Ver-o-peso e Porto de Belém em filme de 1941

Recortados do filme South American Medley Brazil (1941), os takes mostram a doca do Ver-o-peso e o Porto de Belém.

Dois fotogramas do filme produzido entre 1940 e 1941 comparados à aero de 1964 mostram a parte do Porto de Belém que se projeta à Baía do Guajará entre a avenida Doca de Souza Franco e a travessa Rui Barbosa.
Em Porto de Belém; por Dmitri Kessel (1957) é possível ver um ensaio fotográfico dessa parte do porto com descarga de madeira – mesma atividade dos anos 1940.

Leia também a HISTORY OF THE OFFICE OF THE COORDINATOR OF INTER-AMERICAN AFFAIRS

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Filme de 1944 mostra que Barata foi ao Agronômico do Norte só pra lacrar nos jornais

Acima se assiste a um recorte do filme The Amazon Awakens produzido pela Disney sob os auspícios do Office of the Coordinator of Inter-america Affairs; nessas cenas, filmadas no Instituto Agronômico do Norte em 1943, há a estreia de uma proposição educativa de seu diretor: Felisberto Cardoso de Camargo, aos estudantes de Belém.
A palestra, proferida por um indivíduo calvo que ainda não identificamos (Fred L. Downs?), é algo específico e científico: O Método “Pá Agronômico” para Coagulação da Borracha – assunto que seria publicado pelo Ministério da Agricultura em março de 1944 na forma de artigo assinado pelo próprio Felisberto e Norman Bekkedahl (chefe do Laboratório de Borracha do IAN).
Bem… o filme deixa evidente que o coronel Joaquim de Magalhães Cardoso Barata, interventor federal no Pará pela segunda vez, é mero espectador da explanação e experimento, tal qual as crianças levadas por ônibus do Agronômico, que sequer o notam como alguém de importância – Barata desce discretamente de um automóvel.
Todavia não é assim que o jornal O Estado (11AGO1943), de Florianópolis, dá a notícia:

Barata e seu falso protagonismo em palestra científica para lacrar em jornais – fotos visivelmente arranjadas quando comparadas ao filme da Disney.
O nome do verdadeiro orador sequer é citado pelo periódico catarinense.


Observamos que The Amazon Awakens foi trazido à análise do LV pelo
calouro FAU/ITEC/UFPA Carlos Daniel de Castro Magalhães.

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The End of the River 1947 – Belém de 1946

(Ainda estamos selecionando e reconhecendo as tomadas externas de Belém; concluído o trabalho, retiraremos o título EXPERIMENTO.)

Mais sobre o assunto em The End of the River – 1947; por Derek Twist (Belém em 1946).

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The End of the River – 1947; por Derek Twist (Belém em 1946)

A película The End of the River (O Fim do Rio em português) é uma produção inglesa lançada no pós 2ª Guerra Mundial (1947) baseada na novela do estadunidense Desmond Holdridge que tem como protagonista uma jovem (24 anos) atriz brasileira: Abigail Izquierdo Ferreira – a Bibi Ferreira.
As locações externas na Amazônia foram, em parte, acompanhadas pela revista O Cruzeiro que em duas reportagens dá, didaticamente, explicações sobre o filme, inclusive sobre sua montagem em Londres:

Aqui demos destaque à parte do texto de O Cruzeiro de 07DEZ1946 que explica os truques da magia cinematográfica (aos interesses fantasiosos) e, na sequência, mostra-se fotografias de cenas de Belém do Pará (em 1946): a entrada do Porto no final da XV de Agosto (hoje Presidente Vargas), a igreja de Santo Alexandre (fora da edição da fita) e a Farmácia Nacional:

Cartazes do The End of the River: lançamentos internacional e nacional (ampliáveis)


Como o Laboratório Virtual ilustra mais que textua, far-se-á a separação das filmagens externas do The End of the River; uma vez que esse apartamento entre o casal e os atores ingleses era previsão contratual, tanto que Bibi e Sabu voltaram a Londres às gravações de estúdio com áudio de qualidade (é o que o material demonstra) – de todo modo é interessante entender o filme como produto da indústria cinematográfica internacional pela ótica da própria “atriz brasileira” (Sabu, hindu) lendo seu posicionamento na Revista da Semana de 27SET1947 – isto nos exime de debates com a linguagem.
Mas… aos recortes:

A edição utilizou apenas as imagens externas de Belém – se alguma escapuliu, corrigiremos -; a lógica: ambientes internos, com diálogos, são de estúdio; do mesmo modo que tomadas distantes (ou desfocadas das fisionomias das pessoas) acusam uma externa dependente de complemento em ambiente propício ao áudio – e isto só na Inglaterra.
Todavia: por questão de ofício, nossa satisfação foi encontrar uma cópia com boa definição e entender fragmentos da cidade datados: o Círio é o Círio de 1946 e “pt saudações” – as outras imagens gravitam pelo período em que a trupe por aqui esteve.
Abaixo um exemplo do casamento entre externa e estúdio já montados com dublagem:

O fato é que o ator inglês canta com a voz de outrem uma música de Waldemar Henrique composta em 1934; contudo, o maestro paraense não sobe nos créditos, fica anônimo como o seu nacional Boi-bumbá.


