O magnífico Mario Braga Henriques

O governador do Estado, Magalhães Barata; o presidente da República, Juscelino Kubitschek; e: o primeiro reitor da Universidade do Pará, Mario Braga Henriques, discursando no ato solene de instalação desta, em 31 de janeiro de 1959, no Theatro da Paz.

Em O brilhantismo estudantil de Mario Braga Henriques mostrou-se, por documentos, que Mario Braga Henriques foi um prodígio em sua vida acadêmica: ingressou por vestibular no curso de direito da Faculdade Livre de Direito do Estado do Pará aos 14 anos, bacharelou-se aos 19 1/2 e submeteu-se, aos 24, a concurso para professor da mesma instituição de ensino superior que o formou, sendo aprovado, por defesa de tese, à 2ª Cátedra de Direito Comercial.
Mas, como teria sido Mario Braga Henriques na condição de primeiro reitor de uma recém criada Universidade federal que iniciaria seus serviços congregando sete unidades antes autônomas?
A imagem cultivada do reitor Mario Braga Henriques é de um velho professor aposentado que morava no Rio de Janeiro (então Capital Federal) chegado a um uisquinho.
Há fatos que rasgam essa caricatura esboçada por décadas; senão, vejamos:
Mario Braga Henriques foi nomeado reitor da Universidade do Pará com 49 anos de idade e dela saiu aos 52 cumprindo a totalidade de seu mandato; mas, em primeiro lugar, se Mario fosse um professor aposentado, o Estatuto Original de 1957 o impediria de ocupar tal cargo:


O artigo 22 do Estatuto Original é claro: apenas professores catedráticos efetivos poderiam ser indicados para reitor da Universidade do Pará; em segundo: Mario Braga Henriques fez cursos de 40 semanas — aproximadamente 10 meses — durante o ano letivo de 1964, como estagiário da Escola Superior de Guerra, intitulados Curso Superior de Guerra e Curso de Altos Estudos de Política e Estratégia para civis; detalhe relevante: Mario Braga Henriques lá estava na qualidade de efetivo do quadro docente da Universidade do Pará:


Assim Mario Braga Henriques aos 56 anos de idade, quase quatro após ter sido o primeiro reitor da Universidade (Federal) do Pará, submeter-se-ia à disciplina e às 40 horas semanais na Escola Superior de Guerra; feito incomum a um velho professor chegado a um uisquinho.
Mario Braga Henriques foi o primeiro Consultor Jurídico do Banco da Amazônia S. A. que a ele mandou celebrar missa de 7º dia com convite no jornal Diário do Pará em 11 de setembro de 1985 — se a UFPA fez o mesmo, ainda não foram encontrados vestígios.
Como advogado Mario Braga Henriques participava de um escritório no Rio de Janeiro; e, ao contrário dos sócios Álvaro Fonseca e Marioscar Fonseca, Mario usava o “Prof.” em vez do “Dr.” franqueado à profissão por Dom Pedro I em 1827.
Talvez a pecha de aposentado tenha relação com a cedência, pela Faculdade Livre de Direito, de seu catedrático ao Senado Federal, como ocorreu em 1951, no governo de Getúlio Vargas —  que decretou para seu lugar Maurício Cordovil Pinto* como professor substituto:


Em 1958, já como primeiro reitor da Universidade do Pará, Mario Braga Henrique compõe outra comissão no Senado Federal, desta feita à Unificação Das Atividades do Banco de Crédito da Amazônia no governo de Juscelino Kubitschek.
Ao que tudo indica o brilhante acadêmico Mario Braga Henriques era frequentemente requisitado, como consultor jurídico, pelo executivo e legislativo federais em questões pertinentes à sua área de formação e atuação: o Direito Comercial; justificativa à sua residência e domicílio na capital da República com a aquiescência da União.
O professor José Maria de Castro Abreu Júnior, profícuo colaborador deste site, forneceu-nos a matéria A sobrevivência da Universidade no período inicial foi quase um milagre publicada em A Província do Pará de 06 de março de 1960; tal reportagem traz o discurso de Mario Braga Henriques proferido diante da Assembléia Universitária na manhã de 05 de maio de 1960 no auditório da SAI (Sociedade Artística Internacional); nele o reitor  lembra êsses longínquos anos de 1922** quando se desfraldava a bandeira da campanha em pról da Universidade, sendo uma das mais entusiastas desencadeada pela “Tribuna Acadêmica” sob minha direção (Mario Braga Henriques), de Otávio Meira, Luciano Bentes e Tiago Ribeiro Pontes.
Na sequência o magnífico faz breve histórico do projeto que criaria a Lei 3191 de 02 de julho de 1957; em especial ao engessamento provocado pelo art. 9º § 1º (introduzindo regime de exceção diante das demais universidades brasileiras):

