Divulgação/convite à FAU


José Maria de Castro Abreu Júnior é colaborador do Blog da FAU.

Publicado em Arquitetura e Urbanismo, Divulgação | Com a tag , , | Deixe um comentário

Quando o lambe-lambe persegue um homem


Na reportagem com Lúcio Flávio Pinto, que fala no relançamento, pelo Diário do Pará, de Sertão: A Palavra e a Imagem, é o 3×4 que identifica Eidorfe.

O único audiovisual que encontramos sobre Eidorfe Moreira na Internet vem do programa “Orgulho de ser do Pará”; nele se percebe um conflito informativo: diferente do que diz Annunciada Chaves, a repórter afirma que Eidorfe faleceu no ano de 1987.
Nota-se, como já havíamos dito em postagem anterior, que poucas imagens foram registradas do escritor paraibano radicado no Pará, fazendo com que um retrato 3×4, possivelmente retirado de algum documento de identidade, tenha se tornado um “ícone desengonçado” do notável estudioso.
Essa mesma fotografia, repetida à exaustão em tudo que se refere a Eidorfe, teve um tratamento simples e lógico para figurar na capa do relançamento de IDEIAS PARA UMA CONCEPÇÃO GEOGRÁFICA DA VIDA (PMB/SEMEC): espelhamento (ou inversão), ajuste ao eixo de simetria e enquadramento assimétrico (que faz desaparecer o colarinho desalinhado); essas três atitudes banais, associadas ao reticulado aberto, dão um novo semblante ao escritor, imprimindo-lhe um certo ar “filosofal”; como ninguém está habituado a vê-lo assim, reflexível e arrumado, com forjada elegância clássica, acredita-se estar diante de uma imagem exclusiva sua…mas…foi só um passe no cabeçote.
Alguém já disse por aí que a necessidade é a mãe da criatividade e outrem completou: “quando não tem tu, vai tu mesmo”.

Retificando Eidorfe:



O sangramento da capa na gráfica distanciou-se alguns milímetros da projeção.

____________________________

Postscriptvm:

Fonte: Clínica Dr. Arquero.

Publicado em Arquitetura e Urbanismo | Com a tag , , | 3 Comentários

EREA PARÁ 2013: Por Quê? Para Quê? Para Quem?

Publicado em Arquitetura e Urbanismo, Audiovisual, Vídeos | Com a tag , , | Deixe um comentário

Uma joia para Eidorfe Moreira


Acabamos de receber um exemplar do livro IDEIAS PARA UMA CONCEPÇÃO GEOGRÁFICA DA VIDA, uma bem cuidada reedição do que foi originalmente publicado em 1961 pela Editora H. Barra pago com dinheiro do próprio bolso de Eidorfe Moreira, cientista falecido em 1989 que se vivo fosse completaria 100 anos.
A secretária municipal de educação de Belém, professora Therezinha Moraes Gueiros, incumbiu a tarefa de organização e projeto editorial à escritora Stella Pessôa, a quem parabenizamos pelo senso estético acurado que produziu uma pérola de beleza atemporal e plena discrição, em harmonia com o comportamento do autor.
O zelo com a impressão, feita no sudeste do país, esteve sob a responsabilidade da editora Paka-Tatu, do professor Armando Alves, que obedeceu à risca à planificação minuciosa de Stella.
A contracapa (ou quarta capa) manteve a sobriedade, estampando apenas o quase quatrocentão brasão d’armas da Prefeitura Municipal de Belém/SEMEC e o ISBN em código de barras; ambas inserções em dimensões suficientes à leitura — a sutileza, que não é sinônimo de luxo ou esbanjamento, está na estrutura da manufatura: capa dura e miolo em papel pólen.
Os mil exemplares da obra, que serão distribuídos entre escolas municipais de Belém e bibliotecas brasileiras de acesso público, chegaram na noite de 30 de julho passado, justamente no dia do aniversário (de nascimento) de Eidorfe Moreira — ah, se acreditássemos em fantasmas!
“Temperamento retraído, contrário a quaisquer honrarias, esquivou-se a todas as homenagens que lhe quiseram prestar, bem como à participação em instituições culturais, científicas ou literárias…”, essa assertiva de Annunciada Chaves justificaria o monocromático 3×4 — ícone desengonçado — que sempre identificou  o pesquisador de relevância nacional assegurada pelo filósofo Benedito Nunes; o mesmíssimo retrato, peculiar dos lambe-lambes, era o único que Maria Stella possuía, com razoável qualidade, para figurar na capa do livro; posteriormente, já fora do cronograma do planejamento, outras três raras fotografias apareceram, vindas do acervo de Anna Carolina Moreira, neta de Eidorfe — nenhuma delas chegou a tempo para integrar o livro.
O espelhamento, recorte e tratamento da batida imagem, bem como a atenção com a composição do exterior que embala o conteúdo, foram a nossa contribuição à divulgação das IDEIAS desse convicto paraense — claro que nada disso teria funcionado sem a conjunção dos astros que deram folga às Leis de Murphy.
O lançamento do livro — que é mais bonito pessoalmente — não tem data definida, mas, assim que a soubermos, aqui faremos divulgação.

