A Casa de Ópera de Belém – edificação de 1775

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A Casa de Ópera situava-se ao lado dos jardins (nos fundos) do Palácio dos Governadores do Grão-Pará; veja a Localização aproximada da Casa da Ópera de Belém.

Ilustração retirada do artigo do escritor Márcio Souza:  Afinal, quem é mais moderno neste país?

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Divulgação

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Sociedade do Descanço – Empreza de Bertino Barboza de Lima

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A curiosa Sociedade do Descanço – depois pela mudança da grafia: Descanso – de Bertino Barboza de Lima instalou-se em 1860 no Arraial de Nazareth,  um ano depois de um anão índio ser exposto no Hotel Apollo; Bertino fora testemunha ocular das transformações materiais e imateriais ao redor da igreja de Nossa Senhora de Nazareth do Desterro, paróquia correspondente ao 4° distrito da capital, por 61 anos – salvo a possibilidade de alguém tê-la assumido nos últimos anos que não seu notório fundador e diretor –; por ora não encontramos a data de seu falecimento.
Bertino lá já estava quando implementaram o Jardim Mythologico e a Companhia Urbana da Estrada de Ferro Paraense, um defronte ao outro, depois (dos fundos) da ermida, na Estrada da Independência; a Sociedade do Descanço não viu surgir o Pavilhão de Flora, em 1851, mas o de Vesta (1891) há certeza.
O emprezario deve ter tomado sorvetes, ou mandado buscá-los (por criados decentemente vestidos) aos seus assinantes, na A Siberia, quando esta sucursal do Mytologico ocupou uma casa no Largo de Nazareth, em 1871; certamente Bertino assistiu a construção e funcionamento da Fábrica de Cerveja Paraense dentro do terreno do extinto Mythologico.
A Sociedade do Descanço, segundo os periódicos que a cobriram por mais de meio século (até 1921 nas ocorrências da Biblioteca Nacional), não era mero ponto de alugar cadeiras e sofás de distintos modelos, mas um lugar notório do Arraial, ao lado esquerdo da igreja, que utilizava-se do passeio público a ela fronteiro à arrumação do comércio a céu aberto.
Bertino, que n’alguns casos de grandes eventos fora do Arraial transportava seus equipamentos, agregava serviços à Sociedade conforme O Liberal do Pará de 28OUT1870:

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Fonte: recortes de jornais da Hemeroteca Digital Brasileira  Biblioteca Nacional.


Sugestão de leitura:

A Música e o Tempo no Grão-Pará de Vicente Juarimbu Salles; mais especificamente TABLADOS POPULARES, pois neste tópico Vicente trata das festas profanas no Arraial de Nazareth desde o estabelecimento do Círio.


O clichê dos anos 1870 comporá a futura Boutique Virtual da FAU:

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Estatística de 2016 (BF)

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Os números, no geral, batem com as projeções feitas em maio de 2016 quando o Projeto Blog da FAU completou 6 anos de existência.

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Marquês de Pombal; vulgo Porto do Collares

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O Porto do Collares (travessa do Seminário, depois travessa Marquês de Pombal até o momento), no século XIX, estendia-se à rua Calçada do Collegio (rua Pedro Rayol, hoje rua Padre Champagnat); aqui, pelo Google Maps e acima em fotograma de 2015.
Alguns comerciantes estabelecidos nessa área, mesmo que nas atividades varejistas específicas de suas firmas, negociavam escravos da capital e do interior da Província.

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Do projeto de extensão Sampleados da FAP (2015)

Material enviado pelo professor Marcellino Milhomem Moreno.

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A escrava Clara confirma conexão Jardim Mythologico-Museu Goeldi

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A nota acima – inserida nos recortes da publicação Especulações da área do Jardim Mythologico apenas como referência de lugar  – comprova a relação do Jardim Mythologico com a propriedade de  Bento José da Silva Santos adquirida em 1895 pelo Governo do Estado do Pará para sediar o Museu Paraense Emílio Goeldi.


Postscriptvm:
Porto do Collares era o nome vulgar dado à travessa Marquês de Pombal onde comerciantes ali estabelecidos negociavam escravos.

