gould de que “a filogenia imita a ontogenia”, assumindo que a evolução do comportamento social imita a da psicológica, podemos concluir que a comunidade acadêmica ainda opera de acordo com o princípio do prazer.
O amortizador natural para excessos grevistas é a supressão de salários. Sem este dispositivo, a greve perde sua legitimidade e grevistas se destituem de autoestima, como crianças de pais ausentes, alienados.
A greve deixa de ser um ato respeitável, por vezes heroico, para se tornar um acontecimento prosaico. Pretender, todavia, que reitores, promanados que são do corporativismo interno das universidades, venham a exercer sua inequívoca responsabilidade seria de grande ingenuidade, embora não haja dúvidas de que grevistas estão apenas testando seus limites, como as crianças que fazem “birra”.
Como propõe a moderna pedagogia, palmadas não são adequadas. O único aliado que tem o Executivo é, portanto, a consciência do cidadão, que percebe o mal que está fazendo para a sociedade e para si mesmo com o próprio comportamento insólito e injustificável.

*Rogério Cezar de Cerqueira Leite, 80, físico, é professor emérito da Unicamp, pesquisador emérito do CNPq e membro do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia e do Conselho Editorial da Folha.
Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo. debates@uol.com.br.

Fonte: Folha de São Paulo OPINIÃO (16/08/2012).

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A OPINIÃO do professor Rogério Cezar de Cerqueira Leite não reflete o que pensam os editores do BF; é tão somente a abertura de um espaço à discussão do possível corte no salário dos professores das Universidades Públicas Federais.
A pancada é forte; mas, bem menos humilhante que a volta às aulas com o dito “rabinho entre as pernas” diante de atitude constrangedora em prol do xeque-mate do maquiavelismo estatal.
UNIVERSIDADES EM GREVE deveriam ser uma AULA MAGNA à discussão da SOCIEDADE BRASILEIRA, pois são elas, as UNIVERSIDADES, os únicos espaços com configuração libertária, relativamente suficiente, à insenção diante dos interesses do Capital mal intencionado — se é que há um Bom Samaritano nesse “conflito educacional”.
A BIRRA apontada pelo octagenário físico pode ser tão real quanto a BIRRA de seu neto, que, certamente, o fez mudar de comportamento, em algum momento de sua vida; esta sim, uma OPINIÃO básica de contraponto do Blog.

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