1957 — arredores do Ver-o-peso e porto de Belém

Os audiovisuais aqui editados, a partir de material produzido em 1957 disponibilizado pela Chicago Film Archives, sinalizam que as tomadas ocorreram no mês de junho: aniversário do governador Magalhães Barata e feira de fogos de artifício na Praça do Relógio.
Curiosamente em abril, pouco mais de um mês pretérito, esteve em Belém o fotógrafo russo Dmitri Kessel a serviço da revista estadunidense Life; Dimitri fez registros do Ver-o-peso, do Porto de Belém, da Estação Ferroviária de São Brás, dos ônibus Zepelim, etc. — um olhar acurado talvez revele os mesmos personagens da vida real da cidade de Belém aprisionados pelas duas mídias estrangeiras.
Veja, no Blog da FAU, parte da produção de Dmitri Kessel.

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1957 — o Zepelim passa pela Independência com a Castelo

Mais sobre o Ônibus Zepelim no BF.

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1957 — o trem passa pela Almirante com a Vileta

Salomão Mendes, editor da página do Facebook intitulada Belém Antiga, trouxe à tona (e à baila) um precioso material de um site estadunidense; a tarimba de jornalista acabou por provocar, por cortes e inserção de músicas, a viralização, nas redes sociais e grupos de WhatsApp, de um insosso conteúdo de cinema surdo e mudo.
À semelhança de Salomão, também colaborador do projeto Blog da FAU e confrade da Memória, montamos um audiovisual, a partir da mesma matéria bruta do Chicago Film Archives, com propósito didático — aqui trabalhamos a mesma cena, repetindo-a por quatro vezes, em velocidades distintas para melhor apreensão de detalhes, como a moderna casa de Belisário Dias em contraste ao velho palacete que seria demolido em prol do novo Souza Franco do regime militar, a rodagem coberta pelo mato, uma locomotiva (ou: a Augusto Montenegro) aparentemente reformada se comparada a uma fotografia mais antiga:

Álbum de Augusto Montenegro 1908


O trem, no audiovisual, segue o trajeto Bragança/Belém com destino à Estação Ferroviária de São Brás.

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Paulo Maranhão e o elevador enguiçado da Folha do Norte


A emblemática fotografia do singular jornalista Paulo Maranhão foi publicada na revista Manchete (RJ) antes que este completasse os 94 anos — seu aniversário estaria por vir: 11 de abril — com os quais faleceria em 19 de abril de 1966.
Permanecemos na busca de dados que possibilitem a reconstituição do prédio projetado e construído pelo engenheiro civil Francisco Bolonha inaugurado em junho de 1931.
O texto que surge corrobora, sem ser cabal, com a assertiva de que o elevador (menos tosco) fora adaptado ao prédio depois de pronto e já com a Folha do Norte em funcionamento; todavia a imagem suscita outra dúvida, desta vez diante do cenário onde está Paulo Maranhão em 1965: ao fundo se vê uma folha de janela inteiriça composta por vidros e persianas mais (aparentemente) uma folha dupla por trás com a função de abafamento do som e supressão da claridade externos; as estantes (contendo a famigerada biblioteca de Paulo?) e a escrivaninha reforçam, objetivamente, que não estamos nem na redação, nem na gerência do jornal.
Essas ponderações provocam dúvidas: estaria Paulo Maranhão em sua casa da Generalíssimo Deodoro (ou da avenida Nazaré), ou no gabinete da residência (último pavimento) onde se improvisava uma academia de ginástica à família com o professor Oswaldo Diniz Magalhães?

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O elevador extemporâneo da Folha do Norte em Querido Ivan

Elevador (ascensor) presente no apêndice fotográfico do livro Querido Ivan, de Haroldo Maranhão: tal equipamento, mal enjambrado em uma das janelas que dão à 1º de Março pelo primeiro pavimento (térreo) da Gaspar Vianna, não se coaduna ao conjunto.