O fato do Estado do Pará e do Município de Belém não possuírem terras na Primeira Légua Patrimonial que atingissem uma área de extensão mínima de dois quilômetros quadrados para doarem à futura Cidade Universitaria paraense fez com que a Reitoria trabalhasse com os 20% do § 1º: incertos Cr$12.000.000,00; desse modo: A sobrevivência, pois, de nossa Universidade, Srs. Membros desta Magna Assembléia, nos dois anos decorridos de 1958-59, pode-se dizer, foi quase um milagre.
Em sua fala Mario Braga Henrique diz que o deputado gaúcho Tarso Dutra a quem a Universidade do Pará é, particular e sinceramente agradecida, conseguiu consignar, no orçamento da República para o ano corrente de 1960, destinada a encargos diversos, material e obras, a quantia de CR$40.000.000,00 que, — somada aos CR$12.000.000,00 da SPVEA — já proporcionam desafogo, permitindo no terceiro ano de existência da Universidade, desfrutar situação de relativa tranquilidade.
Findo o discurso do primeiro magnífico inicia-se a aula de sapiência (ou magna) do representante do corpo docente universitário paraense, prof. dr. Josué Justiniano Freire, digno Diretor da Escola de Engenharia.
Entendamos o discurso de Mario Braga Henriques como um relatório sucinto e crítico de suas atividades como reitor da UP: Julgai-me, afinal: pelo pouco que recebi, o muito que procurei fazer! Justiça! É só o que vos peço.

*Maurício Cordovil Pinto compõe a lista de concluintes da turma de estagiários formados em 1964 pela Escola Superior de Guerra na qualidade de desembargador; cursara a ESG pela ass. Magist. Brasileira.

**A primeira matrícula de Mario Braga Henriques na Faculdade Livre de Direito se deu em 1923, e não em 1922, conforme sua própria tese Das Sociedades Mercantis Irregulares; Otávio Meira, por ele citado — 18 dias mais moço que Mario —, só entraria naquele curso em 1924, o que demonstra a falha na datação dada pelo orador; sobre Luciano Bentes e Tiago Ribeiro Pontes nada encontrado até o momento.

Ler A Escola Superior de Guerra e a formação de intelectuais no campo da
educação superior no Brasil (1964-1988);
por Jaime Valim Mansan.

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O brilhantismo estudantil de Mario Braga Henriques

Esboço de medalha ao Mérito Estudantil da UFPA

O primeiro reitor da Universidade (Federal) do Pará, Mario Braga Henriques, nasceu em Belém no dia 10 de fevereiro de 1908 e faleceu no Rio de Janeiro em 05 de setembro de 1985 aos 77 anos.
O período reitoral de Mario Braga Henriques foi regular perante o Estatuto Original da UP: 3 anos iniciados em novembro de 1957 e finados com a posse do segundo reitor, José da Silveira Netto, em 18 de dezembro de 1960.
Durante os três anos de mandato de Mario Braga Henriques, segundo ele próprio, somente no exercício de 1960 — o último de sua gestão — houve razoável (e insuficiente) aporte de verbas à recém criada instituição de ensino superior no Estado do Pará.
Mas não é do reitor apagado da memória institucional que trataremos aqui e sim do brilhante estudante que ingressou na Faculdade de Direito do Pará em 1923.
Em sua Tese para concurso a professor catedrático da 2ª cadeira de Direito Comercial à Faculdade de Direito do Pará publicada em 1932, Mario Braga Henriques transcreve o resultado de sua petição ao Sr. Dr. Diretor da Faculdade de Direito do Pará:


Mesmo desconhecendo o Regimento Interno da Faculdade Livre de Direito, entende-se que o aluno Mario Braga Henriques prestou vestibular aos catorze anos de idade e fora matriculado no curso com 15 já completos em 31 de março de 1923; recebeu o gráu de bacharel em ciencias juridicas e sociais com 19 anos e seis mêses de idade.
Desse modo a legalidade do documento assinado pelo Primeiro Oficial da Secretaria, Antonio Gonçalves Bastos, superpõe-se ao periódico A Província do ParÁ de 10FEV1959 que afirma ser Mario Braga Henriques da turma de 1929 e não da de 1927 como de fato é atestado por certidão de fé pública.
Mario Braga Henriques assumiu a reitoria da Universidade do Pará aos 49 anos, 30 depois de formado e 24 como professor catedrático da Faculdade onde estudou — o hiato de seis anos corresponderia hoje a um mestrado e doutorado sequenciados.
A trajetória acadêmica de Mario Braga Henriques pode ser estimuladora a estudantes, embora se apóie em parâmetros tácitos: pouca idade e muitos títulos.
A UFPA já comemorou sessenta aniversários sem homenagear seu primeiro reitor; talvez uma medalha, objeto de concurso público nacional no qual qualquer cidadão esteja apto a concorrer, repare uma injustiça histórica — os rudimentos da ilustração mostram no anverso um jovem catedrático que alcançou o cume da carreira docente e, no reverso, o brasão original criado por Maÿr Sampaio Fortuna a pedido do primaz magnífico e mantido até o Golpe hoje Civil-Militar de 1964.
Lembrar de uma pessoa de prodigiosa trajetória universitária como alguém chegado a um uisquinho que nem morava aqui é redução em excesso.

Colaboração: José Maria de Castro Abreu Júnior.


Diante ao equívoco de A Província do Pará é mais acertado que façamos as devidas correções na publicação O reitor Mario Braga Henriques foi aluno prodígio da Faculdade de Direito nos anos 1920 para evitar confusões aos nossos ledores — não usaremos o habitual postscriptvm, retificaremos o ano no recorte do periódico hiperlinkado.

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O reitor Mario Braga Henriques foi aluno prodígio da Faculdade de Direito nos anos 1920

O primeiro reitor da Universidade (Federal) do Pará, Mario Braga Henriques, bacharelou-se pela Faculdade Livre de Direito do Pará na turma de 1927 com 19 anos e seis mêses de idade e em toda a existência do tradicional estabelecimento de ensino superior, foi o único aluno que recebeu a medalha Teixeira de Freitas, prêmio especial destinado aos que se destacam excepcionalmente nos estudos jurídicos.
Em 1º de fevereiro de 1929 — antes de completar os 21 no dia 10 — foi nomeado official de gabinete do governador por Eurico de Freitas Valle, chefe do executivo estadual entre 1929-30 e professor cathedratico da referida  Faculdade.
No dia 05 de abril de 1933, já com 25 anos, Mario Braga Henriques passou a integrar o Conselho da Faculdade de Direito como membro nato, uma vez que ocupara a vaga de cathedratico concursado de Direito Commercial aos 24; sua tese, datada de 1932: Das Sociedades Mercantis Irregulares.
Foi depois, durante vários períodos, diretor da Faculdade, tendo, na oportunidade, estimulado reformas de grande repercussão na vida do tradicional estabelecimento de ensino superior.
Licenciado da Faculdade Livre de Direito do Pará passou a exercer funções de consultor do Banco de Crédito da Amazônia na Agência da Capital Federal (Rio de Janeiro), ali fixando residência.
Em novembro de 1957 é convocado pelo Presidente da República (Juscelino Kubitschek de Oliveira) para dirigir a mais nova Universidade do Brasil; no caso a UP, Universidade do Pará, instituição federal.
Mario Braga Henriques cumpriu seu mandato de 3 anos de forma estatutária regular transmitindo o cargo de reitor a José Rodrigues da Silveira Netto no final de 1960 — Silveira reitorou por quase uma década: de dezembro de 1960 a julho de 1969, o que corresponderia, pelo Estatuto Original da UP, a três mandatos consecutivos de Henriques.
Por ora é o que se sabe de Mario Braga Henriques, o esquecido reitor de número um da Universidade Federal do Pará.

Fontes: A Província do Pará  de 10FEV1959 e de 24ABR1959.
Colaboração: Aristóteles Guilliod de Miranda e
José Maria de Castro Abreu Júnior.