Publicado em Arquitetura e Urbanismo, Divulgação | Com a tag , , | 1 Comentário

Uma experimentação bem sucedida


Nossos agradecimentos aos internautas do planeta, o novo público que gravita todas as coisas.

Publicado em Arquitetura e Urbanismo | Com a tag , | Deixe um comentário

Está no ar a página ARQ.DOC2012

Publicado em Arquitetura e Urbanismo, Divulgação | Com a tag , | Deixe um comentário

O primeiro romance belenense; por Eidorfe Moreira



Fonte: Jornal A Província do Pará; 27 e 28 de maio de 1984,
Caderno 2, página 13.
Acervo: Stella Pessôa.

Publicado em Arquitetura e Urbanismo, Reprodução de artigos | Com a tag , , | 2 Comentários

Divulgação/convite à FAU

Publicado em Arquitetura e Urbanismo, Divulgação | Com a tag , , | Deixe um comentário

Divulgação/convite à FAU

Publicado em Arquitetura e Urbanismo, Divulgação | Com a tag | Deixe um comentário

30 de julho de 2012: Centenário Eidorfe Moreira


Fotografia em reunião na Academia Paraense de Letras. Eidorfe aparece com Augusto Meira Filho (a quem Eidorfe dedicou um artigo no jornal A Província do Pará), Annunciada Chaves, Georgenor Franco, José da Silveira Neto (foi quem convidou Eidorfe para a UFPA) e Aláudio Melo.


________________________________

Colaboração da escritora Stella Pessôa, coordenadora da edição comemorativa do Centenário de Eidorfe Moreira pela SEMEC — Secretaria Municipal de Educação de Belém — com a reedição do livro IDEIAS PARA UMA CONCEPÇÃO GEOGRÁFICA DA VIDA que será lançado no próximo mês de agosto, em dia, por ora, indefinido.
A imagem ao lado é uma prévia do layout da capa do livro que se encontra em processo de impressão gráfica na cidade de São Paulo.
A publicação não será vendida e sim distribuída, prioritariamente, entre as escolas municipais de Belém.
Pela tiragem sofisticada de apenas 1.000 exemplares nascerá como obra rara.

Publicado em Arquitetura e Urbanismo, Personalidades, Reprodução de artigos | Com a tag , , | Deixe um comentário

Também da Folha; enviado por Jaime Bibas

______________________________

O professor Jaime Bibas chamou atenção para esta publicação da Folha de São Paulo, também de ontem, que apresenta, no espaço destinado ao leitor, a imparcialidade que dela esperamos, bem como de toda a grande mídia.
Leia o que originou as duas respostas: Sociedade deve interferir na greve das universidades federais, diz leitora Célia Maria Borgeas.