Sugerimos a leitura de O Cruzeiro de 09NOV1946: a matéria trata da viagem na gaiola Tupã feita pela equipe técnica junto com os atores não britânicos (Bibi e Sabu) e os “extras” (contratados entre Belém e Manaus à figuração útil).


Os editores do LV agradecem a colaboração voluntária de
Carlos Daniel de Castro Magalhães – calouro FAU/ITEC/UFPA.


Postscriptvm (08JAN2025):

Escapuliu um estúdio nos cortes que fizemos; entretanto, servirá como mais um exemplo de que as externas independiam dos atores (inclusive de Bibi e Sabu), poderiam ser os “extras” (figurantes contratados na rota Belém-Manaus-Belém) nos quais lhes coubessem as vestes – esse molde (ou manequim) é citado nas revistas à continuidade das cenas em sets dos estúdios londrinos.
O gif já abre discussões: na externa estaríamos vendo a bunda de Sabu; e o desenho dessa grade?
Observemos também o quanto o casal está próximo e distante (num só tempo) da marcação do piso; infiel à realidade, mas plenamente licenciado à ilusão do espectador: uma fábrica de sonhos.
Os atores e “extras” podem caber nas mesmas roupas, mas não mostram nem a mesma compleição física, nem cabelos assemelhados; ou seja: sabe-se lá quem foi a dupla imortalizada pelo cinema universal sem qualquer registro no cast.
No mundo vivo da Belém de 1946 tem obras nas vias; há a vestimenta do povo, que o agrupa ou dissocia; há o parque de diversões junto ao (desabado) Pavilhão de Vesta apinhado de gente; há o presídio de São José numa tranquilidade mosteiral donde do seu portão de entrada se avista uma charrete contornando a pacata Praça Amazonas; certamente há muito mais, resta-nos perceber sinais e batear.

Outra falha nossa: deixamos de capturar esses dois takes reais de visadas reversas da doca do Ver-o-peso; a Praça do Relógio ainda com o calçamento original.
(Compreenda as cercanias do Ver-o-peso num passado próximo AQUI.)

Cortes em gif: Largo de Nazaré no Círio de 1946: o Pavilhão de Vesta de pé e sem o Super Clipper Brasil.

O Presídio de São José: chegada pela Praça Amazonas (não é uma carruagem, mas uma carroça a cavalo) com trajetória interna em diagonal (à lateral e cela); nos fundo se vê a passagem ao segundo bloco com telhado de platibanda dentada que divide a penitenciária; observem que a sombra na entrada é a da manhã, já na sequência do filme, no pátio, a sombra é a da tarde.

O Círio 1946 passa defronte à construção do Edifício dos Comerciários: XV de Agosto com Oswaldo Cruz – a filmagem finda no chanfro da esquina, defronte à Praça da República.

O Largo do Redondo da avenida Nazaré com vista à Quintino Bocaiúva…

Chegada da berlinda à basílica de Nazaré

Calma: faltam alguns links e imagens como complemento.
Aguarde!

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Francisco Bolonha – O Arquiteto da Amazônia; por Amassi Palmeira

Francisco Bolonha – O Arquiteto da Amazônia; por Amassi Palmeira (pdf)

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Natal de 1953: inauguração do Posto Atlantic do Ver-o-peso

O jornal Folha do Norte, no domingo 27 de dezembro de 1953, reporta o ato inaugural do Posto Atlantic, construído às margens da travessa Marquês de Pombal, com a presença do governador do Estado do Pará, o general carioca Alexandre Zacharias de Assumpção, o que demonstra o prestígio da firma Valdevino Pinto & Cia. Ltda. responsável pelo empreendimento em logradouro público.
Como o periódico dá a exata datação da construção será possível rever publicações anteriores que trataram do assunto, como O Ver-o-peso de Dona Lourdes Holanda, terceira proprietária do lugar, dito por ela em entrevista: demolido por Ajax de Oliveira (prefeito à época).
O Atlantic do Veropa ganhou notoriedade internacional por fotografia feita por Dmitri Kessel em 1957 à revista estadunidense LIFE; nela se vê um “futurista” Ver-o-peso com um zepelim (no caso ônibus) abastecendo numa estação (gas station Streamline) – talvez uma irônica (e improvável) inspiração ao The Jetsons de 1962:

Obviamente Kessel foi experto na composição imagética: valorizou o ângulo do Atlantic que possuía duas colunas em “V” e a curvatura da laje cobrindo a imitação de balão estruturado em madeira sobre chassis de veículo pesado; também não descuidou do contraste com as velas e mastros dos barcos, nem com o casario antigo.
O que pareceu novidade a Kessel, como o dirigível da Viação Triunfo, rodava como Pérola desde o ano de 1948 – o próprio Atlantic, como visto, já estava de pé desde 1953 -; ou seja: o belenense se acostumara com a mimese que o Ver-o-peso ostentava da cultura estadunidense desde o Clipper Nº01, uma réplica em cimento armado do Baby Clipper da PanAir.
O que a fotografia emblemática de Kessel não mostra é que em ambos os serviços, tanto os da gas station Atlantic quanto os do zepelim, eram prestados por mulheres: o Atlantic tinha frentistas e o dirigível aeromoças; o que também não seria fato novo na Amazônia, já que nos subúrbios de Manaus, desde 1947, as mulheres eram arregimentadas à limpeza pública por Katharine Harper Cant, uma estadunidense que veio pra Belém por causa da 2ª Guerra Mundial, mas se estabeleceu em Manaus no pós-guerra.

