“feliz é o homem que tem uma camisa pintada…”

FOLHA – 03/04/2011 – ILUSTRÍSSIMA

ARQUIVO ABERTO
MEMÓRIAS QUE VIRAM HISTÓRIAS

Encontro com Guimarães Rosa

Rio, 1966

WILLI BOLLE

O CÉU ERA COR-DE-ROSA na madrugada de 23 de agosto de 1966, quando o meu navio, vindo de Hamburgo, entrou na baía de Guanabara, depois de 20 dias de travessia do Atlântico. Antes de continuar, à noite, a viagem para Santos, onde me esperaria no dia seguinte o professor Antonio Soares Amora, da USP, ficamos um dia no Rio de Janeiro.
O professor tinha dado no primeiro semestre daquele ano na Freie Universität de Berlim um curso sobre “Grande Sertão: Veredas”. O romance me fascinou de tal maneira que decidi conhecer pessoalmente o país onde se passa a história do jagunço Riobaldo e de Diadorim, além de preparar sobre o livro uma tese de doutorado – embora estivesse apenas no meio do terceiro ano do curso de letras e história.
Do Rio telefonei para o professor Amora, que me aconselhou: “Willi, aproveita para conversar com o seu autor. Ele trabalha a poucas quadras de onde você está, no Itamaraty”. Dito e feito. Fui para lá, me apresentei na portaria e pedi para falar com “o meu autor”.
“Onde está a camisa?” pe rguntou-me Guimarães Rosa, depois de ter me recebido de modo muito afável e de me oferecer um café. “A camisa ficou no navio, pois eu não sabia que iria encontrar o senhor.”
Essa camisa tinha sido feita à mão em Berlim pela minha namorada. Era a reprodução da capa do “Grande Sertão”, desenhada por Poty: num fundo preto e meio encobertos por ramos de buriti, a figura de Riobaldo e o rosto de Diadorim. No bolso, o desenho do diabinho com a vela acesa, que aparece na orelha da capa, e nos botões, pintado com capricho, o signo do infinito.
Vesti essa camisa pouco antes de partir, quando encontrei em Berlim o cônsul do Brasil; ele deve ter contado isso a Guimarães Rosa, que não chegou a ver a camisa, pois morreu pouco mais de um ano depois, em 1967. Entreguei então a camisa para a mulher dele, dona Aracy.
Nos anos subsequentes a esse encontro com o autor de “Grande Sertão: Veredas”, me dei conta de que não tinha nem teoria literária, nem experiênc ia de vida suficientes para enfrentar uma tese sobre esse romance.
Com a ingenuidade dos meus 22 anos, pratiquei como que um ritual: forrei as paredes do meu quarto com as cerca de 500 páginas do romance e passei a viver dentro dele. Retomei esse método de mergulhar no “Grande Sertão” anos depois, em 1999/2000, na Universidade Stanford, onde elaborei o primeiro esboço do meu livro “grandesertão.br – O Romance de Formação do Brasil”.
A metáfora tecnológica do título é uma referência ao sertão da linguagem, à “língua in opere, fabulosamente em movimento, toda possibilidades, sempre em estado nascente”, que Guimarães Rosa compara a “um painel de mesa telefônica, para os engates ad libitum”.
Com sua composição fragmentária, o romance pode ser lido como uma espécie de website dos discursos sobre o Brasil, na medida em que desconstrói e constrói a história do país, em diálogo com os principais ensaios de interpretação da nossa cultura: desde “Os Sertões”, de Euclides da Cunha, até os estudos de Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Holanda, Caio Prado Jr. e Antonio Candido.
Além disso, há no romance ensinamentos sobre a “formação da alma”, sobre amor, medo e coragem, e sobre a paixão como medium-de-reflexão.
A síntese de tudo isso talvez esteja na dedicatória que Guimarães Rosa fez no livro que me deu de presente naquela tarde de 1966: “Feliz é o homem que tem uma camisa pintada…”.

Enviado por Stella Pessôa.

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Serviço: velocímetro de Internet

No final da coluna direita do Blog instalamos um velocímetro de Internet, na realidade um link à http://www.minhaconexao.com.br/.
É um serviço útil para sabermos por quantas anda nossa conexão à WEB.
De todos os similares que encontramos este é o único que gera um relatório a partir do IP do computador, o que pode servir como comprovação às reclamações na ANATEL, além do controle rotineiro dos nossos provedores.
O teste pode ser feito aqui mesmo nesta postagem, basta clicar na imagem-link ou no link.