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Especulações da área do Jardim Mythologico

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Ampliável à leitura

Em Onde ficava o Jardim Mythologico de Belém do Pará? aventouse a possibilidade da Fábrica de Cerveja Paraense ter ocupado parte da área pertencente ao Jardim Mythologico – sítio privado destinado ao divertimento público localizado na Estrada da Independência de propriedade da firma Gomes Junior & C.ª .
O Jardim Mythologico, referência comprovada de lugar da cidade pelo menos até 1882, surgiu no final de 1870 como Circo Olympico sendo rebatizado em 04 de junho de 1871.
As investigações revelaram notas que nos fizeram arriscar uma conformação – hipotética pela falta de dados – do terreno defronte à estação da Companhia Urbana da Estrada de Ferro Paraense, uma sociedade anônima concomitantemente implementada à integração e expansão de Belém na direção da Estrada de Bragança (antes da Estrada de Ferro de Bragança); em 1871 os trilhos urbanos já circulavam a cidade e chegavam ao Largo de São Brás, além do Mythologico.
Os anúncios no conjunto gráfico trazem à tona a figura do pai de Manuel Raymundo Gomes Junior* (Gomes Junior & C.ª) como negociador dos terrenos em seu cartório; Manuel Raymundo Gomes** fora serventuário vitalício até 15 de dezembro de 1874.
O fato da família Raymundo Gomes por à venda partes do Mythologico pelas extremidades nos faz crer no primeiro fatiamento e subtração da superfície original de sua propriedade: possivelmente compreendida, pela frente, na Estrada da Independência, entre as travessas 14 de Março e 09 de Janeiro; já pelos fundos, limitada na Estrada da Constituição (Gentil Bitencourt).
Vale destacar o dito na conclusão do relatório da Urbana Paraense (Anno I): … o assombroso augmento de valor nos terrenos no bairro de Nazareth e na linha do Marco, nos dão a firme convicção de que um brilhante futuro aguarda  a nossa nascente empreza… como justificativa ao desfalque geográfico na chácara Jardim Mythologico.
Se conseguimos interpretar satisfatoriamente as informações o quarteirão do Museu Paraense Emílio Goeldi estaria, em 1871, totalmente inserido na Quinta dos Gomes que possuía plantação de laranjas, as quais se vendia no local aos centos.
Observamos que esta postagem foi baseada em suposições, portanto, há possibilidades de erro – à correção em postscriptvm ou novas publicações se necessário.
As buscas permanecem, mas o que temos de novidades pretéritas ao entretenimento, por ora, pode ser acessado em recortes de jornais (arquivo pdf), um hiperlink às fontes primárias.

*Manuel Raymundo Gomes Junior em 1871 tinha 26 anos de idade e sua firma, a Gomes Junior & C.ª, certamente era familiar com domínio decisório do patriarca.
**Manuel Raymundo Gomes, o tabelião Gomes, fora casado com Umbellina M. da Conceição Gomes com quem tivera três filhos: Hygino Raymundo Gomes, Manuel Raymundo Gomes Junior (casado com Robina de Araujo Gomes) e Maria M. Gomes Paes (casada com Pedro Antonio Paes); da família nuclear também fizera parte seu irmão: Rodrigo Raymundo Gomes.

Fonte: recortes de jornais da Hemeroteca Digital Brasileira  Biblioteca Nacional.


Material recomendado à leitura:

Relatório da Companhia Urbana da Estrada de Ferro Paraense – anno de 1872.

Relatório da Companhia Urbana da Estrada de Ferro Paraense – anno de 1882.

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Resultado MOBIN MOBEX 2016 para Arquitetura e Urbanismo

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Fonte: CEPS – UFPA.

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Notinhas que confundem a História

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Conjunto gráfico ampliável à leitura e observações

As notas guardam semelhanças e suas datações apenas denotariam demora na transação de locação; todavia, os endereços de onde se poderia alugá-las, na Rua dos Mercadores, tinham numerações distintas: 16 e 43 (o 43 não aparece no jornal); ou seja: os recortes compõem uma cilada porque não se referem à mesma rocinha: a do mais antigo anúncio, de 1871, estava na Estrada de São José, já a de 1873, na Estrada da Independência, junto ao Jardim Mythologico, defronte à estação da Companhia Urbana da Estrada de Ferro Paraense.
Reforçando: a rocinha colada no Jardim Mythologico, situada na Estrada da Independência, era negociada em 1873 pelo próprio dono, Antonio Cardoso da Cunha Coimbra, no sobrado de nº43 da Rua dos Mercadores que sediava sua firma: a Coimbra, Pêgo e C.ª – uma espécie de importadora com armazéns para ferragens e outros produtos… –; já a rocinha da Estrada de São José estava, em 1871, para alugar, nas mãos do advogado Heraclio Vespasiano Fiock Romano, estabelecido em escritório no número 16 da mesma Rua dos Mercadores.
Como um recorte nada tem a ver com o outro, somente o de 1873 pode ser considerado à localização do Jardim MythologicoEstrada da Independência defronte à estação da Companhia Urbana da Estrada de Ferro Paraense.