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Confirmado: Teixeira Lott foi o primeiro Honoris Causa da UFPA


No início da noite de domingo, dia 27 de março de 1960, no auditório da Sociedade Artística Internacional — prédio atualmente ocupado pela Academia Paraense de Letras — o primeiro reitor da então Universidade do Pará outorga o título honorífico Nº01 da instituição criada pela Lei 3191 de 2 de julho de 1957; Mario Braga Henriques dá, perante a nobre Assembleia Universitária, a honraria de Doutor Honoris Causa ao marechal Henrique Batista Duffles Teixeira Lott.
O ato teve cobertura do jornal A Província do Pará publicada na terça-feira seguinte, dia 29 de março de 1960, sob matéria intitulada Precisa esta Universidade expandir-se para maior glória da Cultura Paraense, encontrada hoje na Biblioteca Públia Arthur Vianna pelo colaborador José Maria de Castro Abreu Júnior, donde tiramos o trecho da primazia:


Espera-se, com esta contribuição, que a SEGE — Secretaria-Geral dos Conselhos Superiores Deliberativos — da Universidade Federal do Pará habilite tal titulação em sua página da Web; bem como sugerimos que a mesma UFPA tire de debaixo do tapete o título de Doutor Honoris Causa dado pelo segundo reitor da Universidade, José Rodrigues da Silveira Netto, ao marechal Arthur da Costa e Silva por ocasião da inauguração do Conjunto Pioneiro da UFPA em 1968.
Essas duas láureas, somadas a do general de exército Emílio Garrastazu Médici em 1970, revelam o posicionamento político e ideológico dos primeiros dirigentes da Universidade (Federal) do Pará; portanto, são de fundamental importância à memória, à história e à crítica institucionais.
Não adianta enterrar; alguém, n’algum dia, exumará.

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Teixeira Lott — o pop Doutor Honoris Causa da UFPA (1960)

Fontes: O Globo (06MAI1959) e O Cruzeiro (08AGO1959).

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O marechal Teixeira Lott foi Doutor Honoris Causa pela UFPA em 1960

O site da Universidade Federal do Pará, em Títulos Honoríficos Outorgados, suprime  o Doutor Honoris Causa concedido pelo primeiro reitor Mario Braga Henriques ao marechal Henrique Batista Duffles Teixeira Lott quando a Universidade ainda não possuía o Federal em sua nomenclatura institucional; chamava-se apenas Universidade do Pará, criada a menos de três anos, em junho de 1957.
O fato ganhou notoriedade nos jornais cariocas pelos beijos faciais que o magnífico Braga Henriques deu no então candidato à Presidência da República pelo PSD — Partido Social Democrático — e coligação em março de 1960 na capital paraense.

Teixeira Lott foi o garantidor militar, como Ministro da Guerra de Café Filho, da posse de  Juscelino Kubitschek e seu vice: João Goulart, em 1956 — inclusive do pleno mandato de ambos, ocupando a mesma pasta.
Tanto Teixeira Lott quanto Braga Henriques tiveram suas memórias apagadas da História pelo Golpe Militar de 1964 e pela Ditadura naquele momento implementada no país; neste caso, apesar da peculiar liturgia acadêmica, os dois ressurgem das cinzas pela razão equivocada do enaltecimento ao preconceito a beijos públicos entre homens, escárnios que, por ora, substituem a portaria que faltava à SEGE — Secretaria-Geral dos Conselhos Superiores Deliberativos — da UFPA para habilitar tal condecoração universitária em sua página da Web.

Fontes: Tribuna da Imprensa (RJ) 01ABR1960 e Careta (RJ) 16ABR1960.

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Mario Braga Henriques — fotografia dedicada aos filhos e netos em 1967


A reprodução digital acima é do primeiro reitor da Universidade (Federal) do Pará, professor Mario Braga Henriques; tal imagem nos foi enviada pelo colaborador José Maria de Castro Abreu Júnior que a conseguiu de Luís Augusto Barbosa Quaresma: encontrei (o original) em julho de 2017 na cidade de Recife em um sebo.

Na realidade o que temos é uma fotografia da tela pintada por um premiado artista mineiro radicado no Rio de Janeiro que tem seu nome, Orozio Herculano Belém, biografado e popularizado pela Wikipédia — essa pintura compõe o acervo do Museu da Universidade Federal do Pará (MUFPA) —; contudo, a foto tem relevância pela dedicatória nela contida: Aos diletos filhos e netos Therezinha, Roberto(?), Virgínia Maria e Fernando Paulo, uma lembrança do velho Mario 30-9-67 que demonstra a aquiescência do retratado, ou mesmo que tenha sido uma encomenda sua, já que Mario Braga Henriques também residia no Rio de Janeiro.
Desconhecendo o quadro do MUFPA chegamos a estranhar, em 2011, na matéria Galeria dos Reitores ou Horrores?, o que acreditávamos ser uma colagem anônima e não um trabalho pictórico assinado.

