O Curupira falou pro Cássio que foi a Matinta quem arredou dois torós de janeiro do ano que vem pra segunda-feira passada; parece que ela tava muito invocada com um tar de Alemão e se mandou atrás dele pras Oropa; tadinho: esse tá na pica do quati, nem tabaco sarva.
Cássio Tavernard foi aluno da FAU na década de 1990, hoje é professor do Cinema na UFPA.
Matinta-perera e Curupira – esculturas em epoxi de Nelson Nabiça, ex-aluno da habilitação em Artes Plásticas da UFPA nos anos 2000.
Dimensões do corte do perfil dos trilhos encontrados no Utinga ditos como de ferrovia leve, portável: DECAUVILLE
Comparativo com objetos de pequeno porte: isqueiro Zippo, caixa de fósforos e Bic
Giro de 360º da amostra de 1,3cm do perfil do trilho leve do Utinga junto a um Zippo clássico
Tanto a tradicional imprensa quanto as mídias sociais têm se interessado pelos trilhos encontrados no parque estadual do Utinga: resultado de uma parceria investigativa entre o IDEFLOR-BIO e este Laboratório Virtual à demanda específica aqui publicada como 1929 – A aventura de Pola Brückner (Pola Bauer-Adamara) no Utinga – plenamente solucionada em abril passado. O que deu complexidade ao desdobramento daquela pesquisa foi que além dos trilhos Decauville (amostra do perfil em imagens acima) apareceram mais dois perfis distintos entre si e em dimensões superiores:
Ai temos esboçados três modelos de trilho encontrados no Utinga comparados a um tipo usual da Estrada de Ferro de Bragança (EFB) que possuía Bitola Métrica – um metro de distância entre as varas de trilho (distância entre trilhos). Se postos em proporção o Decauville é “engolido” pelo trilhão e segue diminuto diante dos dois restantes: os da EFB e os médios existentes no Utinga. É fato que dois ramais da EFB penetravam na área do Utinga: o Ramal do Catú, que vinha pelo Entroncamento com a finalidade de pegar aterro ao lastro da ferrovia; e: o Ramal do Utinga, construído à recepção do carvão em pedra importado que desembarcava no Porto do Carvão em Pinheiro (Icoaraci) – esse trem deixava o carvão nas Usinas do Utinga possivelmente descrevendo um círculo ao redor dos cinco galpões que as compunham, descarregava e se ia embora como qualquer delivery.
O documento acima joga luz na questão quando afirma que os dois ramais (Utinga e Catú) possuem bitola métrica; ou seja: os outros dois perfis de trilho encontrados no Utinga podem pertencer a esses ramais da Estrada de Ferro de Bragança e são INCOMPATÍVEIS à ferrovia leve, portável: Decauville; esta de bitola inferior: 60 centímetros.
A leveza dos trilhos Decauville de baixo calibre usados em plantações, indústrias, construção civil, portos, minas, operações de guerra, etc… um bem de capital polivalente pelos equipamentos que acoplava sobre material rodante.
Alguns metros de trilhos submersos no canal do Yuna montados sobre dormentes metálicos à semelhança do sistema Decauville; entretanto: ainda não é possível afirmar que confeccionados na indústria francesa de Paul Decauville – podem ser similares de fabricação europeia ou estadunidenses igualmente de fácil transporte, montagem e desmontagem com diversos implementos – temos o produto, mas a marca (Decauville) ainda não apareceu em nenhuma peça. Sabe-se da aquisição e assentamento da via Decauville pela Folha do Norte de 03FEV1897; Souza Araújo em 1922 afirma que todo o serviço no Utinga, Buiussúquára e Catú está unido por uma linha Decauville de 0m,60 de bitola, em extensão de cerca de 6 kilometros – replicando o dito na mensagem de Augusto Montenegro de 1903 (vinte anos passados); e: Augusto Meira Filho, em 1947, diz haver no Utinga duas locomotivas de 5 toneladas, 60 vagonetes, 4.000 metros de trilhos “Decauville”… (dois quilômetros a menos na via Decauville – depreciação?). Não há dúvidas da existência dessa malha férrea dentro do Utinga porque, além dos relatos, há fotos em Souza Araújo e Meira Filho, bem como no álbum O PARÁ 1908; só não se pode atestar categoricamente que a marca e o produto tenham correspondência, já que a cineasta Pola Brückner, em seu livro de 1939, chama a “montanha russa” de sua aventura no Utinga de pequeno trem leve, sem se referir à grife Decauville – talvez algo que na Alemanha lhe fosse familiar com(o) o nome de outra forja. Diante desse dilema o Laboratório Virtual solicitou ao LABTEC – Laboratório de Tecnologia das Construções – uma análise pormenorizada desse pedaço de trilho aparentemente em aço carbono. Estão à frente dessa checagem os professores Márcio Barata e Euler Arruda Júnior para que possamos dar prosseguimento às verificações históricas em fontes fiáveis e comparações compositivas das ligas; assim, no tempo necessário, o caos se vai à ordem e o céu azula.