Publicado em Arquitetura e Urbanismo, Reprodução de artigos | Com a tag , | Deixe um comentário

A malícia da Folha de São Paulo


_________________________________

É curioso como a grande imprensa sataniza o movimento acadêmico grevista colocando a sociedade contra o que ela mais carece: EDUCAÇÃO.
A oportunidade dada a leitora da Folha, que é estudante de uma universidade pública federal, demonstra uma escolha capciosa à defesa, com argumentos e redação pueris, onde o jornal deixa passar, propositalmente, até falhas na língua pátria (“Algumas verdades precisam serem ditas” é mau e “mau” é antônimo de bom, não de bem) para torná-la ridícula (na essência é Viçosa a vítima da troça).
Seria mais simples dizer que o governo é cínico e replica, como estratégia maquiavélica, uma proposta indecente fazendo com que todos acreditem (e divulguem) que os docentes são intransigentes.
Se as universidades têm alguma coisa que salte aos olhos é o que advém, como babugem, do capital privado que explora a fragilidade dessas instituições públicas.
Os famigerados “convênios” têm um propósito muito claro: tirar proveito da mão de obra qualificada e barata que teima, por idealidade, em permanecer nas universidades públicas.
Essa estupidez parece incorporada aos vencimentos, dando a falsa impressão que um professor titulado ganhe bem — o que seria insuficiente para pagar os remédios ao seu esgotamento nervoso diante das exigências desses “fomentos” à pesquisa — e tenha um ambiente salutar de trabalho.
Alguém conhece alguma investigação aprovada sem financiamento externo?
Bem, se não há, autonomia é balela.
É provável que ao futuro esteja reservado o fim das putas, dos jornais e das universidades; resta-nos intuir quem sumirá primeiro.
Mas…voltando à Folha…quanto ela paga para uma estagiária*?

*O uso do gênero é proposital.

Publicado em Arquitetura e Urbanismo, Reprodução de artigos | Com a tag , | Deixe um comentário

Divulgação/convite à FAU

Publicado em Arquitetura e Urbanismo, Divulgação | Com a tag , , | Deixe um comentário

O Ladrão no Fim do Mundo (livro)


FAU
Fonte: ISTO É.

Os números da concorrência, segundo Fábio Castro, no livro Cidade Sebastiana:

…”No entanto, o monopólio que a Amazônia mantinha sobre a produção mundial de caucho (a seiva milagrosa que modificava o processo industrial de todo o mundo e que equipava indústrias crescentes, como a automobilística) não duraria para sempre. Preocupados com as manobras especulativas que começaram a ser desenvolvidas por exportadores paraenses e portugueses, em 1908, em Nova York, 407 companhias e 231 firmas internacionais formaram a “Rubber Growers Association”, que passou a financiar pesquisas e a desenvolver técnicas de cultivo ordenado – na Amazônia, afora algumas poucas experiências, a atividade sempre foi extrativista – com plantações próprias na Malásia. Essa produção de borracha no oriente subiu de 3 mil quilos em 1900 para 28 milhões de quilos em 1912. Em 1913 alcançou a produção de 48 milhões de quilos e, em 1914, a Malásia produziu mais da metade da borracha mundial, 71 milhões de quilos. Em 1919 a borracha oriental alcançou 90% do mercado mundial, desbancando, definitivamente, a concorrência da produção amazônica.”…

Publicado em Arquitetura e Urbanismo, Reprodução de artigos | Com a tag , | Deixe um comentário

Dom Eugênio Sales era, com todo o respeito, o cardeal da ditadura; por José Ribamar Bessa Freire*