Em O novo edifício da Folha do Norte inaugurado em 1931 (in post) nos comprometemos em identificar as imagens que compõem Querido Ivan, de Haroldo Maranhão; de lá para cá algumas questões vieram à tona, foram investigadas e obtiveram respostas arrazoadas também figurativas.
Com o mesmo procedimento tentaremos explicar o porquê desse elevador não estar na inauguração da Folha do Norte em 1931 sendo lá posto em um porvir ora indefinido.
A própria fotografia apresenta a incongruência do equipamento diante de uma janela impedindo o movimento pleno de uma de suas folhas.
A Folha do Norte possuía um ascensor de serviço que interligava as oficinas; a última delas com a redação e gerência — certamente nenhum desses elevadores alcançava a Residência dos Maranhão de João que ocupava a completude do último pavimento.


Começamos do bê-a-bá, lendo ou cotejando as provas de paquê que subiam da oficina. Faziam o trajeto redação-oficina-redação pelo tosco elevador puxado a cabinhos

O elevador descrito por Haroldo Maranhão localizava-se quase que exatamente na esquina da 1º de Março com o Bulevar da República, entre os dois últimos vãos de janelas; entretanto, o outro, não tão tosco, fora posteriormente posicionado em um dos sete vãos gradeados da 1° de Março, provavelmente o terceiro no sentido Gaspar Vianna/Bulevar Castilhos França que interligava a gerência (2º pavimento) à rotativa (térreo da Gaspar Viana) — aqui o vazio de sua passagem: na sala de espera (da gerência) e por trás da rotativa:

Colaboração: Maria Regina Faciola Pessôa.

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O pátio onde a mãe de Haroldo Maranhão criou uma garça…

Haroldo Maranhão, nesta mesma varanda apelidada de O Imparcial para diferenciá-la da sacada do Bulevar Castilhos França — esta com portas que abriam para dentro da residência —, teve a primeira falange do indicador decepada pela porta de acesso à mínima varanda (que) abria para fora; peça reimplantada com sucesso pelo doutor Luiz Leão. (Querido Ivan, 1998)

Espiando o páteo da Dona Carmen em 1932

A bola da vez nas pesquisas do Blog da FAU/Laboratório Virtual é o “novo” prédio da Folha do Norte, reforma e ampliação feitas na esquina do Bulevar Castilhos França com a rua Gaspar Vianna pelo engenheiro Francisco Bolonha entre os anos de 1928 e 1931.
A peculiaridade dessa edificação se confunde com a história do jornal e da família Maranhão; uma vez que o patriarca, professor Paulo Maranhão, ainda na condição de secretário e não proprietário, viveu lá enclausurado com sua família nos altos do que ele chamava de sobrado — questão prática de sobrevivência ao laurista de maldita pena, um cavalão, ou: o Palma Cavalão.
João Maranhão, filho de Paulo, assumindo a antiga função do pai, seguiria seus passos habitando o último e estratégico pavimento de um edifício reestruturado para congregar o complexo jornalistico, administrativo e de oficinas gráficas; reverter-se em bunker quando necessário, e ser um lar para crianças fadadas a não ter uma infância comum, senão brincar de jornalistas e gráficos como Haroldo e Ivan da prole de João.
Em Edifício da Folha do Norte — o Frankenstein de Francisco Bolonha (hipótese) furtamos a importância técnica atribuída a esse edifício por anos superlativada; todavia, lembrou-nos o Márcio Barata, em texto complementar à matéria: … foi um projeto enxuto, de processos construtivos simples, mas que atendeu aos anseios das pessoas que ali viveram e trabalharam, e que ao meu ver, é a essência profissional da arquitetura…
Pois é… Bolonha oportunizou aos Maranhão, todos prisioneiros da resistência política, o vento fluente do nordeste a atravessar-lhes a casa, amplitude para mirar a Baía do Guajará e um lugarzinho para criar …uma garça, entre flores e legumes!
Quem sabe se o projeto da Nova Folha do Norte não foi o mais humanitário desenvolvido pelo engenheiro Francisco Bolonha, uma factual promessa de amor ao próximo que é perseguido por defender sua ideologia na opinião deste editor o Palacete Bolonha transmutar-se-ia em jardim e horta à liberdade da Villa em júbilo ao projetista.
Jamais imaginaríamos, se não revíssemos exaustivamente o material imagético mostrado, que o pavimento residencial possuísse uma circulação tão generosa; aliás, nem suspeitávamos, com base nas fotografias de Querido Ivan [publicadas em O novo edifício da Folha do Norte inaugurado em 1931 (in post)], que houvesse janelas naquela parede externa, já que as dos pisos anteriores foram registradas cegas internamente e não há, no livro de Haroldo Maranhão, imagens da residência que revelem (explicitamente) esses ambientes.
As investigações permanecem com o intuito de recompor a conformação interna e externa da Nova Folha na década de 1930.