Katharine Harper Cant transportando as Mulheres do Lixo por toda a Manaus em 1950, depois de expandir os serviços que implementara junto com o marido em 1947.


Postscriptvm:
A matéria O Ver-o-peso de Dona Lourdes Holanda foi baseada em entrevista que será recuperada e transcrita; nela Dona Lourdes dá informações que foram desconsideradas pela falta de contexto, mas que serão revistas diante de evidências emergentes.
Dona Lourdes não omitiu o primeiro proprietário do Atlantic: Valdevino Pinto; inclusive faz referência a outro posto de combustível que seria dele: Streamline Moderne além de 100 quilômetros de Belém em 1953.

As páginas amarelas do catálogo telefônico de 1965 comprovam a transferência do Atlantic à firma dos Irmãos Holanda (Renato Queiroz Holanda e Maria de Lourdes Holanda) ratificando o que disse Dona Lourdes.

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Nosso adeus ao Popó (Paulo Sérgio Bastos Andrade)

Imagens de O privilégio do encontro de 2013.

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O tropicalismo na Grécia Clássica

É óbvio que o título aqui dado é uma brincadeira: como também o é COLORIR a ARTE GREGA para dela fazer um pop, um brega… Então: virtualizemos um desfile na Sapucaí com esculturas da antiguidade clássica coloridas sambando.

Fonte: BBC NEWS BRASIL.


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Primeiras imagens aéreas do “Bosquinho” produzidas pelo URBANA

Por solicitação deste Laboratório Virtual, o grupo pluri-institucional de pesquisa URBANA produziu as primeiras imagens ao levantamento da área do Bosquinho e dos cursos d’água remanescentes do igarapé Santo Antônio, seu coadjuvante ao lazer no ponto turístico de Belém que foi entre 1970 e 1973.

Nossos agradecimento à equipe de filmagem: pilotas Fernanda Santos e Giuliana Lima e ao apoio de Bárbara Baleixe – todas estagiárias/bolsistas do URBANA; e, em especial, à professora Ana Cláudia Duarte Cardoso pela parceria.


Making-of de 20NOV2024

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Bosque da Perimetral – achada a emblemática Ponte do Relógio

Em A Avenida Perimetral de 1970 e sua Variante de 1973 dissemos que a rua da Naval é a Velha Perimetral – ou: a parte da Perimetral que possuía orla e se integraria à Estrada Nova para compor o Parque do Guamá, um plano incongruente* de Stélio Maroja: três quilômetros de “pistas” (pelo menos duas) com vista ao Rio Guamá.
O possível, para Maroja, foi implementar o Bosque da Perimetral; e, mesmo assim, em total dependência da UFPA, que cedeu espaço à rodovia em suas terras (antes campos experimentais de plantio em várzea alta pelo Instituto Agronômico do Norte – IAN – a ela doados), bem como financiou a ponte de cimento armado sobre o Igarapé Tucunduba (distante da sonhada orla).
Em 1970 foram inaugurados a via BL-15 (Rodovia Perimetral) – que partia da Escola de Agronomia da Amazônia, adentrava as terras da UFPA e chegava à Augusto Corrêa – e o ponto turístico Bosque da Perimetral** com seus equipamentos de lazer na beira do Guamá por pouco mais de um quilômetro e a pretensão, por concorrência pública, da construção de um motel aos que estivessem em trânsito por Belém – A Belém-Brasília já era uma realidade.

Bosque da Perimetral (ou Tijuquinha): ponto turístico de Belém em pouco mais de um quilômetro delimitado pelos igarapés Sapocajuba e Murutucu Miri; com protagonismo do igarapé Santo Antônio, por sobre o qual em um de seus braços ainda há restos da Ponte do Relógio.

O Laboratório Virtual, que possui apenas essas três fotografias do Bosquinho, intenta entender a conformação e virtualizar o complexo que no início dos anos 1970 atraía casais de namorados e crianças, tal qual o Bosque da Almirante Barroso, inspiração dos seus implementos – o Bosque da Perimetral era administrado pelo pessoal do Bosque Rodrigues Alves – Prefeitura Municipal de Belém.
A equipe do LV fez duas incursões à área abandonada pela PMB desde 1973: na primeira (20MAI2024), com Pedro Yoshikawa, seguimos a picada da Naval até chegarmos a baixios hoje sabidos como do Santo Antônio; na segunda, em 21MAI2024, tomamos o rumo do rio Guamá pela mata que prossegue a rua do INPE, dentro do PCT Guamá, acompanhados por Wander Oliveira, alcançando a foz do Santo Antônio [vulgarmente conhecido como o igarapé do Cano (ou Tubo) de Ferro por sua vazão no Guamá ser por um (tubo) Armco].
Pedro e Wander são vizinhos, moradores da Terra Firme (defronte à UFRA), ambos guardam memórias da infância que viveram pescando, nadando, caçando, colhendo frutas… “um paraíso” pros moleques que atravessavam os tubos para pegar peixes nas águas represadas intrapista; todavia, algo era especial pra eles: A PONTE DO RELÓGIO, e era por ela que procurávamos, sem a encontrar, como a um encantado.
Uma ponte, que parecia um relógio de pulso gigante (às crianças), palco de muita estripulia e porfia de saltos ornamentais perigosos jamais abandonaria o imaginário de Pedro e Wander – e a nossa curiosidade.