O tratamento que a mídia deu à morte do cardeal dom Eugenio Sales, ocorrida na última segunda-feira, com direito à pomba branca no velório, me fez lembrar o filme alemão “Uma cidade sem passado”, de 1990, dirigido por Michael Verhoven. Os dois casos são exemplos típicos de como o poder manipula as versões sobre a história, promove o esquecimento de fatos vergonhosos, inventa despudoradamente novas lembranças e usa a memória, assim construída, como um instrumento de controle e coerção.
Comecemos pelo filme, que se baseia em fatos históricos. Na década de 1980, o Ministério da Educação da Alemanha realiza um concurso de redação escolar, de âmbito nacional, cujo tema é “Minha cidade natal na época do III Reich”. Milhares de estudantes se inscrevem, entre eles a jovem Sônia Rosenberger, que busca reconstituir a história de sua cidade, Pfilzing – como é denominada no filme – considerada até então baluarte da resistência antinazista.
Mas a estudante encontra oposição. As instituições locais de memória – o arquivo municipal, a biblioteca, a igreja e até mesmo o jornal Pfilzinger Morgen – fecham-lhe suas portas, apresentando desculpas esfarrapadas. Ninguém quer que uma “judia e comunista” futuque o passado. Sônia, porém, não desiste. Corre atrás. Busca os documentos orais. Entrevista pessoas próximas, familiares, vizinhos, que sobreviveram ao nazismo. As lembranças, contudo, são fragmentadas, descosturadas, não passam de fiapos sem sentido.
A jovem pesquisadora procura, então, as autoridades locais, que se recusam a falar e ainda consideram sua insistência como uma ameaça à manutenção da memória oficial, que é a garantia da ordem vigente. Por não ter acesso aos documentos, Sônia perde os prazos do concurso. Desconfiada, porém, de que debaixo daquele angu tinha caroço – perdão, de que sob aquele chucrute havia salsicha – resolve continuar pesquisando por conta própria, mesmo depois de formada, casada e com filhos, numa batalha desigual que durou alguns anos.
Hostilizada pelo poder civil e religioso, Sônia recorre ao Judiciário e entra com uma ação na qual reivindica o direito à informação. Ganha o processo e, finalmente, consegue ingressar nos arquivos. Foi aí, no meio da papelada, que ela descobriu, horrorizada, as razões da cortina de silêncio: sua cidade, longe de ter sido um bastião da resistência ao nazismo, havia sediado um campo de concentração. Lá, os nazistas prenderam, torturaram e mataram muita gente, com a cumplicidade ou a omissão de moradores, que tentaram, depois, apagar essa mancha vergonhosa da memória, forjando um passado que nunca existiu.
Os documentos registraram inclusive a prisão de um judeu, denunciado na época por dois padres, que no momento da pesquisa continuavam ainda vivos, vivíssimos, tentando impedir o acesso de Sônia aos registros. No entanto, o mais doloroso, era que aqueles que, ontem, haviam sido carrascos, cúmplices da opressão, posavam, hoje, como heróis da resistência e parceiros da liberdade. Quanto escárnio! Os safados haviam invertido os papéis. Por isso, ocultavam os documentos.
Deus tá vendo
E é aqui que entra a forma como a mídia cobriu a morte do cardeal dom Eugênio Sales, que comandou a Arquidiocese do Rio, com mão forte, ao longo de 30 anos (1971-2001), incluindo os anos de chumbo da ditadura militar. O que aconteceu nesse período? O Brasil já elegeu três presidentes que foram reprimidos pela ditadura, mas até hoje, não temos acesso aos principais documentos da repressão.
Se a Comissão Nacional da Verdade, instalada em maio último pela presidente Dilma Rousseff, pudesse criar, no campo da memória, algo similar à operação “Deus tá vendo”, organizada pela Policia Civil do Rio Grande do Sul, talvez encontrássemos a resposta. Na tal operação, a Polícia prendeu na última quinta-feira quatro pastores evangélicos envolvidos em golpes na venda de automóveis. Seria o caso de perguntar: o que foi que Deus viu na época da ditadura militar?
