O texto Aviones com Historia Bellanca CH-200 “Perú”, escrito por Sergio de la Ponte, mostra-nos a completude da aventura de dois pilotos peruanos que pretenderam uma incursão pelas três Américas: do Sul, Central e do Norte; mas, só na volta tal intento daria certo.
A viagem iniciou em Lima, no Peru, em 11 de dezembro de 1928; entretanto, por uma série de inconvenientes, foi interrompida na praia do Chapéu-virado onde o monoplano passou 15 dias até o seu transporte da ilha do Mosqueiro ao porto de Belém por uma alvarenga (embarcação para carga e descarga de navios) depois embarcando no vapor Biboco com destino a Nova York.
La Ponte não esquadrinha o período em que o avião e os pilotos permaneceram em solo belenense; entretanto: o jornal Diário Carioca* (entre 17 de janeiro e 10 de fevereiro de 1929) pormenoriza o caso pela cobertura telegráfica da Agência Brasileira de Notícias — aqui apurado no trecho São Luiz do Maranhão/Belém do Pará.
O incidente de 1929 revela a inexistência de infraestrutura para pousos e decolagens em “… campo de aterrissagem maior de 160 metros…”; justa razão à escolha estadunidense e alemã por hidroplanos nos voos comerciais que cruzaram a selva amazônica na totalidade da década de 1930.
Veja fotos de época em Mário de Andrade no Mosqueiro: Chapéu-virado, 1927. para melhor entendimento da localização do aparelho.

O aeroplano Bellanca Peru, de fabricação estadunidense, na praia do Chapéu-virado (Mosqueiro) em janeiro de 1929.
Fonte da imagem: Aviones com Historia Bellanca CH-200 “Perú”.


Os pilotos peruanos capitão Carlos de Pinillos e tenente Carlos Zegarra em Nova Orleans ao 03 de junho de 1929 — retorno a Lima com o raid bem sucedido no dia 25.
Fonte das imagens dos pilotos: e-bay.
*Diário Carioca.
Postscriptvm (18/11/2015):
O blog MOSQUEIRANDO tem uma publicação (de 08/01/2011) intitulada NA ROTA DA HISTÓRIA: O POUSO DOS AVIÕES na qual o episódio dos aviadores peruanos é tratado secundariamente; sendo foco outro pouso na praia do Chapéu-virado, com pouco mais de um ano de antecedência.
Mosqueirando cita um trecho do livro Mosqueiro Ilhas e Vilas de Augusto Meira Filho para contar a história:

Na busca de pormenores do fato encontramos três informações nos arquivos do Jornal do Brasil:
As três notas sequenciais dos dias 14, 15 e 16 de dezembro de 1927 — a última, próxima ao cabeçalho do periódico, mostra o dia em que ele estava nas bancas.
Se confrontadas as informações observaremos a incongruência nas datações: Meira fala em 13 de outubro de 1927 e o JB em 13 de dezembro de 1927; de outro modo as palavras do aviador Vachet — que pelas contas passou quatro dias em Belém — afirmam que o modelo Breguet 118 é um hidroavião, enquanto Meira usa, para o pouso na praia do Chapéu-virado, o termo aterrissar.
Caso o Breguet 118 fosse mesmo um hidroplano confirmaria o que dissemos anteriormente sobre a escolha dessas aeronaves pela norte-americana NYRBA/PANAIR e pela alemã CONDOR; contudo: não se pode desconsiderar a perícia de Vachet nem a alta tecnologia dos aviões fabricados por Louis-Charles Breguet à companhia francesa de aviação Latécoère que já operava voos comerciais no Brasil na década de 1920, isto na hipótese da decolagem ter acontecido na areia.
Por outro lado, se fosse um hidroavião, por que não amerissar próximo ao porto de Belém?

Postscriptvm (03/01/2016):

A nota acima, citada no comentário de Cássio Nascimento da Silva, parece elucidar a questão operação de descida de Valchet na ilha do Mosqueiro e descredenciar o Breguet 118 como hidroplano — se ele realmente pilotava um.