No dia 11NOV2024 (segunda-feira passada), com a ajuda do José Maria da Silva Teixeira (Prefeitura da UFPA) e do Marco Antônio Gil de Sousa, pessoal que trabalha na reabertura da Velha Perimetral com o objetivo de ligá-la à Avenida Liberdade (obra do governo estadual), achamos o que sobrou da famigerada (dentre os garotos atemporais) Ponte do Relógio.
Estávamos no encalço de alguma ruína que nos pudesse orientar no entendimento da matéria publicada em A Província do Pará 24FEV1970; chegou-se a virtualizar a Ponte do Relógio com seu patamar circular (como um “cebolão” descrito por Pedro e Wander), o que não é fato: ele é elíptico; mas, não deixa de figurar um enorme relógio no espaço que justifica o apelido dado pelos moradores do setor:

Gif da ponte em configuração elíptica do patamar e as dimensões tomadas no rio Guamá – só o vão central e o patamar restaram do solapamento provocado pelo rio.


Do mesmo modo, situamos, equivocadamente, a Ponte do Relógio na foz do Santo Antônio, pela muralha lá encontrada em 21MAI2024; mas, não era seu lugar; e, ao que parece (hoje), a ponte estaria numa foz de vazão controlada em um braço (artificial?) do Santo Antonio, represado por comporta à irrigação das plantações experimentais do IAN (antes da superfície pertencer à UFPA).
Ou seja: os tubulões de cimento achados ao lado da Estação de Tratamento de Água (abandonada e saqueada) podem ser mais antigos que os Armco utilizados pra transpor o Santo Antônio (de foz original) e o Sapocajuba.
A Ponte do Relógio, pelo GPS, dista 195 metros da foz (a desenhada em mapas antigos) do Santo Antônio; desse modo seguimos ao igarapé do tubo de ferro (o Santo Antônio) e verificamos que o vacilo no raciocínio da equipe se dera pelas muralhas de contenção do aterro sobre o Armco que foram solapadas pela maré terem o mesmo feitio das ombreiras que suportavam as rampas da Ponte do Relógio.
Adentramos o Santo Antonio pela mata na direção do PCT Guamá por trilha em sua margem esquerda e nele verificamos a existência de canais artificiais perpendiculares certamente abertos por maquinário do IAN, bem como vestígios de guilhotina de bloqueio das águas, à semelhança da técnica construtiva aplicada nos antigos engenhos de maré para fazer a roda (d’água) girar.


*Adjetivamos o Plano Oficial de Urbanização da Capital de Stélio Maroja pela incoerência de suas declarações à imprensa: à revista nacional O Cruzeiro de 21SET1968 ele afirma:
“… Está construindo o Parque do Guamá (rio Guamá, que enrola Belém), numa réplica moderada do Parque (carioca) do Flamengo. São pistas de 3 km à beira-rio, arborização equatorialíssima, incorporando a paisagem das águas à cidade…”.
O fato é que somente no mês de março do ano seguinte à publicação de O Cruzeiro é que o Conselho Universitário da UFPA dá autorização ao reitor, José da Silveira Netto, para celebrar convênio com a Prefeitura Municipal de Belém permitindo a passagem da Rodovia Perimetral (BL-15) por suas terras, bem como custeando a construção da ponte sobre o igarapé Tucunduba – ponte esta que não foi projetada à orla do Guamá; portanto, o que Stélio Maroja conseguiria materializar na vera foi o traçado que se vê no gif e o Bosque da Perimetral na orla da hoje rua da Naval, na qual ainda se pode observar a Ponte do Relógio já em ruínas – não esqueçamos que esse conjunto de obras foi executado em menos de um ano, já que inaugurado no início de 1970.
Perguntado do assunto pelo Laboratório Virtual, o arquiteto Alcyr Boris de Souza Meira, planejador do Conjunto Pioneiro (Básico) e testemunha da assinatura do contrato com a PMB, disse-nos que esse Parque do Guamá jamais entrou em pauta nas discussões do Conselho da UFPA.
Alcyr reforçou o que já dissera em diversos depoimentos: que a Draga Matogrosso foi a responsável pela aceleração das construções do Básico, já que a dificuldade do transporte de aterro pela Estada Nova era enorme:

Imagem ampliável

Certamente fotografias tomadas nos primórdios do Básico, entre 1964 e 1965, quando se iniciava a contenção ao nivelamento com caminhões que atolavam na via – uns dois anos antes da chegada da Matogrosso que repararia o terreno às edificações inauguradas em 1968.

Os caminhões que aterravam o Conjunto Pioneiro (Básico) tiveram que primeiro descarregar na própria Estrada Nova para chegar aos terrenos adquiridos pela UFPA – aí na vizinhança do hoje hotel Beira Rio antes da chegada da Matogrosso.
Alcyr Meira nos disse que quando a draga Matogrosso completou o aterro hidráulico do Básico ela passou dois dias em serviço no que seria o futuro Profissional corrigindo “fissuras”, o que pode ter sido determinante ao traçado da Velha Perimetral que vinha por trás do Básico, oriunda da atual UFRA.
Essas fissuras referidas por Boris poderiam ser tanto naturais da várzea, como da manipulação da área próxima ao igarapé Sapocajuba, dito em textos, como local de experimentos do plantio de milho e arroz.
Certamente uma investigação acurada nos relatórios anuais do Instituto Agronômico do Norte mostrará o período em que o Sapocajuba foi seu laboratório e quais seus ensaios.