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Edifício da Folha do Norte — o Frankenstein de Francisco Bolonha (hipótese)

Painel ampliável à melhor percepção das imagens

A “nova” sede do jornal Folha do Norte foi inaugurada em 8 de junho de 1931; dela já disseram ser o primeiro prédio em Belém, cujas fundações e estrutura foram executadas em concreto armado e o IBGE, em sua página institucional, afirma, sem disponibilizar a fonte, que foi o primeiro edifício na América do Sul com estrutura metálica.
O painel acima parece contestar, por fotografias de momentos distintos, essas duas assertivas.
Ao que se percebe houve reformas e ampliação de uma edificação registrada por Augusto Fidanza por volta de 1875, possivelmente geminada (de numerações independentes) colada à firma B. A. Antunes e Cia. instalada em 1870 em prédio visivelmente contemporâneo.
A edificação colonial que hospedaria o jornal Folha do Norte desde que este saiu de sua primeira sede no Largo da Independência fora constituída, em sua projeção ao Bulevar da República, de três pisos com pé direito mais baixo que o da B. A. Antunes e Cia. com seis vãos verticais na fachada recebedores dos conjuntos de portas e janelas, três para cada endereço (na fotografia de Caccavoni se vê apenas a sexta parte da construção pegada à B. A. Antunes e Cia. suficiente à reprodução modular).

Visão da rua da indústria, via da numeração: ao que tudo indica o antigo prédio da Folha do Norte, à semelhança de seu geminado, possuía apenas um pavimento; o que parece acrescer são os dois (novos) andares e frontão, principiando pelo da sacada em concha — elemento nouveau dessa fachada alterada por Bolonha em 1931

Se a interpretação dessas imagens estiver correta, a Nova Folha do Norte não passou de uma reforma que ampliou a velha construção ao quarto pavimento que suporta o mirante projetado ao Bulevar da Castilhos França; e, dois, à fachada da Gaspar Vianna.
Essa nova percepção da rua da Indústria nº33, esquina com a 1° de Março, vista no painel temporal, mostra também que o prédio passou por interferências preliminares à Nova Folha como visto na aposição de platibanda; desse modo, o gradil com o monograma FN que resguarda o térreo entre a 1° de Março e a velha Rua da Indústria (Gaspar Vianna), pode ter pertencido ao periódico quando este ainda era habitado, nos altos, pelo ainda secretário da Folha Paulo Maranhão e família como trincheira durante sua guerra contra Antônio Lemos nas primeiras décadas do século XX da qual saiu vencedor em agosto de 1912 com o incêndio de A Província do Pará e da residência daquele intendente.

A partir daqui franquearemos a palavra ao professor Márcio Santos Barata, experiente na análise de construções antigas e docente do Programa de Pós-graduação em Arquitetura e Urbanismo da UFPA; observador, contestador  e colaborador diante da elaboração desta hipótese:


Fontes: Painel FN.

Colaboração: Confraria da Memória.

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Cartão de Varal — Representação e Expressão II, 2018

Conteúdo e audiovisual de plena responsabilidade das duas turmas de Representação e Expressão II do segundo semestre de 2018.

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O novo edifício da Folha do Norte inaugurado em 1931 (in post)

A pesquisa está em andamento e a matéria poderá sofrer modificações!