Tem coisas que até Ele duvida. Tive a oportunidade de acompanhar a trajetória do cardeal Eugênio Sales, na qualidade de repórter da ASAPRESS, uma agência nacional de notícias arrendada pela CNBB em 1967. Também, cobri reuniões e assembleias da Conferência dos Bispos para os jornais do Rio – O Sol, O Paiz e Correio da Manhã, quando dom Eugênio era Arcebispo Primaz de Salvador. É a partir desse lugar que posso dar um modesto testemunho. Os bispos que lutavam contra as arbitrariedades eram Helder Câmara, Waldir Calheiros, Cândido Padin, Paulo Evaristo Arns e alguns outros mais que foram vigiados e perseguidos. Mas não dom Eugênio, que jogava no time contrário. Um dos auxiliares de dom Helder, o padre Henrique, foi torturado até a morte em 1969, num crime que continua atravessado na garganta de todos nós e que esperamos seja esclarecido pela Comissão da Verdade. Padres e leigos foram presos e torturados, sem que escutássemos um pio de protesto de dom Eugênio, contrário à teologia da libertação e ao envolvimento da Igreja com os pobres.
O cardeal Eugenio Sales era um homem do poder, que amava a pompa e o rapapé, muito atuante no campo político. Foi ele um dos inspiradores das “candocas” – como Stanislaw Ponte Preta chamava as senhoras da CAMDE, a Campanha da Mulher pela Democracia. As “candocas” desenvolveram trabalhos sociais nas favelas exclusivamente com o objetivo de mobilizar setores pobres para seus objetivos golpistas. Foram elas, as “candocas”, que organizaram manifestações de rua contra o governo democraticamente eleito de João Goulart, incluindo a famigerada “Marcha da família com Deus pela liberdade”, que apoiou o golpe militar, com financiamento de multinacionais, o que foi muito bem documentado pelo cientista político René Dreifuss, em seu livro “1964: A Conquista do Estado” (Vozes, 1981). Ele teve acesso ao Caixa 2 do IPES/IBAD.
Nós, toda a torcida do Flamengo e Deus que estava vendo tudo, sabíamos que dom Eugênio era, com todo o respeito, o cardeal da ditadura. Se não sofro de amnésia – e não sofro de amnésia ou de qualquer doença neurodegenerativa – posso garantir que na época ele nem disfarçava, ao contrário manifestava publicamente orgulho do livre trânsito que tinha entre os militares e os poderosos.
“Quem tem dúvidas…basta pesquisar os textos assinados por ele no JB e n’O Globo” – escreve a jornalista Hildegard Angel, que foi colunista dos dois jornais e avaliou assim a opção preferencial do cardeal:
“A Igreja Católica, no Rio, sob a égide de dom Eugenio Salles, foi cada vez mais se distanciando dos pobres e se aproximando, cultivando, cortejando as estruturas do poder. Isso não poderia acabar bem. Acabou no menor percentual de católicos no país: 45,8%…”
Portões do Sumaré
Por isso, a jornalista estranhou – e nós também – a forma como o cardeal Eugenio Sales foi retratado no velório pelas autoridades. Ele foi apresentado como um combatente contra a ditadura, que abriu os portões da residência episcopal para abrigar os perseguidos políticos. O prefeito Eduardo Paes, em campanha eleitoral, declarou que o cardeal “defendeu a liberdade e os direitos individuais”. O governador Sérgio Cabral e até o presidente do Senado, José Sarney, insistiram no mesmo tema, apresentando dom Eugênio como o campeão “do respeito às pessoas e aos direitos humanos”.
Não foram só os políticos. O jornalista e acadêmico Luiz Paulo Horta escreveu que dom Eugênio chegou a abrigar no Rio “uma quantidade enorme de asilados políticos”, calculada, por baixo, numa estimativa do Globo, em “mais de quatro mil pessoas perseguidas por regimes militares da América do Sul”. Outro jornalista, José Casado, elevou o número para cinco mil. Ou seja, o cardeal era um agente duplo. Publicamente, apoiava a ditadura e, por baixo dos panos, na clandestinidade, ajudava quem lutava contra. Só faltou arranjarem um codinome para ele, denominado pelo papa Bento XVI como “o intrépido pastor”.