Mas… enquanto as obras do Campus Básico, pós Matogrosso, estavam em ritmo acelerado, sempre dependente da Estrada Nova – única via de acesso-; segundo O FATO 33 publicado pela ASCOM-UFRA, foi o diretor da Escola de Agronomia da Amazônia, Elias Sefer, quem sugeriu ao prefeito Stélio Maroja a abertura da estrada (Perimetral) para facilitar o transporte do pessoal da EAA ao centro de Belém; e, para tal, disponibilizou dois tratores da EAA ao auxílio dos serviços, o que demonstra a falta de um plano integrado entre a PMB, a EAA (hoje UFRA) e a UFPA.

A sobreposição de duas imagens, uma de 1955 quando a área pertencia ao IAN e outra da década de 1970 com a a Rodovia Perimetral (1970) e sua Variante (1973) visíveis, dá à percepção que Sefer indicou o caminho fácil na fronteira entre o IAN (a EAA era a ele indissociável) e a Universidade Federal do Pará, onde havia um dreno de irrigação de lavouras paralelo ao retificado igarapé Santo Antônio.

Imagens ampliáveis

Um exemplo de dreno na Várzea do IAN; entretanto o que daria origem ao primeiro seguimento da Rodovia Perimetral, PRESSUPOMOS, teria o valado à direita do lastro designado e não à esquerda como o da fotografia publicada em 1956 no livro de Rubens Lima, aqui rebatida didaticamente.
Nas aero de 1955 interpretamos (à hipótese) construções portuárias (pela geometria figurada) ao final desta via que servia a si própria para manutenção do sistema de irrigação e colheita; esta ideia tem fundamento no dito em textos sobre as plantações de arroz e milho numa área longínquo do IAN, mas vizinha à Escola de Agronomia da Amazônia surgida em 1954.


**O Bosque da Perimetral, Tijuquinha (depois Bosquinho da Perimetral e Bosquinho da UFPA) foi um local pretendido como de lazer à população de Belém na orla do Guamá (hoje rua da Naval dentro do Campus III da UFPA) inaugurado em 1970 junto com a Velha Perimetral: casais de namorados e crianças eram seus inocentes frequentadores e a administração do espaço, por contrato com a UFPA, esteve a cargo da Prefeitura Municipal de Belém (pelo pessoal do Bosque Rodrigues Alves).
Hoje a mesma pista, paralela ao rio Guamá, está sendo reativada (com aterramento e alargamento) ao encontro com a futura Avenida Liberdade (PA-020), obra do governo estadual anunciada à COP30.
Em 1973, com a implementação da Variante, tal rodovia fora abandonada e consequentemente o Bosque construído na administração de Stélio Maroja também, ensejando uma série de episódios que a ele deram notoriedade de maldito, como estupros, assaltos, suicídios, torturas e desova de cadáveres – vale ressaltar que as notas policiais veiculadas nos jornais dos anos 1980 apontam o Bosquinho em sítios diversos entre o Guamá e a Terra Firme, raras dão o linhão da Eletronorte (paralelo à Velha Perimetral) como referência, fazendo dele (Bosquinho) um rincão abstrato onde houvesse mata extensa.
Atentemos que antes das invasões começarem no Riacho Doce em 1990 a Perimetral (ou mais precisamente a Variante da Perimetral) mantinha floresta em suas margens que eram usadas à fabricação artesanal de carvão em caieiras dispostas ao longo da via; o terreno da UFPA já estava murado, tanto que as ocupações se deram no logradouro público que serviria à ampliação futura da via e ao seu calçamento.

Referências:
Agricultura nas várzeas do estuário do amazonas; por Rubens Rodrigues Lima (1956);
A Província do Pará – 29MAR1969;
Ecologiando Amazônia adentro; por Carlos José Esteves Gondim (2021);
Revista O CRUZEIRO – 21SET1968;


Postscriptvm:

Parte do guarda-corpo da Ponte do Relógio encontrada no leito da foz do braço do igarapé Santo Antônio (sob a ponte) mostra o uso tardio da técnica construtiva Rocaille comum no Bosque Rodrigues Alves; do mesmo modo que revela a insegurança desses componentes, uma vez que recheavam ripões engastados no concreto da laje.


Bosque da Perimetral – achada a emblemática Ponte do Relógio (pdf da matéria).

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Painel FAUUFPA 2024 – plano e execução