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Alexandre Wollner

Material sugerido pela professora Cybelle Miranda em comentário.
Há vários extras dessa entrevista no Youtube.

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Ano 47, por Jaime Bibas

O professor Jaime de Oliveira Bibas (foto) resolveu o problema da marquinha que habitualmente inserimos na parte superior direita do cabeçalho do Blog da FAU indicando o ano de existência do curso de Arquitetura na Universidade Federal do Pará.
Lembramos que o selo comemorativo do CINQUENTENÁRIO da FAU, por deliberação do Conselho da Faculdade, será motivo de concurso com premiação em 2014.
Jaime Bibas já integra a equipe de editoração do NOSSO blog, o que garantirá a melhoria da qualidade da apresentação e das postagens, haja vista sua experiência no Portal Belém do Pará como colunista e editor do Retrovisor e do Monumentos Urbanos daquele site.

A proposição de Bibas, já aposta ao cabeçalho do blog.

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O Blog da FAU superou a marca dos 6.000 em março

Relatório WordPress: ampliável.

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Lina Bo Bardi, documentário de 1993

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Entrevista com Willi Bolle, professor titular de Literatura da USP

Por convite da engenheira civil Maria Stella Faciola Pessôa*, escritora premiada e mestranda do NAEA — Núcleo de Altos Estudos Amazônicos —, registramos em vídeo a entrevista do professor Willi Bolle, alemão radicado no Brasil e estudioso da literatura paraense, em especial de Dalcídio Jurandir.
No bate-papo descontraído Willi discorre sobre literatura universal, brasileira e amazônica; demonstrando a necessidade do entendimento da obra do filósofo Benedito Nunes à percepção da pluralidade cultural presente em uma região que os brasileiros e até seus próprios habitantes conhecem pouco. 

*Colaboradora do Blog da FAU.

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Opera Prima 2011

Material enviado pela professora Ana Klaudia Perdigão.

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Biblioteca da FAU USP é WordPress.com

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Alexandria, por seu diretor

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Os preparativos para o VIII Colóquio Luso-Brasileiro

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O VIII Colóquio Luso-Brasileiro de História da Arte acontecerá entre os dias 04 e 07 de abril vindouro e será sucedido, na sexta-feita, dia 08/o4, pela II Reunião Internacional do Fórum Landi que terá como tema os “Desafios à História e Cultura da Amazônia”.
Para que tudo aconteça como o planejado, Biá Maneschy e Ana Léa Matos visitaram hoje o Centro de Convenções Benedito Nunes, o “Hangarzinho” da UFPA, para entender sua estrutura física e logistica.
Representando a Universidade da Amazônia — UNAMA —, estiveram presentes os artistas plásticos Melissa Barbery e Emanuel Franco que farão intervenções no local: Emanuel será responsável pelo “pano de fundo” do grande auditório e Melissa por um elemento visual externo que identifique o evento; a UNAMA também montará paineis em homenagem ao filósofo Benedito Nunes.
O visual raciocinado só será materializado no sábado e no domingo (dias 02 e 03 de abril), pois há atividades agendadas que impedem a antecipação desses trabalhos.
O auditório Daniel Campbell da FAU, bem como as salas 01 e 02 do Ateliê, estão reservados para os mini-cursos da programação: terça-feira, dia 05; quarta-feira, dia 06 e quinta-feira, dia 07 de abril, entre 17 e 21 horas (por segurança). 

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Filósofos, cronistas e críticos: seja feita a louvação.

No texto que respaldou a defesa oral da minha Tese (De São Braz ao Jardim Público 1887-1931: Um Ramal da Estrada de Ferro de Bragança em Belém do Pará), junto à PUC-SP  em 14 de junho de 2010, fiz uma pequena homenagem-agradecimento ao Dalcídio Jurandir e ao igualmente cronista e crítico Benedito Nunes:   

