Casa Carvalhaes — mercearia chique da sociedade belenense, consumida pelas chamas em 12 de junho de 1896

cc-2

Fonte das imagens: Santiago Seia.

Casa Carvalhaes possivelmente três ou mais décadas após o incêndio ao qual se referem as matérias abaixo da propaganda:

Folha do Norte 25 de janeiro de 1896
Folha do Norte 14 junho de 1896-2

Folha do Norte 14 junho de 1896-1

ilko

Imagens ampliáveis à suficiente leitura.

Publicado em Patrimônio Histórico | Marcado com , , | Deixe um comentário

A antiga Casa Carvalhaes, em serventia popular, consumida pelas chamas em 23 de julho de 2015

tgbn

Canal DOL Notícias de 23 de julho de 2015.

Publicado em Arquitetura, Patrimônio Histórico | Marcado com , , | Deixe um comentário

Não creio em bruxas, mas em vassouras; por Raul Ventura Neto

corel864Dos trinta e poucos anos que hoje tenho, há quase uma década observo Belém como Arquiteto, Urbanista e Paisagista. Confesso, não sei o que me assusta mais: se são as três décadas já passadas ou se são os três substantivos da minha profissão! Só tenho hoje uma certeza, precisamos cada vez mais refletir criticamente Belém, recolocar algumas perguntas.
Belém queima há alguns anos. Eu me lembro bem que foi através de um incêndio de grandes proporções no bairro do Guamá, que eu descobri que havia uma fábrica de vassouras no meu caminho diário para a UFPA durante a graduação. Devo confessar que a despeito da tragédia, achei incrível isso de haver uma fábrica de vassouras encrustada no meio da Bernardo Sayão. Por semanas me aguçava os sentidos a possibilidade de assistir diariamente aquela paisagem urbana chamuscada ser, muito rapidamente (a redundância é proposital aqui) requalificada, de modo que em poucas semanas o incêndio e o chamusco eram passado, memória.
Sei não, mas hoje percebo que talvez ali, naquele momento específico eu de fato me tornei Arquiteto, Urbanista e Paisagista. Arquiteto pela fábrica de vassouras, Urbanista pelo bairro do Guamá e Paisagista pela madeira chamuscada.
Todos que observam Belém também possuem um pouco dessas características que se pretende exclusiva do arquiteto, mas que nunca será: olhar a cidade pelas perspectivas do edifício, do urbano e da paisagem. É principalmente por isso que eu entendo a sensação de luto de muitos amigos com o incêndio que consumiu parte do patrimônio edificado da rua Santo Antônio. Entendo e compartilho da tristeza, mas discordo da pena e da revolta destes com o acontecido.
Cansei de ter pena de Belém! Essa frase não é minha, e sinceramente não lembro em qual boteco a ouvi – e é certo que eu já estava um pouco, ou bastante, alterado. Cansado de ter pena sim, mas para jogar a toalha ainda falta, e muito. Talvez seja preciso, de uma vez por todas, entender as estruturas mais profundas que definem essa cidade há pelo menos cem anos.
Devemos refazer as perguntas, e aqui eu quero refletir com apenas duas das que eu considero mais importantes: Por que a necessidade quase perpétua de Belém gerar novos centros de altíssimo valor imobiliário, desvalorizando brutalmente o antigo? Por que a fábrica de vassouras incendiada no Guamá se requalificou tão rapidamente, enquanto os escombros da Santo Antônio talvez durem anos para se reerguer? As respostas não se mostram e nem se esgotam nesse texto, abro aqui apenas outros pontos de vista.
Sempre aguçou minha curiosidade a capacidade de uma cidade como Belém – pobre, periférica e com renda ultra concentrada – produzir tão dinamicamente novos centros de altíssimo valor imobiliário. Do mirante do Palacete Bolonha à cobertura duplex do quadragésimo andar na Doca, passando pelo Manuel Pinto e pela aprazível Brás de Aguiar, não existem somente diferenças nos gabaritos. Há uma sede inquestionável nessa cidade em criar novos espaços urbanos para o mercado, como se fossem grandes descobertas, inovações.
Por outro lado, em paralelo mas também em complemento (a contradição aqui também é proposital), o que se classifica como espaço informal avançou sempre em progressão geométrica na cidade, ignorando de certa forma a realidade verticalizada da área central da vez. Mas até aí eu entendo, afinal estamos tratando de Belém ­– pobre, periférica e com renda ultra concentrada – só questiono aqui a resiliência de uma fábrica de vassouras que existia, até um tempo atrás, encrustada em pleno Guamá! Minha memória coletiva sempre teve ideia de fábrica como uma coisa enorme, tipo aqueles galpões abandonados há anos e esperando até hoje a ampliação do gabarito no Reduto.
Enfim, divagações e perguntas a parte, penso apenas que enquanto não estivermos dispostos em avançar nesse debate, o jeito vai ser sempre respirar fundo e lembrar da célebre frase de Jorge Amado em Quincas Berro D’água: “Cada um chora por onde sente saudade”.