O audiovisual acima é uma apócope das diversas atividades que envolveram os calouros-2024, previsão contida no projeto Universos Diversos do PIBEX-2023, bem como o estudante-bolsista da PROEX.
A partir da OFICINA dada por Guilherme Dahás de La Rocque sobre o resultado de suas pesquisas gráficas, estabeleceu-se que as duas turmas de Representação e Expressão I seriam conduzidas pela trajetória estabelecida por Guilherme em seu trabalho: de metodologia e soluções úteis ao propósito da disciplina regular do curso de Arquitetura e Urbanismo da FAUITECUFPA.
Bem… o Guilherme é aluno do oitavo semestre, rapaz experto (e esperto), que sabe dar nós em trilhos coloridos; entretanto, nossos calouros necessitavam de uma alfabetização visual (base) até para entender o mentor gráfico (pela linguagem); então: resolveu-se que as coisas seriam concomitantes e o Guilherme funcionaria como assessor dos coletivos que sequer nome e/ou identidade visual possuíam.
Sim… o Guilherme tem plena liberdade pra resolver problemas gráficos, há muito conhecimento acumulado em sua cabeça; mas, e os calouros? Em Representação e Expressão I são expressamente PROIBIDOS a representação de volumes (em perspectiva), o uso da cor e de meios-tons; os meninos só trabalham com o alto contraste no plano; em outras palavras: o serrote, o martelo e pregos são as ferramentas que eles têm pra construir um mobiliário.
Certamente ninguém quer mais ler TEXTÃO; assim, passeiem pelo NÃO VERBAL dos nossos alunos-calouros 2024 que ultrapassaram o limite do “azulejo”, produzindo estampas para usos diversos com padrões múltiplos proliferantes (nada de volumes, cor ou meios-tons):

A L O C Á S I A


G O T A D’ Á G U A


C A R I M B Ó


E X – V O T O


G A R Ç A


J A M B U


I T A


P A V U


N A S C E N T E


C A U A R Y


C O P O


M A T A P I


A Ç A Í


Referências linkadas acima:
Universos Diversos do PIBEX-2023
Universos Diversos: ladrilhos e muxarabis amazônicos criados por Guilherme Dahás de La Rocque


Postscriptvm (23MAI2025):

Desmontagem do painel pelos próprios alunos autores em 23 de maio de 2025: 6 meses e 22 dias após a montagem

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1992 – Noventa anos de ensino superior no Pará

Um raro calendário comemorativo dos 35 anos da criação da UFPA com slogan Noventa Anos de Ensino Superior no Pará – alusivo à criação da faculdade de Direito em 1902.
Há de se acrescentar, nos agradecimentos, o nome do professor Luciano Oliveira, autor da arte do próprio calendário, que não teve seu nome publicado.


Acesse apenas as 10 obras ilustrativas do CALENDÁRIO 1992 – artistas professores aqui digitalizadas.

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Roberto de La Rocque Soares – Centenário de Nascimento (28OUT2024)

La Rocque sobre os telhados do Palácio Lauro Sodré nos anos 1970.


Esta matéria intenta reunir coisas sobre o MESTRE LA ROCQUE; portanto, não será uma publicação fechada; manterá a dinâmica dos achados, inclusive, de trabalhos que estejam por vir.
A sequência do que a alimentará (com fotos, filmes e textos) será na ordem alfabética de seus títulos:

Aquarela de Bohdan Bujnowiski – Coleção La Rocque Soares.
Como ser moderno e restaurar o antigo – entendendo o Palácio de Landi hoje.
Documentário “Um homem e seu tempo — Roberto de La Rocque Soares” (1996).
Em demolição a obra brutalista de Roberto de La Rocque Soares.
La Rocque: nome e referência do LAFORA.
Roberto de La Rocque Soares, o nome do Laboratório de Modelos da FAU.
Reconhecidos na foto da antiga Escola de Arquitetura.
Repercussão do vídeo de La Rocque.
LA ROCQUE REVISITA A TRADIÇÃO: arquiteturas religiosas e de cultura.
MEMÓRIA SUBTERRÂNEA: A sobrevivência de uma obra de arte.

Publicação em montagem e arrumação.

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1966: o Chafariz da FAU na Escolinha da UFPA

Curt Junior Sequeira, Jorgina Sequeira, Gisela Sequeira e Alexandre Sequeira


Veja mais sobre o Chafariz da FAU; ou: pesquise no prompt do site.

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RUF 2024: UFPA em 31º e Arquitetura e Urbanismo em 43° lugar do Brasil

Fonte da informação: UOL/FOLHA.

Foto dos açaizeiros do jardim interno da FAU/UFPA publicada no caderno RUF 2024 do jornal Folha de São Paulo de 21OUT2024 (autoria da aluna Bárbara Baleixe).


Nossa melhor pontuação ocorreu no RUF 2017: 26° lugar do Brasil.
(As sete aferições passadas do RUF podem ser vistas na coluna direita deste site.)

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Círio 2024 – estampas e vinhetas concorrentes

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Círio 2024 – oficina de serigrafia

Há a possibilidade da redução de velocidade para melhor visualização do trabalho

ESTAMPAS CONCORRENTES.

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Casa de saúde hospital Guadalupe em construção

Eis que surge uma imagem emblemática da construção do Hospital Guadalupe mostrando, de modo peremptório, que o projeto do Hospital Guadalupe (originalmente Santa Mônica) é do arquiteto Francisco de Paula Lemos Bolonha (sobrinho do velho engenheiro Francisco Bolonha) e do engenheiro civil e construtor: Nicholas Ellis Chase.
A placa da obra só poderia ter mudado depois que o jornal Flash (de 23FEV1965), de Ivan Maranhão, noticiou a intenção da venda do Hospital Santa Mônica (com a obra já iniciada), por 200 milhões de Cruzeiros, à Casa de Saúde Guadalupe – ou seja: havia uma placa anterior na construção com o nome Hospital Santa Mônica.

Pelo levantamento aerofotogramétrico de 1964 se vê que o prédio ao fundo é o UIRAPURU – o campo ainda está aberto, é o único edifício alto o suficiente para aparecer por trás da placa, no foco do fotógrafo.
Ainda não se descobriu por quanto tempo a obra do Santa Mônica ficou parada e quando foi reiniciada como Guadalupe.