Seria possível acreditar nisso, se o jornal tivesse entrevistado um por cento das vítimas. Bastaria 50 perseguidos nos contarem como o cardeal com eles se solidarizou. No entanto, o jornal não dá o nome de uma só – umazinha – dessas cinco mil pessoas. Enquanto isto não acontecer, preferimos ficar com o corajoso depoimento de Hildegard Angel, cujo irmão Stuart, foi torturado e morto pelo Serviço de Inteligência da Aeronáutica. Sua mãe, a estilista Zuzu Angel, procurou o cardeal e bateu com a cara na porta do palácio episcopal.
Segundo Hilde, dom Eugênio “fechou os olhos às maldades cometidas durante a ditadura, fechando seus ouvidos e os portões do Sumaré aos familiares dos jovens ditos “subversivos” que lá iam levar suas súplicas, como fez com minha mãe Zuzu Angel (e isso está documentado)”. Ela acha surpreendente que os jornais queiram nos fazer acreditar “que ocorreu justo o contrário!”, como no filme “Uma cidade sem passado”.
Mas não é tão surpreendente assim. O texto de Hildegard menciona a grande habilidade, em vida, de dom Eugenio, em “manter ótimas relações com os grandes jornais, para os quais contribuiu regularmente com artigos”. As azeitadas relações com os donos dos jornais e com alguns jornalistas em postos-chave continuaram depois da morte, como é possível constatar com a cobertura do velório. A defesa de dom Eugênio, na realidade, funciona aqui como uma autodefesa da mídia e do poder.
Os jornais elogiaram, como uma virtude e uma delicadeza, o gesto do cardeal Eugenio Sales que cada vez que ia a Roma levava mamão-papaia para o papa João Paulo II, com o mesmo zelo e unção com que o senador Alfredo Nascimento levava tucumã já descascado para o café da manhã do então governador Amazonino Mendes. São os rituais do poder com seus rapapés.
“Dentro de uma sociedade, assim como os discursos, as memórias são controladas e negociadas entre diferentes grupos e diferentes sistemas de poder. Ainda que não possam ser confundidas com a “verdade”, as memórias têm valor social de “verdade” e podem ser difundidas e reproduzidas como se fossem “a verdade” – escreve Teun A. van Dijk, doutor pela Universidade de Amsterdã.
A “verdade” construída pela mídia foi capaz de fotografar até “a presença do Espírito Santo” no funeral. Um voluntário da Cruz Vermelha, Gilberto de Almeida, 59 anos, corretor de imóveis, no caminho ao velório de dom Eugênio, passou pelo abatedouro, no Engenho de Dentro, comprou uma pomba por R$ 25 e a soltou dentro da catedral. A ave voou e posou sobre o caixão: “Foi um sinal de Deus, é a presença do Espírito Santo” – berraram os jornais. Parece que vale tudo para controlar a memória, até mesmo estabelecer preço tão baixo para uma das pessoas da Santíssima Trindade. É muita falta de respeito com a fé das pessoas.
“A mídia deve ser pensada não como um lugar neutro de observação, mas como um agente produtor de imagens, representações e memória” nos diz o citado pesquisador holandês, que estudou o tratamento racista dispensado às minorias étnicas pela imprensa europeia. Para ele, os modos de produção e os meios de produção de uma imagem social sobre o passado são usados no campo da disputa política.
Nessa disputa, a mídia nos forçou a fazer os comentários que você acaba de ler, o que pode parecer indelicadeza num momento como esse de morte, de perda e de dor para os amigos do cardeal. Mas se a gente não falar agora, quando então? Stuart Angel e os que combateram a ditadura merecem que a gente corra o risco de parecer indelicado. É preciso dizer, em respeito à memória deles, que Dom Eugênio tinha suas virtudes, mas uma delas não foi, certamente, a solidariedade aos perseguidos políticos para quem os portões do Sumaré, até prova em contrário, permaneceram fechados. Que ele descanse em paz!