Algumas capas de O Cruzeiro pelas mãos de Orozio Belém

Escapa à biografia de Orozio Belém na Wikipédia que quando ele foi professor de Pintura no Instituto de Belas-Artes da Guanabara nos anos 1960 dividia essa disciplina com Iberê Camargo; bem como não revela o site que nos anos 1929-30 fora capista da revista carioca O Cruzeiro como Di Cavalcante e outros artistas plásticos.
Orozio também ilustrara capas da revista Fon-Fon nos anos 1920 e conteúdos do jornal A Nação na década de 1930:



Fotografias de Orozio Herculano Belém publicadas na Fon-Fon de 26AGO1933


Tipo representado em óleo sobre eucatex por Orozio em 1937

São unânimes boas e más línguas de que o nosso original reitor era chegado ao uisquinho e à boemia; seria interessante, ao arejamento da memória da UFPA, saber se o velho Mario foi atuante — dentre outros redutos da Cidade Maravilhosa — na cantina La Rondinella:

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Inauguração do Hospício dos Lázaros do Tucunduba em 1816: “jantar com mais de 200 talheres”

Ricardo José Condurú — pesquisador e morador do bairro do Guamá — nos repassou o jornal Correio Braziliense ou Armazem Literario de julho de 1816 que contém a Relação remetida do Pará sobre um novo Hospital de Lazaros ali estabelecido ultimamente; tal matéria relata a inauguração do Hospicio dos Lazaros do Tucunduba em 07 de julho de 1816 com pompa e circunstância.
A notícia suscita a existência da casa da Hospedaria (Administração?) na qual foi recebido o Excellentissimo Governo de Successão do Estado; e, ao que parece, palco de um jantar servido em differentes Mezas a mais de 200 pessoas, função esta que acabou alta noite.


Fotografias da primeira enfermaria do Hospicio dos Lazaros do Tucunduba em 1921; o Correio Braziliense relata o ocorrido em sua inauguração, no dia 07 de julho de 1816:



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O fabuloso destino de Dmitri Kessel; por Oswaldo Coimbra

O poeta-dramaturgo Públio Terêncio Afro nasceu em Cartago, no norte da África e suportou a escravidão. Liberto por um senador romano do qual adotou o nome, Terêncio Lucano, tornou-se, depois, autor de comédias valorizadas por outros artistas, muitos séculos mais tarde, já na Renascença. Na Roma Antiga, Terêncio havia vivenciado situações, como escravo, que poderiam ter embotado sua sensibilidade. Mas ele a preservou, assim como sua capacidade de identificação com outras pessoas. E a manutenção destas características humanas permitiu-lhe usar sua vivência nas obras que criou para o Teatro e a Poesia. É dele, a frase-síntese do pensamento humanista, que atravessou dois milênios: “Eu sou um homem e nada do que é humano me é estranho”.
Uma epígrafe perfeita para o livro imaginário que reunisse todas as imagens produzidas para a revista Life Magazine por Dmitri Kessel, ao longo de 28 anos, em pontos diversos do planeta. Seus flagrantes mostram, por exemplo, a delicadeza da mulher que criou a profissão de Designer de Interior, Elsie de Wolfe, na escolha e na distribuição de móveis, tapetes e ornamentos de um quarto de hotel dos Estados Unidos, nos anos de 1950. Assim como mostram, com a mesma empatia, também nesta década, a perplexidade e o ódio mal contido de um grupo de mineiros grevistas da Bolívia. Todos com roupas cobertas de fuligem, postados em volta de Irineo Pimentel, como se formassem uma inútil cerca protetora já que, depois, o líder deles foi assassinado.
Num dos anos daquela década, 1957, Kessel mostrou, numa capa da Life Magazine, com criatividade e argúcia, a severidade dos olhares de três norte-americanos, afundados em material de pesquisa. Eram os cientistas encarregados de tirar os EUA do atraso que o lançamento do primeiro satélite artificial da Terra, o Sputinik 1, pelos soviéticos, havia colocado aquele país, na corrida espacial.
Neste mesmo ano, a capacidade perceptiva aguda e refinada de Kessel iria flagrar modos de olhar de outros três homens, distantes física e culturalmente daqueles norte-americanos. Ribeirinhos, que, instalados na cobertura de um barco, ancorado no porto do Ver-o-Peso, em Belém do Pará, apreciavam, curiosos e divertidos, a movimentação dos transeuntes na área do Mercado de Ferro, herança da Belle Époque amazônica.
Kessel faleceu em 1995. Mas outro artista, como ele, continuaria preservando a visão humanística de Terêncio nas Artes Visuais. Em 2001, o diretor francês Jean-Pierre Jeunet comoveu o público dos cinemas de todo o mundo com as imagens impregnadas da mesma sensibilidade estética de Kessel gravadas no seu filme “O fabuloso destino de Amélie Poulain”.