Publicado em Arquitetura e Urbanismo | Marcado com , , | Deixe um comentário

Estou ficando ranzinza e rabugenta; por Rose Norat

Incêndio na Santo Antônio com a Leão XIII

corel862Demorei um pouco para me manifestar sobre o incêndio que acometeu dois imóveis da Santo Antônio com a Leão XIII. Não quis ir ao local. Talvez porque dessa vez eu esteja sentindo uma frustração muito maior do que antes. Quantos incêndios, desabamentos já acompanhei de perto? Conheço a lógica inclemente dos incêndios e o processo que os acompanha. As chamas queimam tudo que pode entrar em combustão, até a última cinza. Os focos e rescaldos ocorrerão por 2, 3 dias. Durante o auge do incêndio os bombeiros jorrarão nas paredes litros e litros de água em alta pressão. As paredes se encharcarão, a dilatação dos materiais pela ação térmica, fogo e água será o veneno mortal pra quem jazia agonizante, abandonado, ou subutilizado. Nos dias seguintes discutirão um possível escoramento, algo desesperado para salvar “alguma coisa”, o que for possível. Mas o estrago estará feito. Poderá se salvar uma “lasquinha” do que foi o imponente volume construído. Lembrei nesses dias do incêndio da então Motogeral, hoje sede do Fórum Landi, na Praça do Carmo. Assistimos à noite, em cadeiras de praia. Foi um “acontecimento” na Cidade Velha. Nem sabia o quanto eles me acompanhariam ao longo da vida como arquiteta da área de patrimônio: Casa Chama no Mercado de Carne, vários na João Alfredo, Sto. Antônio e arredores, Av. Portugal com 13 de Maio, na esquina oposta na Leão XIII com a Gaspar Viana, esse em particular há exatos 10 anos, dia 25/07/2005. Depois virão as reuniões entre Corpo de Bombeiros, órgãos de preservação, a Defesa Civil, os lojistas. Serão realizados relatórios, irão buscar as estatísticas dos incêndios. Diretrizes serão tomadas para evitar novas ocorrências. E assim como a fumaça cessará, o tempo se encarregará de abafar o caso. Até que outro ocorra. E a história dura, repita-se como que dizendo: eu avisei, vocês não quiseram mesmo ouvir (odeio essa frase!!)… Então chorem pelas cinzas que jazem no chão. Os despojos serão jogados em caminhões de entulhos, alguns serão “resgatados” pelos que se interessam pela preservação e memória, ou pelos que fazem dela um comércio paralelo. Por que dessa vez não quis ir ver? Chorar ao vivo pelo “morto”? Talvez porque dessa vez o “luto” foi menor que a minha frustração pessoal. A antiga farmácia era linda, tinha até certo tempo o mobiliário de época completo. O da esquina compunha com o vizinho oposto uma das vistas mais bonitas e imponentes do centro histórico de Belém. Pisos ladrilhados ou em acapu e pau amarelo, forros em madeira trabalhados, até elevador tinha. Fachada azulejada. Alto, vistoso não se acanhava perante o vizinho suntuoso logo ali em frente: o Paris N´América. De tão belos, não disputavam, mas harmonizavam-se de tal maneira que cansei de circular por aquelas ruas e admirar-lhes a beleza. Não à toa, fazia parte da minha pesquisa de mestrado sobre a reabilitação de áreas históricas por meio da moradia. Desde o início dos anos 2000, a Prefeitura por meio de várias secretarias como a FUMBEL, SEHAB, CODEM, SEGEP, SEFIN, SECON, entre outras trabalharam com a CAIXA e com a consultoria de técnicos franceses em estratégias de reabilitação urbana por perímetros integrados, dos quais a habitação era uma das principais diretrizes. Não conseguimos avançar para além do Justo Chermont, uma edificação comercial transformada em residencial multifamiliar. Mas embora os projetos para as edificações históricas tenham se mostrado viáveis não foram para frente. Segui com outros colegas da área, levando a ideia, ampliada e repaginada para o Estado. Fui diretora nas áreas de patrimônio histórico da SECULT e eu, sinceramente, pensei que seria dessa vez. O Estado tinha mais recursos que a Prefeitura, contava com a COHAB e eu realmente acreditava que iríamos adiante. Além das edificações pensamos em um projeto de recuperação urbana completo por um trecho importante e degradado que ia desde o Boulevard Castilhos França até a Santo Antônio e tinha na Leão XIII e arredores o foco principal de investimentos: recuperação de calçamentos, as vias e seus paralelepípedos, a fiação subterrânea, troca de sistema de iluminação e postes, acessibilidade e o fomento à habitação nos pavimentos superiores de edificações subutilizadas ou abandonadas, comércios e serviços afins nos pavimentos térreos. As estratégias legais estão postas no PDM e até chegamos a “desapropriar” os imóveis. A intenção era que essa primeira etapa de uma intervenção ampla no tecido urbano, que tinha na moradia uma das políticas principais de reabilitação da área, aliada a outros usos como comércios de apoio, além do foco social que estimulava qualificação de mão-de-obra para o restauro e outras atividades que incorporassem os moradores/usuários da área, seria o pontapé inicial para que outras ações subseqüentes ocorressem e atraíssem o investimento privado. Conseguimos um convênio com o Ministério das Cidades para essa primeira etapa e já articulávamos outras estratégias com o Ministério do Turismo. A contrapartida de 10% do valor, pouco mais de R$300 mil não foi liberada. Nunca pagaram as desapropriações. Senti-me incompetente por não conseguir convencer os gestores da importância do projeto. Lembrei ainda do recurso de R$240 mil para a prefeitura elaborar o Plano de Reabilitação do CHB. Esse estava em caixa. Foi devolvido e o plano e atualização da gestão municipal não foram adiante. Essas frustrações técnicas rivalizam com a derrubada do muro do Forte que perdeu o foco e virou disputa política. Uma pena, pois quando a política entra no circuito tudo perde sentido, ou melhor, toma corpo e forma que eu não consigo compreender e acompanhar. Lembrei também, de que um dos herdeiros do imóvel, que sempre conversava conosco, discutia às vezes é verdade, mas sempre foram muito respeitosos, ao me ouvir falando novamente do projeto, do potencial do imóvel, de como seria a estratégia de reabilitação urbana e como eles podiam investir no imóvel nos pavimentos superiores me disse que o faria sim, desde que “começasse a ouvir o soar dos martelos”. Eu, ingenuamente, disse que aguardasse. Talvez isso me doa tanto. Porque hoje se ouve apenas o barulho dos escombros ruindo, o estalar seco da madeira queimada. Ah, como eu sei esses caminhos. Penso agora no Pinho, no desabamento durante as obras de recuperação, na reconstrução da área perdida e como, até o momento, está sem uso, fadado novamente a ruir caso não mudem de imediato essa trajetória. Uma amiga esses dias disse-me que estou ficando ranzinza e rabugenta. Acho que ela tem razão. Não me falaria se não fosse verdade. Acho que estou naquela fase da vida que não posso mais ser tão ingênua e acreditar no mundo e nas pessoas, sem saber que nem sempre será como eu imagino ou gostaria que fosse. E isso é duro, porque a realidade muitas vezes é fria e cortante. E queima. Mas aí eu, que tenho um fio de esperança remoendo minha alma, resolvi então postar não as fotos dos escombros ou incêndio, mas tudo que ele representava: a fachada azulejada, os pisos e forros de madeira, o conjunto que formava. Para que isso? Para que inspire outros jovens, outros proprietários, e quem sabe algum gestor público, pois não podemos esmorecer mesmo que mais essa perda, dura, tenha ocorrido. 400 anos, não são 4 décadas, ou 4 dias. São 4 séculos de histórias e memórias, de vidas e também de esperança de que dias melhores poderão vir. E virão!(?).