(…) O recorte temporal da pesquisa é de 44 anos e as entrevistas mereceram tratamento especial devido a sua abrangência de 25 anos sobre esse total. De igual importância como reflexão e referencia metodológica na utilização da História Oral foram os livros de Ecléa Bosi, Marina Maluf, Sônia Maria Freitas, Lucília Delgado, Walter Benjamin, Henri Bergson, Maurice Halbwachs, Paul Ricoeur e Paul Thompson, entre outros.
Quero destacar agora, dois paraenses de grande brilho intelectual que deram luz à pesquisa com suas contribuições excepcionais a respeito da vida dos moradores e do cotidiano da cidade através do romance, da crítica e da crônica. Ambos, Dalcídio Jurandir e Benedito Nunes interligados na Tese por “Belém do Grão-Pará” obra do primeiro, receberam da Academia Brasileira de Letras (ABL) o Prêmio Machado de Assis pelo conjunto de suas obras. Dalcídio já o havia recebido em 1972 e Benedito acaba de ser agraciado com o mesmo prêmio aos 81 anos de idade. Minha homenagem a estes dois “velhos” que conseguiram driblar as múltiplas maneiras de opressão da velhice pela sociedade capitalista; maneiras identificadas claramente por Marilena Chauí, na apresentação do livro Memória e sociedade, de Ecléa Bosi. (…)

Belém, 27 de março de 2011.

Professor Fabiano Homobono Paes de Andrade.

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Qual o dia do aniversário da FAU?

Foto: Ronaldo Carvalho.

Estamos chegando ao final do mês de março e a plaquinha no topo do Blog indica “ANO 46”, ou seja, a Arquitetura da UFPA não fechou seu 47º ciclo de existência.
O Laboratório de Memória e Patrimônio Cultural — LAMEMO —, responsável pelo levantamento histórico do Curso de Arquitetura, não possui essa resposta documental porque no EMENTÁRIOS DAS RESOLUÇÕES DOS CONSELHOS DELIBERATIVOS DA UFPA  há uma lacuna: o registro mais aproximado encontrado é a “RESOLUÇÃO n. 09, de 24 de março de 1964.” que “Abre crédito especial de três milhões e cem mil cruzeiros (Cr$ 3.100.000,00).” com “Nota de Conteúdo: O crédito especial a que se refere esta Resolução, destina-se às despesas de adaptação no prédio do Curso de Arquitetura.”.
Naqueles frequentes bate-papos de marquise, dois professores: Ronaldo Carvalho e Jaime Bibas, rememorando os tempos idos, em franca homenagem à  Mνημοσύνη (ou, Mnemosine); arriscaram: 31 de março, o dia da “gloriosa” — eufemismo de época ao tenebroso Golpe Militar de 1964.
Ronaldo foi além, buscou um objeto em acrílico produzido pelos Correios (foto), que guarda o cliché e a impressão do carimbo comemorativo dos 40 anos do curso; nele está escrito “17 a 30 de março de 2004”: ou traiu-se, ou 31 de março daquele ano caiu em um final de semana — a autoria do desenho é de Jaime Bibas, feito por solicitação da professora aposentada da FAU, Carmem Cal, que certamente conseguiu essa deferência da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos ao departamento que fora chefa nos anos 1990.
O Blog aguardará até o dia 30 próximo propostas de professores, alunos e funcionários para o selo comemorativo dos 47 anos da FAU.

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Exuberância X reflexão

Material enviado pela professora Ana Margarida Lins Leal de Camargo.

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Um presente ao Blog da FAU

Célia Coelho Bassalo, ex-diretora do antigo Centro de Letras e Artes da UFPA, hoje aposentada, deu sinal verde ao Blog da FAU à postagem  de O “ART NOUVEAU” EM BELÉM (arquivo em pdf com 9,14MB).
A raridade, de 1984, tem projeto gráfico de Age de Carvalho e arte-final de Juarez Forte; fotos de Patrick Pardini e apresentação de Donato Mello Júnior.
Entre as décadas de 1980 e 1990 o livro foi referência nos antiquários de Belém e do Brasil; aliás, há uma menção a Elias Ohana: “vaticinador” da pesquisa originalmente apresentada, em 1982, à Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência.
A digitalização do material, feita por Ruth Campos, nos foi ofertada por Maria Stella Faciola Pessôa Guimarães, bisneta do intendente Antonio Faciola: um dos colecionadores de obras de arte do período áureo da borracha no Pará mostradas no livro, falecido em 1936.
Em 2008 Célia Bassalo lançou em Brasília ART NOUVEAU EM BELÉM; produção nova, bilíngue, de mesma temática: Bélle Èpoque; editada pelo IPHAN, como Roteiros do Patrimônio pelo Programa Monumenta do Ministério da Cultura (MinC):