Observamos que além da habitual equipe de pesquisa composta pelos editores deste site houve, nesta publicação, a participação do engenheiro florestal Diego Barros do IDEFLOR-BIO.
Em sua página oito, publica O Liberal de 03 de junho de 1973: Prefeitura começou a demolir os clippers da Av. Portugal. Pra nós, um furo de reportagem: uma novidade; como se soubéssemos, só agora, do paradeiro de um ente querido: alguém desaparecido no porão de alguma memória. O que se põe no chão em cimento armado retorcido fora “o” ícone do Streamline Moderne na Arquitetura belenense; projetado pelo arquiteto português Arlindo Guimarães em 1938/39, teve sua forma calcada em um Clipper (como hidroplano da PanAir), daí a nomenclatura CLIPPER às paradas modernas (feitas para ônibus, também usadas por bondes) que vieram depois desse modelo: inclua-se aí o tardio CLIPPER DO GUAMÁ que não permite o sumiço desse termo gringo do nosso vocabulário porque todo mundo sabe onde fica o Clipper do Guamá, referência no bairro – marco antigo pra dobrar à UFPA. A semelhança com o hidroavião Baby Clipper foi além da mimese: as proporções replicadas na PARADA (de ônibus) defronte à Praça do Relógio davam sensação ao usuário de que ele estava na sombra das asas (em balanço) de um Clipper (da PanAir); daí a população assim o apelidar, ganhando o “N°1” quando o segundo foi erigido no passeio do jardim da Castilhos França: o “Clipper N°2” – nem tão parecido com um hidroplano como seu predecessor. Deixaremos esta publicação em aberto porque há pauta ao resultado de algumas investigações sobre Arlindo da Costa Guimarães e sua residência pensada no Streamline de um iate.
O Clipper nº1 antes de ser duplicado na década de 1940 – foto em ângulo mais elevado que as da demolição de 1973
Ângulo reverso aos da demolição: João Alfredo ao fundo (anos 1940)
Foto publicada em O Liberal de 01 de junho de 1973 (pré-demolição); note-se que o equipamento fora duplicado com apoio de colunas – a construção original está mais próxima da esquina da João Alfredo, essa com as “asas” em balanço – com uma delas “apoiando” a edificação extemporânea e incongruente.
Fora lançado no dia 16 de outubro passado o livro Páginas à História da Medicina em Belém, de autoria dos médicos Aristoteles Guilliod de Miranda e José Maria de Castro Abreu Júnior; acompanhe o assunto na página do ICM-UFPA:
Edição do Laboratório Virtual a partir da matéria bruta
Observamos que o professor doutor Aristoteles Guilliod de Miranda é um dos editores do Laboratório Virtual. Ari possui um BAÚ (de recortes de jornais) que tem alimentado diversas pesquisas do Laboratório Virtual ao longo desses 15 anos de existência. A capa do livro tem a participação do Laboratório Virtual na concepção original reprogramada pela editora.
Registros do uso da Casa Palafita e do canteiro de obras em aulas de Representação e Expressão II somados às imagens de manufatura de uma escada provisória com sobras (descartadas) das madeiras certificadas empregadas na habitação experimental – um encurtamento emergencial de caminho e integração ao canteiro que será substituído por estiva.
Registros do início e da finalização da construção
Registros da inauguração
Clique na imagem ou neste hiperlink para acessar o resumo do projeto CASA PALAFITA – redação do professor José Júlio Ferreira Lima, diretor interino da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo do ITEC/UFPA.
As imagens exibidas na reportagem são do Laboratório Visual – podem ser vistas contextualizadas nas matérias abaixo linkadas; mas há uma correção necessária: o livro citado é de 1939 – a história/aventura é que se passa entre 1929/30.
Publicações do Laboratório Virtual que podem auxiliar em matérias jornalísticas sobre o Utinga:
Percebemos que a publicação do Diário Online (de ontem: 30SET2025) cometeu equívocos sobre o assunto; não atribuímos culpa ao jornal ou ao periodista; mas, a própria estrutura do nosso site que deles “escondeu” novidades. Tudo indica que Achados do Laboratório Virtual nas matas do Utinga (de 05ABR2025) tenha sido a única referência do LV ao que escreveu o jornal eletrônico de ontem – trata-se do início das investigações que muito avançaram diante do propósito ao qual a UFPA foi instada: 1929 – A aventura de Pola Brückner (Pola Bauer-Adamara) no Utinga; ou seja, para mais conteúdo (atualizado) seria necessário ir ao prompt do site – o vacilo foi nosso de não ter deixado os hiperlinks das descobertas. Mas… em reposta ao DOL: Não, não foram localizados 6 quilômetros de trilhos antigos; mas, fragmentos de trilhos Decauville – dos quais se tem conhecimento por Souza Araújo em A prophylaxia rural do Estado do Pará de 1922:
Ferrovias leves (desmontáveis e portáveis) como a Decauville foram fartamente utilizadas em indústrias de Belém e interior do Estado: olarias como a Landi da ilha das Onças, a de Bento José da Silva Santos na ilha de Arapiranga e a da Santana da Pedreira à beira do Guamá são comprováveis; a própria Estrada de Ferro de Bragança empregava tal equipamento em seus serviços e alguns de seus ramais, como o de Benjamin Constant, tinham o transporte de cargas e passageiros em linhas Decauville com locomotivas (obviamente menores).