Painel ampliável à leitura e percepção das imagens

A partir de fotografias que ilustram Querido Ivan — livro do paraense Haroldo Maranhão editado pelo Jornal Pessoal de Lúcio Flávio Pinto em 1998 —, arriscou-se configurar a disposição dos ambientes no edifício dito, no dia subsequente à sua inauguração, pelo periódico carioca Diário de Notícias: todo em cimento armado, com quatro andares e provido de installações luxuosas e modernas. O predio é avaliado em mil contos.
A nova sede da Folha do Norte, já propriedade do professor Paulo Maranhão (1872/1966), fora planejada e executada pelo engenheiro civil Francisco Bolonha (1872/1938) formado na turma de Dezembro de 1894 da Escola Polytechnica do  Rio de Janeiro — note-se que Paulo Maranhão e Francisco Bolonha, apesar de origens sociais bastante distintas, nasceram no mesmo ano (1872).
Haroldo Maranhão, neto de Paulo Maranhão, em Rio de Raivas (romance de 1987 publicado pela Francisco Alves) não desvenda o mistério da compra do Folharal pelo personagem Palma Cavalão de humilde berço.
A Folha do Norte de Querido Ivan, possivelmente retratada em 1935, mostra o uso misto da edificação que tinha o último pavimento destinado à moradia de João Maranhão (pai de Haroldo) com sua família nuclear e o restante do imóvel na complexa função de jornal: administração, redação e oficinas — João já gerenciava o periódico antes das novas instalações, quando a Folha era anunciada na rua Gaspar Vianna n°33.
A Folha do Norte surgiu em 02 de janeiro de 1896 com Enéas Martins & C.ª (Cypriano José dos Santos foi um dos sócios fundadores) passando posteriormente às mãos de Cypriano — Paulo Maranhão, seu secretário, teria comprado o jornal dos herdeiros daquele que faleceu em 05 de novembro de 1923.
O primeiro endereço da Folha do Norte foi na Praça da Independência números 16 e 17 lado da 16 de Novembro passando, em momento ainda desconhecido por este editor, à rua da Indústria (ou Gaspar Vianna n°33).
O Diário da Tarde do Paraná em notas de 1957 ratifica O Industrial do Pará de 03 de abril de 1902: (Paulo Maranhão) durante dilatado período, ao tempo do lemismo, morou no próprio jornal com sua numerosa prole, sem pôr o nariz na rua sob pena de ser assassinado — o mesmo modus operandi que seu filho João praticaria no novo edifício da Folha a partir de 1931 que se transformava em bunker quando eletrificadas suas grades externas.
O hiato nas investigações provoca um questionamento: o que havia no número 33 da Gaspar Vianna, o segundo endereço da Folha do Norte?
Seria um local distinto do da nova Folha ou esta construção de Francisco Bolonha fora tocada com o jornal em atividade desde, pelo menos, outubro de 1930?
Haroldo Maranhão, em Querido Ivan, diz: … Lembrarás o jardim e a horta que (dona Carmem, mãe deles) construiu no páteo de cimento armado que ficava sobre a “casa ao lado”, que era “O Imparcial”. Criou uma Garça, entre flores e legumes!
Estaria O Imparcial ocupando as oficinas gráficas do nº31, onde teria funcionado a Folha do Norte durante a ampliação e modernização do n°33?


Referência:
As três faces de Haroldo Maranhão: o leitor, o jornalista, o escritor;
de Maria Juliana da Siva Medina.

Colaboração:
Confraria da Memória.


Acompanhe, em novas matérias, a evolução da pesquisa:
Edifício da Folha do Norte — o Frankenstein de Francisco Bolonha
O pátio onde a mãe de Haroldo Maranhão criou uma garça…
O elevador extemporâneo da Folha do Norte em Querido Ivan

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O Porto do Carvão em Pinheiro (Icoaraci) — 1908


Carvão - Pinheiro

As três fotografias acima ilustram o relatório do governador do Pará, Augusto Montenegro, publicado como O Pará – 1908;  nelas se vê uma ponte, ou trapiche, de estrutura metálica na forma de T com a finalidade de desembarque do carvão importado de Liverpool pela firma Booth & C.ª contratada pela Secretaria da Fazenda ao fornecimento desse combustível, então recém substituto da lenha em Belém, à Estrada de Ferro de Bragança que o repartia entre si (47,9%), a Diretoria das Águas (32,4%) e outros próprios do Estado: Theatro da Paz (0,67%), Instituto Orphanologico do Outeiro (0,22%), Recebedoria do Estado (0,07%),  Diário Oficial (0,07%) e Serviço Sanitário (0,018%) — mantendo o estoque de 18% em seus depósitos.
O que aqui chamamos, por dedução, de Porto do Carvão, fora planejado para operar em consonância com a Estrada de Ferro de Bragança, imprescindível tanto ao funcionamento desta quanto ao das estratégicas usinas do manancial do Utinga pertencentes ao Estado por intermédio da Diretoria das Águas — certamente o transporte de passageiros e cargas particulares ocupou importância secundária já que havia linha marítima subvencionada e regular à Villa do Pinheiro (Icoaraci).
De todo modo a Estação de Passageiros à Praça Paes de Carvalho no Pinheiro seria inaugurada provisoriamente em 07 de janeiro de 1906 e em definitivo quatro meses e três dias depois, a 10 de maio de 1906; já o Porto do Carvão, situado á margem do rio, entre o logar Ponta Grossa e a foz do Maguary, o ponto escolhido para esta construção, fez-se ao prolongamento do eixo da travessa Andradas só seria entregue em 30 de novembro de 1906.
Em outubro de 1905, diz a Mensagem de 1906: … o carvão excluiu completamente a estrada (de Ferro de Bragança) da lenha; entretanto, tal permuta se dera por um custo elevado, já que a entrada desse novo combustível às caldeiras estatais ocorrera improvisadamente pelo Arsenal de Marinha antes de entrar em atividade o Porto do Carvão em Pinheiro.