sd

Roseane Norat
Santa Maria de Belém do Grão Pará, 25 de julho de 2015.

Publicado em Arquitetura e Urbanismo, Memória, Patrimônio Histórico | Marcado com , , | Deixe um comentário

Preguiça defronte ao Ateliê

pregiçaA greve e as férias de muitos docentes deixaram o Campus do Guamá soturno neste mês de julho; mais ainda nas proximidades do Ateliê de Arquitetura e Urbanismo, donde a via da orla do Profissional está interditada pelas terras caídas,  daí o aparecimento de visitantes inusitados.

Foto: Juliano Ximenes.

Publicado em Arquitetura e Natureza | Marcado com , | Deixe um comentário

UMA FORMAÇÃO EM CURSO — Esboços da Graduação em Arquitetura e Urbanismo da UFPA

UMA FORMAÇÃO EM CURSO — Esboços da Graduação em Arquitetura e Urbanismo da UFPA é um livro, por ora virtual, resultado da bolsa de pesquisa obtida pela professora Cybelle Salvador Miranda (UFPA) junto ao Programa de Apoio ao Doutor Recém Contratado 2009, escrito pela própria Cybelle e os professores Ronaldo Marques de Carvalho (UFPA) e Dinah Reiko Tutyia (UNIFAP):

1611006_894295867303388_4469410395853650272_n

Imagem-link ao ISSUU

Saiba mais sobre o livro no jornal Beira do Rio — jornal da Universidade Federal do Pará. Ano XXIX Nº 125. Junho e Julho de 2015.


Leia o livro aqui:


Ou baixe o pdf do BF: UMA FORMAÇÃO EM CURSO.

Publicado em Ambiente Urbano, Livro digital | Marcado com , , | Deixe um comentário

Hydroterapico da Beneficiente Portuguesa (1921)

Hydroterápico
Imagem ampliável por clique

Referência: revista A Semana, Belém, v.4, n.180, p.18 e p.19, set.1921.
Colaboração: Regina Vitória da Fonseca Alves.

Publicado em Arquitetura e Urbanismo, Fotografia antiga, História | Marcado com , , | Deixe um comentário