Em 18FEV2023 publicamos a matéria É o Hospital Guadalupe do De Paula Bolonha? Sim – todo o latim lá gasto pode ser substituído pela magistralidade da fotografia que para lá será destinada em postscriptvm.

Veja também:
Irmãos Bolonha – um arcabouço familiar e Monumento Lauro Sodré – o plano original de Bolonha e Giorgi.

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1963 – Iº Salão de Artes Plástica da UP – artistas e comissão organizadora reconhecidos

1. João Pinto1º Prêmio Escultura (medalha de ouro mais 100 mil Cruzeiros); 2. Luigi Fazio GlandolfoBolsa de Estudos (?); 3. Dionorte Drummond NogueiraMenção Honrosa Pintura; 4. Benedito Melo2º Prêmio Pintura (medalha de prata sem dinheiro); 5. Reitor Silveira Netto; 6. Maria José Sampaio CostaBolsa de Estudos (?); 7. András FüreszDesenho Menção Honrosa (?); 8. Roberto de La Rocque Soares2º Prêmio Pintura (medalha de prata sem dinheiro); Ruy Meira1º Prêmio Pintura (medalha de ouro mais 100 mil Cruzeiros); e, 10. Mário Pinto GuimarãesBolsa de Estudos.

1. Inocêncio Machado Coelho; 2. Francisco Paulo Mendes; 3. (?); 4. Reitor; 5. Alcyr Meira; 6. Benedito Nunes; e, 7. Quirino Campofiorito (este da comissão julgadora).

1. Cônego Ápio Campos; 2. Inocêncio Machado Coelho; 3. (?); 4. (Armando Balloni?); 5. Siveira Netto; 6. Izolina Silveira; 7. Oswaldo Melo; 8. Alcyr Meira; 9. Clóvis Moraes Rêgo; 10. Francisco Paulo Mendes; e, 11. Benedito Nunes.

As três fotografias acima compõem (ou compuseram) o O acervo fotográfico não identificado da BC/UFPA; na primeira se enxerga artistas paraenses premiados com medalha de ouro e dinheiro, com medalha de prata (2ºs lugares), com menção honrosa, ou ganhadores de bolsas de estudos à Região Sul do país (esses com menos de 30 anos de idade); já na segunda estampa se vê os componentes da comissão instituída como coordenadora do Iº Salão de Artes Plásticas da Universidade do Pará – nome dado pelo Edital de Regulamento divulgado no Jornal do Commercio do Amazonas de 14SET1963.
A terceira imagem, à entrada do lugar, parece-nos uma comitiva de recepção – ou um flash com essa intenção.
Em 2016 publicamos Primeiro Salão de Artes Plásticas da Universidade do Pará (1963), usando um audiovisual da Juçara Filmes referenciado pela dissertação de Angélica Meira no mestrado da Fundação Getúlio Vargas – Maria Angélica, a Keka, é filha de Ruy Meira, o primeiro colocado em Pintura do I° Salão de Artes Plásticas da Universidade do Pará – o termo Federal só surgiria em 1965.
Nesta retomada do tema tentaremos expandir as informações a partir de publicações locais e nacionais sobre o evento:

A revista Manchete, em sua edição de 04JAN1964, dá destaque ao Iº Salão de Artes Plásticas da UP como O Salão da Amazônia, mostra montada na sede social do clube Assembléia Paraense, na avenida Presidente Vargas – a matéria do magazine fora tardia, já que a exposição teve seu vernissage no dia 1° de novembro de 1963, às 17 horas, segundo convite público estampado em A Província do Pará do dia.

O regulamento do Salão define a Amazônia e consequentemente os nela radicados aptos às inscrições no concurso; por esta ótica O Salão da Amazônia foi um título apropriado; entretanto, o magazine de circulação nacional, fala em “Composição, de Iedo Saldanha, do Maranhão, distinguido com o primeiro prêmio de gravura”: o termo “distinguido” pode se referir a uma atitude soberana da comissão julgadora, uma vez que não havia, no edital, nenhum mimo à categoria gravura, só existiam três prêmios em dinheiro acompanhados de medalhas de ouro:

É curioso que a categoria desenho tenha sido tratada como de menor significância (e visibilidade), já que o prêmio em dinheiro a ela destinado equivaleria a 30% das outras duas: pintura e escultura, das quais Ruy Meira e João Pinto foram, respectivamente, os dois maiores vencedores do Salão: levaram pra casa medalha de ouro e 100 mil Cruzeiros cada.