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Cine Olympia exibe “Cildo”


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 “Um dos artistas plásticos brasileiros contemporâneos mais importantes, Cildo Meireles é o tema e o personagem em questão em Cildo. Dirigido por Gustavo Rosa de Moura, o filme é muito mais do que um documentário biográfico, mergulhando na obra e no processo criativo do retratado.
O documentário revela Cildo como um artista conceitual para quem a arte vai muito além de um conceito. Suas obras devem ser vividas, experimentadas, tocadas. Suas instalações, como “Desvio para o vermelho”, “Glove Trotter” e “Babel”, convidam o público a interagir com elas, a senti-las, indo muito além da mera observação.
No filme, a proposta de Rosa de Moura é passar ao expectador o máximo possível da sensação de estar cara a cara com uma obra de Cildo. Obviamente, ver suas peças no cinema não substitui a experiência real, mas o documentário dá conta de mostrar como seria interagir diretamente com elas. Nessa proposta, a câmera de Alberto Bellezia serve como os olhos, mãos e ouvidos da plateia.
As imagens das obras – captadas em exposições, inclusive numa retrospectiva do artista na Tate Modern, em Londres, que aconteceu entre 2008 e 2009 – são entrecortadas por articulados depoimentos de Cildo. Lembranças da infância, comentários sobre a solidão e astronautas podem ser algumas dicas para mergulhar na arte dele. No entanto, para Cildo, a arte é algo livre, distante de interpretações complexas ou filosóficas, é algo a ser sentido, descoberto sem qualquer amarra que induza a conclusões.
Fiel a essa postura, o filme não traz entrevistas com críticos, historiadores ou acadêmicos, dando liberdade para o público descobrir e interpretar a arte de Cildo, que começou a se destacar no final da década de 1960. O documentário foi feito ao longo de quatro anos, acompanhando o artista enquanto concebia e executava projetos. Esse longo período permitiu a aproximação entre ele e o diretor, o que fica claro no conforto dos depoimentos do artista.
Um dos melhores momentos existe por conta de um curta do crítico de arte Wilson Coutinho sobre Cildo Meireles, feito no final dos anos de 1970. Tal qual a obra de Cildo, este pequeno filme trabalha com inserções ideológicas. Numa de suas cenas, uma imagem de John Wayne num faroeste é dublada em português e o caubói ‘fala’ sobre a arte do brasileiro. É engraçada, e, ao mesmo tempo, eficiente, ilustrando bem o conceito pregado pelo artista.” (Alysson Oliveira)

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Cildo Meireles, documentário

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Divulgação — bate-papo

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A futura página RESENHAS

O professor José Maria Coelho Bassalo (foto) sugeriu ao Blog da FAU a criação de uma página destinada às resenhas dos livros utilizados pelos professores em suas disciplinas.
A solução é simples: os docentes criam textos, de resumos a recensões, em formato pdf e os depositam no Google Docs ou em seus blogs pessoais e/ou de disciplinas; ao Blog da FAU caberá disponibilizar os links com os devidos títulos em RESENHAS DE LIVROS, concentrando as informações dispersas.
A ideia de Bassalo, exemplificada em seu Curso de Projeto, vem ao encontro do caráter extensioninsta que se empreende no Blog.

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Benamy Turkienicz: takes da Aula Magna no PPGAU-ITEC-UFPA

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Hoje, às 11 horas, no auditório Daniel Campbell do Ateliê, foi proferida a Aula Magna do Programa de Pós-graduação em Arquitetura e Urbanismo do Instituto de Tecnologia da Universidade Federal do Pará.
O professor Benamy Turkienicz da Universidade Federal do Rio Grande do Sul  — consultor ad hoc e coordenador da área de arquitetura, urbanismo e design da CAPES — foi quem ministrou a simbólica aula inaugural do PPGAU.
O Programa de Pós-graduação já procedeu dois ingressos por editais públicos: 2010 e 2011 e é o primeiro da Região Norte de país.
Atualmente as atividades dessa Pós estão concentradas no Atelie de Arquitetura e Urbanismo, contudo, com a devolução do Chalé de Ferro ao ITEC pelo NUMA — Núcleo de Meio Ambiente —, essa subunidade acadêmica mudará de endereço.

PS.: Houve um erro na edição dos vídeos, portanto, a grafia correta do sobrenome de Benamy é Turkienicz.

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