O Laboratório Virtual resolveu a demanda do documentário alemão; contudo, as buscas no Utinga permanecem. Não se possui uma lista dos implementos Decauville adquiridos ao Utinga, mas é possível que por lá apareçam mais trilhos, trollers, vagonetes e até pequenas locomotivas… Assim nosso trabalho permanece em curso, ainda sem conclusões; todavia pode-se afirmar, em resposta ao jornal, que o Decauville do Utinga restringia-se aos serviços da Diretoria das Águas como um sistema próprio que não se interligava aos trilhos da E. F. B. por serem esses de bitola (distância entre trilhos) métrica – largura distinta dos 0,60m (Decauville). Tampouco encontramos qualquer indício de que trilhos do Decauville do Utinga, ou mesmo da E. F. B., tenham sido aproveitados no sistema de bondes urbanos na capital paraense: companhias distintas, equipamentos diferentes, incompatíveis. Por fim: os trilhos submersos encontrados no Parque do Utinga ficavam nas bordas de um canal artificial para servi-lo; uma elevação técnica no nível da água e a imprestabilidade do equipamento nos anos 1950, justificam a submersão.
A maniçoba da Dona Natal em Alenquer tem seus panelões sobre remanescentes pedaços de trilhos Decauville – qual a origem?
Publicações do Laboratório Virtual que podem auxiliar em matérias jornalísticas sobre o Utinga:
Durante os dias 17 e 19 de Setembro de 2025, dentro da programação da SITEC, a FAU UFPA sediou uma oficina de design modular focada na iconografia amazônica. Peças como ladrilhos e cobogós ganharam novas interpretações, transformando-se em manifestações tangíveis da nossa identidade regional. Durante dois dias intensos de ideação e prototipagem, o professor Jorge Eiró e seus orientandos Fhelype Nepomuceno e Guilherme Dahás desafiaram nossos futuros arquitetos a conectarem o presente com as raízes culturais ancestrais da Amazônia, provando que SIM, é possível inovar e, ao mesmo tempo, reconhecer e valorizar a diversidade e a riqueza dos nossos símbolos. É tempo de refletir sobre como o nosso entorno e nossa cultura podem — e devem — inspirar nossas criações como arquitetos e urbanistas (…e artistas, já que todo arquiteto é um artista!), tornando a arquitetura mais contextualizada, sensível e integrada ao lugar, por meio do design aplicado. Um brinde à criatividade que floresce quando nos permitimos CRIAR!
Audiovisual produzido pelos integrantes do minicurso
Oficina: Meu Querido Jardim da FAU Nos dias 17 e 18 de setembro de 2025, durante a programação da SITEC, aconteceu a oficina “Meu Querido Jardim da FAU”. A atividade foi conduzida pelos professores Rachel Sfair, Luís de Jesus, Fábio Mello e Jorge Leal Eiró, contando ainda com a colaboração do engenheiro florestal Reynaldo Luiz da Silva. A proposta reuniu alunos de diferentes semestres em dois grupos de trabalho. O ponto de partida foi uma aula introdutória dos professores, seguida da apresentação das espécies obtidas por Reynaldo. A partir desse repertório, os estudantes produziram croquis coletivos, mesclando ideias e experiências — inclusive de colegas que já haviam cursado a disciplina de Paisagismo e atuaram como monitores. O exercício ganhou corpo na medida em que as propostas foram sendo discutidas em conjunto, buscando-se convergências entre os desenhos para estruturar um projeto que valorizasse o espaço, priorizando sensações e experiências dos seus usuários cotidianos: professores e alunos da Faculdade. Já no encerramento do primeiro dia, iniciou-se a preparação prática do terreno para as ações do segundo dia de intervenção. A etapa seguinte mobilizou não apenas os inscritos na oficina, mas também outros membros da comunidade acadêmica, todos unidos em prol da preservação e ocupação de um espaço de contemplação que, para muitos, representa mais que um jardim — é um lugar de convivência e afeto: Nosso querido jardim da FAU. “[…] nessa praça cabe uma cidade, um jardim, uma flor […]” (Onde Flor, O Grilo).