Utinga — assentamento de tubulação auxiliada pelos desmontáveis trilhos Decauville

O engenheiro civil João de Palma Muniz em sua Carta da Zona da Estrada de Ferro de Bragança e da Colonização do Estado publicada em 1908 não dá à visão os 1.000 metros que separavam a Estação do Pinheiro (terminal do ramal) do Porto do Carvão; da mesma maneira não há informações sobre o traçado no ramal do Utinga, com 1.800 metros para onde se transportava o cavão às usinas da Diretoria das Águas que possuía 6 quilômetros de trilhos Decauville (bitola estreita de 0,60m) para o trabalho interno; assim, também sem desenho, é tratado o ramal do Catú com 1.200 metros que teria entrada em um ponto da Estrada de Ferro de Bragança, entre o Asylo da Mendicidade e o Entroncamento, donde se buscava, no igarapé Buiussuquara, aterro (resultado de dragagens) às obras da malha ferroviária da E.F.B..

Projeto da ponte do Entreposto Municipal/Deposito de Inflammaveis

A ponte metálica projetada ao Entreposto Municipal-Deposito de Inflammaveis publicada no Álbum de Belém 1902 — que por ora não sabemos se foi ou não construída — mostra, na representação gráfica, semelhanças nas descrições técnicas da ponte do Porto do Carvão em Pinheiro (Icoaraci), já que ambas se utilizam do sistema construtivo denominado Mitchell patenteado pelo engenheiro irlandês Alexander Mitchell para erigir arcabouços metálicos em terrenos instáveis, o mesmo utilizado na primeira montagem do Farol do Apehu, em setembro de 1902, na ilha defronte à foz do rio Gurupi em Viseu — fronteira costeira entre Pará e Maranhão.
As investigações prosseguem com o intuito da virtualização/animação do Porto do Carvão:

Pelos dados publicados nas mensagens do governador Augusto Montenegro ao Congresso Legislativo do Estado do Pará junto às fotos de seu álbum conclui-se que o Porto do Carvão ficava na Siqueira Mendes no prolongamento da travessa dos Andradas como se vê nas imagens do Google.


Referência: A Estrada de Ferro Belém-Bragança: para além da integração (1901-1908); de Luís Augusto Barbosa Quaresma.

Fontes: Mensagem 1904, Mensagem 1906, Mensagem 1907Mensagem 1908, Correio Paulistano de 25JAN1910 A PROPHYLAXIA RURAL NO ESTADO DO PARÁ – VOLUME I.

Colaboração: Confraria da Memória.

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Quatro Estrelas no Guia do Estudante 2018

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Clichê da Montanha Russa de Francisco Bolonha (1899)