P.S: O jornalista amazonense Fábio Alencar foi quem me repassou o texto de Hildegard Angel, que circulou nas redes sociais. O doutor Geraldo Sá Peixoto Pinheiro, historiador e professor da Universidade Federal do Amazonas, foi quem me indicou, há anos, o filme “Uma cidade sem passado”. Quem me permitiu discutir o conceito de memória foram minhas colegas doutoras Jô Gondar e Vera Dodebei, organizadoras do livro “O que é Memória Social” (Rio de Janeiro: Contra Capa/ Programa de Pós- Graduação em Memória Social da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, 2005). Nenhum deles tem qualquer responsabilidade sobre os juízos por mim aqui emitidos. (Fonte: Correio da Cidadania.)

*José Ribamar Bessa Freire é sociólogo e coordena o Programa de Estudos dos Povos Indígenas (UERJ), pesquisa no Programa de Pós-Graduação em Memória Social (UNIRIO).

Material enviado pelo professor Irving Montanar Franco.

Publicado em Arquitetura e Urbanismo, Reprodução de artigos | Com a tag | 2 Comentários

Lemos queria o célebre pintor Pedro Américo em Belém

O Município de Belém (1904) de Antonio José de Lemos, nossa fonte, mostra que o Intendente “tencionava” convidar o pintor e doutor em ciências naturais (ou physicas) pela Universidade de Bruxelas, Pedro Américo, para dirigir a nossa “eschola de Bellas Artes”.
Pedro Américo não veio: morreu em 1905.


_______________________________

Postscriptvm:


FAU
Pelo menos o caderno de desenho Pedro Américo é familiar a alguns ex-alunos da FAU que até pouco tempo o utilizavam como suporte nas aulas de Representação e Expressão.
Na 16 de Novembro, quase no canto da João Diogo, defronte da praça Felipe Patrone, havia uma papelaria que mantinha um estoque escomunal dessa antiga joia que tem papel de seda entremeando suas páginas confeccionadas em celulose de qualidade que, por incrível que pareça, quase nada sofrem com a elevada umidade de Belém.
O preço não machucava o bolso de ninguém: 3 por 1 Real.
O dono do estabelecimento, que queria se livrar daquela montanha de embalagens plásticas com 25 unidades, nos informou que a FACEPA fez uma proposta de compra por kilo, que não o agradou; preferindo ele aguardar o momento das campanhas eleitorais para vendê-las aos políticos do interior que distribuíam os cadernos em troca de votos.
Um certo dia uma senhora, aparentemente turista, entrou no estabelecimento e viu tudo aquilo, emocionada pôs-se a chorar; seria uma descendente dos donos da indústria paulista SPINA, que encerrou as atividades nesse ramo em 1981, segundo informações contidas em seu site.
Se acreditássemos em fantasmas diríamos: Pedro Américo veio sim e ficou bem próximo à “Intendência”.

Publicado em Artes Gráficas, Curiosidades | Com a tag , | Deixe um comentário

Divulgação ARQ.DOC 2012

Publicado em Arquitetura e Urbanismo, Divulgação | Deixe um comentário

Tanque imperial de São Brás foi atrasado por contrato

Fonte: Falla…

Publicado em Arquitetura e Urbanismo, Curiosidades, Equipamentos públicos | Com a tag | Deixe um comentário

Paths of Hate; dirigido por Damian Nenow

Publicado em Animação, Arquitetura e Urbanismo, Audiovisual, Vídeos | Deixe um comentário

Parabéns pelo aniversário do marquês Ronaldo Carvalho, o pão francês da FAU


Qualquer semelhança com Jean-Paul Belmondo não é mera coincidência, mas Paris.

Foto: Cybelle Salvador Miranda.

Publicado em Arquitetura e Urbanismo, Data comemorativa | Com a tag | 1 Comentário