Fonte: Guarulhos WEB.


Mais sobre Dmitri Kessel no Blog da FAU.

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Fotos e Rimas; por Ronaldo Marques de Carvalho


Fonte: ISSUU.

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RUF — Ranking Universitário Folha — 2017


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Experimentações fotográficas na FAU

Wisfredo Gama.

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Divulgação/convite à FAU

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Asylo do Tucunduba — a edificação de 1866 e sua adaptação em 1873


Em Asylo do Tucunduba — a edificação de 1866 e sua ampliação em 1885 fora questionado se os necessarios concertos naquelle lasareto para o fim de servir de hospicio aos alienados aguardaram 12 anos à execução (de 1873 a 1885)?
O Jornal do Pará 21JUL1872, enviado por Ricardo José Condurú — pesquisador e morador daquele setor do bairro do Guamá —, supre o hiato da publicação anterior e dá luz à questão:


O Diário de Belém 18NOV1869, reproduzindo requerimento do deputado José do Ó de Almeida à Assembleia Provincial, delata que (o predio) se acha desocupado e a estragar-se; assim esteve por pelo menos quatro anos, tanto que o Jornal do Pará 05DEZ1872 revela a autorização dada ao engenheiro Antonio Joaquim d’Oliveira Campos a mandar executar a obra do vigamento do assoalho, orçada em 174$000 rs — pelo visto tal serviço e material estariam fora da proposta feita pelos artistas José Domingos da Silva, Antonio Simplicio da Paixão e Raymundo Luiz da Silva, aceita pelo governo provincial (Jornal do Pará 28SET1872) às devidas adaptações ao cárcere dos ditos dementes no logar Tocunduba.
Tais mudanças que transformariam o prédio do Lazareto de Bexigosos, construído pelo governo imperial em 1866, no Hospicio de Alienados de 1873, caracterizavam-se pela edificação de alicerces de pedra e cal e paredes de alvenaria que subdividiram as duas enfermarias originais em 10 cubículos  de 14,18m² com 10 janelas gradeadas em ferro e 10 portas de acapú feitas em forma de portas de prisão.
No esquema do topo, à esquerda, arriscou-se uma representação pressuposta do Lazareto dos Bexigosos (azul 1866) e sua ampliação no sentido leste (vermelho 1885) já como Hospício de Alienados desde 1873, dando à frente hipotéticos 10 metros — número redondo e média das fachadas das duas enfermarias que se tem em fotografias —  e subdividindo a área total de aproximadamente 430m² em dois retângulos: um de 10 por 18m (1866) e o outro de 10 por 25m (1885) perfazendo 43 metros longitudinais do hospício que conteria a partir de 1873 vinte celas, sendo no primeiro dez de 14,18m² e no segundo dez de 12,47m² .
Os dados, por ora, são insuficientes ao leiaute do Hospício de Alienados do Tucunduba entre 1873 e 1885; todavia, sua compleição seria térrea com assoalhos suspensos de madeiramento apoiado na própria alvenaria e em castellos de tijolos tal qual na concepção do mestre pedreiro, empreiteiro e encarregado de obras, cidadão português Manoel Antão de 44 anos, em 1866 (ou seja: não teria porão habitável como na enfermaria de 1916 que deixou ruínas visíveis no Guamá):


Exemplo real de porão semelhante ao do Hospício de Alienado no Tucunduba

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Asylo do Tucunduba — a edificação de 1866 e sua ampliação em 1885

Nas publicações Lazarópolis do Tucunduba — tentativas de configuração ilustrada (1, 2, 3, 4 e 5)dentre erros e acertosdesignou-se o croqui acima pré e pós 1928 até 1938.
Restava-nos saber o que funcionara no pavilhão norte — retângulo azul e vermelho — e quando ele teria surgido.
Em 1861 foi Levantada a planta e feito um orçamento do novo hospício dos lázaros; entretanto, posta em dúvida a propriedade do lugar pela Santa Casa — aqui suscitada em A Fazenda Olaria Sant’Anna da Pedreira —, adiou-se a obra, mas pôs-se de pé um telheiro, à guarda de materiais e moradia de operários, arquitetado pelo mestre Antonio Joaquim Rodrigues Neves; no sequente 1862 não haveria dinheiro sufficiente para dar-se começo á obra — não descobrimos a localização planejada ao novo hospício, nem de seu canteiro.
Em 1867 o ministério do imperio, segundo o Jornal do Pará 10OUT1867, autoriza o credito de dezeseis contos de réis para pagamento da despeza feita com a construcção da enfermaria de bexiguentos no lugar denominado Tocunduba, de que foi encarregado o mestre Manoel Antão e determinando que seja aquelle edifício inscripto nos proprios nacionais.
Em 1872 o Governo Imperial sede ao provincial a dita enfermaria de bexiguentos (desocupada e a estragar-se pelo menos desde 1869) para que nela se instalasse o Azylo dos alienados:


Em 1873, após reformas no proprio nacional do Tocunduba, os alienados foram transferidos do hospital da Santa Casa, onde se achavam, para o seu novo hospício.
Como esta investigação é colaborativa, conta-se com o auxílio de um morador daquele setor do bairro do Guamá, o pesquisador Ricardo José Condurú, que nos enviou um recorte de O Liberal do Pará 25ABR1885:


Para entender parte do orçamento

À época desse augmento e reparo do edificio em que funciona o asylo de alienados era provedor da Santa Casa de Misericórdia o cônego José Lourenço da Costa Aguiar.
Uma cobertura com 259,625m²; contendo salas com Sualhos dividindo 124,70m² e cozinha com 25,560m² ladrilhados seria uma edificação significativa que ainda poderia ter, de varanda, mais 100m².
Se a obra (de augmento e reparo) necessitava de escada e castellos seria porque a original estaria acima do solo e possuía porão (em terra batida?); habitável?
Dez janelas com grades de ferro transformavam o espaço em prisão; haveria cômodos idênticos no que se ampliava ao leste em 1885, ou os necessarios concertos naquelle lasareto para o fim de servir de hospicio aos alienados aguardaram 12 anos à execução (de 1873 a 1885)?
As buscas permanecem; inclusive para saber se tal ampliação saiu ou não do papel e por quem foi contratada e executada.


Postscriptvm:
O retângulo roxo representa a casa com quintal visitada em 17JUN2017: Ruínas do complexo de isolamento do Tucunduba.


Postscriptvm 2:
Resposta ao questionamento … por quem foi contratada e executada (a ampliação?):

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Boletim Goeldi — setembro/dezembro de 2017


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Lazarópolis do Tucunduba — tentativa de configuração ilustrada 5 (conclusões)

Enquanto preparamos o sumário desta investigação a busca no Blog da Fau dará o seguinte resultado para Tucunduba: (hiperlink).
Iniciou-se este trabalho no dia 17 de junho passado (2017) com a matéria Ruínas do complexo de isolamento do Tucunduba; de lá para cá muito se especulou sobre o que haveria ao redor do muro (ruínas) da enfermaria construída em 1916 por Enéias Martins, a melhor delas segundo Souza Araújo, médico que ali fez obras como chefe da Comissão de Prophylaxia Rural e Saneamento (federal) no Estado do Pará de 1921 a 1924.
Souza Araújo (1922) e o jornalista anônimo do jornal Estado do Pará (1921) deram alertas para que se ajeitasse a orientação e disposição que tínhamos, vindas do croqui enviado pelo professor Márcio Couto Henrique do PPGH da UFPA:

Ampliável aos detalhes

Com a montagem de uma panorâmica usando três fotografias de épocas distintas estabeleceu-se um novo esquema que ultrapassa o ano de 1922 para mostrar outras benfeitorias daquele lugar depois de 1928 — ou até 1938 quando o Asylo finda — onde há de se destacar: a abertura da rua Barão de Igarapé Miri; o pórtico de entrada do Asylo; a colocação de um cruzeiro na expansão da praça que lá se dizia ter e parece corroborada com uma trave de futebol; postes de eletricidade; e: a construção de uma igreja (e outras duas edificações esparsas e recuadas desta) à margem da nova via (Barão), fora do limite antigo, ao sul.
Ao que se vê houve um projeto, e parte dele executada com razoáveis edifícios, para o leprosário do Tucunduba a partir de 1928 quando se inaugura, também, a reconstrução do pavilhão das nossas ruínas pelo provedor da Santa Casa e Intendente de Belém no ano seguinte (1929): Antonio Facióla.