Fotografia tirada do Botequim Aéreo com 600m² à entrada da Scenic Railway

Após quase dois anos de pesquisas sobre a Ferro Via Aérea Sensacional — ou simplesmente Montanha Russa de Francisco Bolonha & Comandita — encontrou-se, hoje, a primeira imagem do equipamento de diversão pública assentado no leito da travessa Piedade [apelidada Largo do Chafariz (do Bispo)].
A Roller Coaster, de fabricação estadunidense, teve um custo de US$30.000, pagando-se  em 10 semanas (de funcionamento) — observemos que os US$30.000 de 1900 equivaleria hoje a aproximadamente 900 mil dólares; ou seja: R$3.380.000,00.
A Montanha Russa do Bolonha foi inaugurada em 06 de agosto de 1899 possuindo um percurso total de 1.000 metros (um quilômetro) percorridos entre 2 e 3 minutos — o que equivaleria a uma velocidade média de 25km/h, atingindo a máxima de 96km/h.
No clichê publicado no dia 11 de setembro de 1910 pelo jornal NEW-YORK DAILY TRIBUNE dando o histórico dessa invenção, vê-se ao fundo a Baía do Guajará revelando, no raro skyline, a chaminé da usina de eletricidade da Companhia Urbana da Estrada de Ferro Paraense que em 1905 passou a ser propriedade da Parah Electric Railways and Lighting Company Ltd.— não sabemos quando o equipamento foi desmontado e a última nota de sua existência (operando ou não), dada no periódico Commercio  do Amazonas (AM), é de dezembro de 1900.
À esquerda da Montanha nota-se o espaço ao trânsito de pedestres no calçamento do casario do Largo do Chafariz; já à direita, o terreno quase baldio (de aproximadamente 77.500m²) pertencente à Intendência Municipal de Belém que fora expropriado em setembro de 1899 a favor do Instituto Kinesitherapico, segundo o Relatório de Antonio Lemos (1897-1902); a Villa e Avenida Bolonha, bem como o Palacete (este por último), foram edificados quase uma década depois dentro dessa área de cota baixa remanescente do vale do Igarapé da Fábrica de Sola (depois Igarapé do Reducto) que até hoje deságua na Doca do Reduto construída em 1852.
Estamos analisando a foto da Roller Coaster (ou Scenic Railway) do Bolonha para compreender seu desenho e determinar a superfície necessária para perfazer os 1000 metros de trilhos.
O Chafariz do Bispo, inaugurado em 1802 por Souza Coutinho e soterrado com a expansão da água encanada em Belém, apesar de localizado às proximidades da rua Ó de Almeida, nomeou popularmente as atuais Piedade, Aristides Lobo e também a Doutor Moraes — sem considerar o Becco do Bispo que ainda não identificamos sua localização no bairro do Reduto.

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À Liberdade de Cátedra — divulgação


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Mais um vacilo da Feira do Som

A pergunta de hoje (08NOV2018) feita na Feira do Som da Rádio Cultura do Pará FM foi: qual o nome original da rua Tiradentes no bairro do Reduto?
A resposta, certamente baseada no livro de Ernesto Cruz intitulado Ruas de Belém…, foi: “Sem modificação” — “uma pegadinha do Grisalho Couto”, disse Edgar Augusto, apresentador do longevo programa, depois de revelá-la.
Na realidade a rua Tiradentes se chamava rua da Pedreira como comprovam o mapa levantado pelo engenheiro inglês Edmund Compton em 1881 e o jornal A República de 02 de outubro de 1890.
Infelizmente não ficamos atentos às questões diárias que habilitam os participantes ao sorteio dos prêmios, mas hoje (mais uma vez) detectamos deslize da produção, mesmo por nós alertada, pelo telefone divulgado aos ouvintes, indicando as fiáveis referências primárias: a planta e o periódico.
Se as fontes (neste caso o Ruas de Belém…) da Feira do Som fossem sempre citadas a responsabilidade recairia sobre os autores (neste caso o Ernesto Cruz) das informações e não os produtores do programa.
Também seria interessante, pelo alcance da radiodifusão, que a Feira abrisse espaço às contestações; afinal: a única coisa que muda do passado é a História.

Veja a completude do material em Belém — a Planta de 1881 e as vias republicanas de 1890.

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Escolhida, por aclamação, a nova direção da FAU

Em reunião realizada na última terça-feira (dia 06 de novembro), às 10 horas, escolheu-se, por aclamação, a única chapa concorrente à vice-direção e direção da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo do ITEC/UFPA: professores Roberta Menezes Rodrigues e Luiz de Jesus Dias da Silva.
O mandato dos atuais diretor e vice (Fabiano Homobono e Jorge Eiró) encerrará no dia 13 vindouro.