Quando a Manchete (de 04JAN1964) revela a comissão julgadora do Salão (Edith Behring, Quirino Campofiorito, Valdemar da Costa, Armando Balloni e Francisco Paulo Mendes) dá pistas de que Edith Behring, presente em Belém para ministrar uma oficina de gravura quando alçada à condição de jurada pela comissão organizadora, tenha puxado a brasa à sua sardinha (a linguagem da gravura); isto explicaria o primeiro lugar forçado (fora do Edital) às três estampas de replicação do maranhense Iedo Saldanha em detrimento aos quatro desenhos (únicos) do paraense András Füresz que levou menção honrosa (ou prêmio de consolação) – certamente se a prenda fosse de 100 mil Cruzeiros seria difícil esse esdrúxulo (mas engolível) arranjo.
Também no Edital de Regulamento não há nenhuma menção ao apoio que o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM-RJ) daria à UP: o MAM abalizaria um grupo de especialistas em arte (composto por jornalistas, críticos e artistas) que traria, por avião, uma exposições de artista plásticos de renome nacional e internacional que gravitavam no eixo Rio-São Paulo selecionados por Eneida de Moraes, segundo Quirino Campofiorito (O Jornal de 18JAN1964).
Harry Laus, em matéria do Jornal do Brasil de 29AGO1963, informa que a Reitoria da UP pagou as passagens aéreas desses profissionais, bem como o transporte e seguro das obras remetidas pelo MAM.
Na realidade o I° Salão de Artes Plásticas da UP foi além de um evento regional: trouxe a Belém uma exposição de vanguarda, com oficinas e palestras proferidas por autoridades (à época relevantes) na técnica e no assunto (ou motivo).

O jornal A Província do Pará do dia 10NOV1963 reproduz, na ordem orientada pelo catálogo, o nome de todos os participantes (regionais) do Salão – demos destaque aos paraenses, alguns dos quais entrevistados pela Província no período de inscrição e que terão suas falas reproduzidas ao final desta matéria, nas referências.
Ainda não foi possível, pelo desencontro das informações nas mídias, listar os intelectuais que foram trazidos pela Universidade com o aval do MAM-Rio; também não alcançamos um rol confiável das obras/artistas que vieram junto como bagagem, nem a programação e as atividades culturais que eles (“do MAM”) propuseram e cumpriram – nas reportagens temos fragmentos que ainda não se confirmaram.
Por repetição de notas, obras da polonesa radicada no Rio de Janeiro, Fayga Ostrower, e do pernambucano, Darel Valença Lins, estiveram penduradas nos painéis montados na Assembléia Paraense.

Por outro lado A Província nos dá os nomes de todos os artistas e/ou aspirantes a artistas que compuseram a exposição que fez barulho em Belém e no dito sul do país.

Eneida de Moraes e Harry Laus na abertura do I° Salão da UP na AP

Eneida de Morais e Harry Laus, jornalistas que integraram a comitiva sulista avalizada pelo MAM – ele presidente (da comitiva sulista) – escreveram nos jornais cariocas sobre o Salão da UP: Laus no Jornal do Brasil (07NOV1963) e Eneida no Diário de Notícias (08NOV1963); nenhum dos dois poupou críticas ao certame: Laus o chamou de experimental e Eneida não atestou sua qualidade; todavia apontam Roberto de La Roque Soares como o destaque da categoria pintura: Laus diz que La Rocque era o “único merecedor do prêmio de pintura” e Eneida: “Não direi que o salão seja de melhor qualidade se bem que êle apresente artistas como Roberto de La Rocque Soares (Pará), com pinturas a óleo muito boas…”.
Em outras palavras: Eneida e Laus desconsideraram a decisão da comissão julgadora, para a qual não foram escolhidos apesar de aqui estarem presentes e aptos à compô-la, que deu a Ruy Meira o primeiro lugar e empatou, na segunda colocação, La Rocque com Benedito Melo em pintura.
Bem… não conhecemos rivalidades entre os amigos La Rocque, Benedito Melo e Ruy Meira (foto na sequência); impossível imaginar, no turbilhão político-ideológico das vésperas do Golpe Militar de 1964, as relação entre os membros da comitiva sulista que aqui chegou com pavulagem – apesar de Eneida e Quirino serem paraenses nascidos em Belém.

Antonio Carlos Lobo Soares, primogênito do Mestre La Rocque, enviou-nos fotos de duas telas pintadas a óleo que seguem os mesmos gestos (pictóricos) das apresentadas no Iº Salão – Tonhão busca registros das pinturas que foram expostas na AP em 1963, mas mal reproduzidas nos clichês de A Província do dia 10NOV1963 vistos mais acima.

Pouca gente conhece a Maquetaria, a sala mais popular do Ateliê de Arquitetura da UFPA, pelo nome de Laboratório Professor Roberto de La Rocque Soares (a placa beira os 14 anos); muito menos que La Rocque, se vivo estivesse, completaria 100 anos no dia 28 de outubro próximo.


Referências:

Entrevistas com alguns artistas que se inscreveram no I° Salão de Artes Plásticas da UP e tiveram seus trabalhos expostos:
Irmão Afonso
João Pinto
Ruy Meira
La Rocque
Raimundo Viana
Marialva de Castro Ribeiro

Leia também Os barulhos de Laus e Eneida.


As investigações continuam ao enriquecimento desta matéria ou à produção de outras que dela se desdobrem.

Por fim reveja o audiovisual sobre o I° Salão de Artes Plásticas da UP


Postscriptvm:

Aqui fechamos a lista dos 12 artistas expositores externos do I° Salão da Universidade do Pará que, segundo Quirino Campofiorito, foram escolhidos pela escritora paraense Eneida de Moraes.
Linkaremos os nomes desses artistas às suas biografias e/ou obras:
Ademir Martins, Ana Letícia, Darel Valença Lins, Edith Behring, Fayga Ostrower, Frank Schaeffer, Iberê Camargo, Izabel Pons, Marcelo Grassman, Roberto Delamônica, Rossini Peres e Tiziana Bonazzola Barata.


Postscriptvm (09DEZ2024):

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Divulgação/convite à FAU

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