Ampliável aos detalhes

A nova orientação com enfermarias de mesma (ou aproximada) superfície, como quis dizer Souza Araújo em seu desenho sobre mapa de Theodoro Braga, aliada aos clichês, dá ao entendimento que a casa visitada em junho passado na Barão de Igarapé Miri está sobre uma ou mais casinhas logo em sua entrada, segue perpendicularmente por um naco da via que separava essas casinhas da enfermaria mais antiga (1816) e pode passar, além do miolo desse velho telheiro adaptado, por cima da fóssa septica (1921) antes de chegar à muralha divisória com os fundos de terrenos e casas que se projetam à Jiparaná ao norte — retângulo laranja em proporções na imagem de satélite do Google.
Tais conclusões estão fundamentadas nas informações textuais e imagéticas aqui publicadas e são subsídios à elaboração de uma virtualização eletrônica mais acurada em 3D.

Fotos complementares atribuídas ao lugar (ampliáveis).

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Lazarópolis do Tucunduba — tentativa de configuração ilustrada 4

Panorâmica  do Asylo do Tucunduba a partir de informações textuais e gráficas de Souza Araújo:

Ampliável aos detalhes

O croqui de Souza Araújo, feito em 1922 sobre mapa de Theodoro Braga, não representa o inexistente: a abertura da Barão de Igarapé Miri só ocorreria entre 1925 e 1928 com seu prolongamento além do pórtico propiciando construções novas em sua margem direita, passando na esquerda pelos fundos da fileira de casinhas que seriam desmontadas ou incendiadas em 1938 — o desaparecimento dos casebres e da primitiva enfermaria 3 deixaria o seguinte cenário  à esquerda da Barão em 1945:

Ampliável sem interferências gráficas

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Lazarópolis do Tucunduba — tentativa de configuração ilustrada 3

O médico Heraclides César de Souza Araújo, em seu livro A Prophylaxia da Lepra e das Doenças Venereas no Estado do Pará (Volume II) de 1922, dá garantia, ao descrever o Asylo do Tucunduba, de que seu desenho no mapa de Theodoro Braga orientará melhor o leitor interessado quanto à posição e situação do Asylo.
Na realidade o que temos em mãos são dois croquis anteriores à abertura da Barão de Igarapé Miri, da construção do Portal do Tucunduba e da iluminação daquele leprosário relatados em 07 de setembro de 1928 por Dionysio Ausier Bentes; portando, corrigiremos o esquema anterior publicado em Lazarópolis do Tucunduba — tentativa de configuração ilustrada 2:


O que supúnhamos ser a Barão de Igarapé Miri, de fato, parece o antigo caminho que dava vista geral ao Asylo; senão: analisemos as mesmas fotografias que se encaixaram no leiaute descartado, pela orientação, de Lazarópolis do Tucunduba — tentativa de configuração ilustrada:


As fotos que têm a marca d’água FGV/CPDOC são posteriores ao ano de 1928; as demais, no quadro vermelho, mais antigas, de 1921 — quando Souza Araújo ali trabalhava como chefe da Prophylaxia Rural.
A estampa com a legenda “Belém. Vista Geral da ‘Lazaropolis do Tucunduba’, inaugurada em 1816.” dá à visão o caminho antigo na direção do igarapé Tucunduba, com a mais velha enfermaria à esquerda e uma fileira de casinhas à direita do observador — as restantes mostram o mesmo edifício em ângulos distintos.
As três imagens do topo, posteriores a 1928, parecem revelar o prolongamento da Barão de Igarapé Miri transpassando o Portal do Asylo; neste caso, à esquerda do observador, teríamos os fundos das casinhas paralelas à velha enfermaria e à direita construções (novas?) na margem da Barão: vê-se um cruzeiro próximo a uma igrejinha (vê-se um crucifixo na cumeeira da igrejinha) que pode ter substituído a capela incrustada na enfermaria de 1816 como no leiaute do pessoal da História; vale atentar à vegetação da cena, distinta da via primitiva.
Assim o croqui com que trabalhávamos falha na escala, dando força aos rabiscos de Souza Araújo, que estabelece superfícies semelhantes às três enfermarias: entre o paredão que há no local real e a margem esquerda da Barão de Igarapé Miri, sentido igarapé, deveriam constar: um espaçamento (à fóssa septica), a velha enfermaria, o caminho primitivo e a linha de casinhas — Souza Araújo, apesar do exagero na administração e no Retiro São Francisco, melhor resolve tal problema:

Por ora não possuímos informações das construções pós Souza Araújo (1924) e anteriores ao incêndio e desmonte da afastada colônia por José Malcher (1938); mas existem outras imagens, atribuídas ao lugar, que não há, ainda, como identificar:

 

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Divulgação/convite à FAU

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