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A Villa Nipponica vira Hospedaria de Belém em 1942


Ampliável à leitura

Em troca de e-mail com o doutor Alfredo Kingo Oyama Homma, pesquisador da Embrapa, disse ele: Precisamos saber quando a Hospedaria deixou de “ser” dos japoneses, pois em 1935 a Companhia Nipônica decreta a falência e em 1936 vêm as últimas 12 famílias e 3 rapazes solteiros; fim dos imigrantes do pré-guerra.  Se ficou nas mãos de japoneses foi tudo confiscado quando o Brasil declarou Guerra ao Japão.
O prognóstico de Homma — investigador científico que escreve livros sobre imigração japonesa na Amazônia — é confirmado por uma matéria publicada em maio de 1943 pelo periódico O Observador Economico e Financeiro (RJ).
Homens para a Borracha retrata esse momento da II Guerra Mundial, dos Soldados da Borracha e da Hospedaria dos Japoneses (ou Villa Nipponica) que sofrera reparos emergenciais para revitalizá-la e a transformar nominalmente em Hospedaria de Belém; ponto de distribuição da massa de nordestinos às necessidades e aos seringais para extrair o látex essencial às máquinas bélicas dos aliados.
Um detalhe de fotografia publicado em A Villa Nipponica do Largo da Penitenciária – 1929 revela, corroborando com Homma, que em 1939 tal hospedaria estava abandonada, visivelmente destelhada em algumas partes.
O Observador Economico e Financeiro (RJ) de outubro de 1958 Nº272 mostra a queda acentuada na imigração japonesa em todo o Brasil a partir de 1936 até 1941; bem como afirma:  Dêsse ano (1941) em diante, com a nossa entrada na guerra mundial contra as nações que constituíam o chamado Eixo, do qual fazia parte o Japão, houve interrupção na afluência migratória japonêsa para aqui, tendo ela recomeçado somente em 1952.
A intenção, por ora, não é um aprofundamento nas circunstâncias da imigração japonesa ou migração sertaneja; mas, tão somente trazer à baila imagens da Villa Nipponica (ou Hospedaria dos Japoneses) construída em madeira (diferente da Hospedaria dos Flagelados do Nordeste na eternamente inacabada Penitenciária de robustas fundação e alvenaria), localizando-se no Largo da Penitenciária e, ao que se percebe pelas comparações fotográficas, passada por parcas modificações para se transformar em Hospedaria de Belém sob os auspícios do autocrático Departamento Nacional de Imigração da ditadura Vargas pelo menos até o fim da II Guerra.


O clichê acima, que certamente mostra em primeiro plano o prédio principal (com mastro) da Villa Nipponica ladeado pelo Pavilhão Sanitário (de isolamento), dá à visão, distribuídas em seu horizonte, a platibanda e as três últimas janelas da direita do pavimento superior dos fundos da hoje Reitoria da Universidade do Estado do Pará — não houve ângulo para alcançar as ruínas da administração da Velha Penitenciária, ou Castelinho da UEPA, à esquerda.
Não esqueçamos que vestígios arqueológicos da Villa Nipponica e da Hospedaria de Belém podem ser encontrados no terreno da Escola Técnica Estadual Magalhães Barata.

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O Largo da Penitenciária deixa de ser uma abstração


Ampliável

Em algumas publicações nossas sobre a Penitenciária do Estado do Pará — obra iniciada em 1893 que jamais cumpriu a função de prisão, mas serviu de abrigo em 1911 ao pessoal jornaleiro da equipe de Oswaldo Cruz e em 1920 como Hospedaria dos Flagelados aos migrantes da região Nordeste do país (não sabemos ainda por quanto tempo isto ocorreu) — citamos o endereço Largo da Penitenciária sem entender, com exatidão, sua configuração real.
Agora, conhecendo a localização exata da Villa Nipponica — ou Hospedaria dos Japoneses — que possuía o mesmo endereço da Hospedaria dos Flagelados, sem ocupar as mesmas edificações, conseguimos determinar, de modo comprovado, o quadrilátero que tinha o nome de Largo ou Praça da Penitenciária: o atual quarteirão conformado pelas travessas José Pio e Djalma Dutra com as ruas da Municipalidade e do Una.
No livro Primeira Manhã (1967) o escritor Dalcídio Jurandir cita por nove vezes a Penitenciária: … a Penitenciária Modelo do Norte do Brasil agasalhando flagelados do sertão é um exemplo:

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Ou descrevendo a aparência da edificação à noite:

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