Espera-se, com o resultado desta investigação, que não pairem mais dúvidas sobre a publicação Onde ficava o Jardim Mythologico de Belém do Pará? cuja a invariável resposta é Estrada da Independência (defronte da estação da Companhia Urbana da Estrada de Ferro Paraense, em área do hoje Jardim Independência).

Rua dos Mercadores: João Alfredo; Estrada de São José: Dezesseis de Novembro; e, Estrada da Independência: Magalhães Barata.


Postscriptvm (04JAN2017):
O senhor Antonio Cardoso da Cunha Coimbra, como mostra a lista de débito da décima urbana na rua dos Mercadores, ali esteve, no número 43, pelo menos até 1879:

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A derradeira postagem de 2016 – o Jardim Mythologico de Belém do Pará

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Fonte: Hemeroteca Digital Brasileira Biblioteca Nacional.
Publicação relacionada: Onde ficava o Jardim Mythologico de Belém do Pará?


Veja o que foi o Jardim Mythológico de Belém do Pará – localizado na área do hoje Jardim Independência na Magalhães Barata – em crônica publicada em O Liberal do Pará do dia 21 de setembro de 1871:

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Ampliável por clique à melhor leitura


Chamamos a atenção dos leitores que o colunista Junior Sobrinho (pseudônimo?), quando se refere a wagons e machambombas (maxambombas), quer dizer os vagões e locomotivas da Companhia Urbana da Estrada de Ferro Paraense  que tinha sua estação e garagem defronte ao Jardim Mythologico na Estrada da Independência.
Como o jornal não dá a localização do Mythologico, tem-se que focar acuradamente no ano: 1871; caso contrário há a possibilidade, por má interpretação, de um deslocamento no espaço e no tempo à Estação da Estrada de Ferro de Bragança do Jardim Público  Estrada de São José em 1888, pelo menos.
O texto é uma armadilha aos pesquisadores (atuais e do passado) porque ambas as estações ferroviárias, tanto a da Urbana Paraense na Independência (1871) quanto  a de Bragança na São José (1888), estavam defronte de notórios jardins: o Mythologico e o Publico, respectivamente.

Fonte: recortes de jornais da Hemeroteca Digital Brasileira  Biblioteca Nacional.

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A atrapalhada memória de Heliodoro de Brito em 1930 – ficção?

estrada-de-sao-joseLitografia de Joseph León Righini publicada em 1867: Estrada de São José

Feira do Som, da Rádio Cultura, contradiz o Blog da FAU causou polêmica por “derrubar” a pesquisa contida em Onde ficava o Jardim Mythologico de Belém do Pará?.
A resposta correta à pergunta do programa Feira do Som da Rádio Cultura do Pará não poderia ser outra que Estrada da Independência;  todavia, uma transcrição de matéria do jornal Folha do Norte datado de 01JAN1930 assinada por Heliodoro de Almeida Brito (irmão do amazonense Paulino de Almeida Brito)  fez com que o local real fosse substituído por outro vindo da complexa memória de seu autor: Estrada de São José, onde hoje se localiza o Hotel de Trânsito de Oficiais do Exército Brasileiro e já foi a Estação do Jardim Público da Estrada de Ferro de Bragança – o texto veio à baila pelo professor Fabiano Homobono.
Heliodoro parece ter trocado, sem cerimônia, o nome dos Campos Elyseos por Jardim Mythologico; os Campos Elyseos (apodo que não se popularizou),  ao que tudo indica, constituíam a área do Jardim Público explorada por Antonio do Ó de Almeida de 1880 até 1888 com a implementação da estação ferroviária na Estrada de São José – do Ó pediu indenização em 1889 pelas benfeitorias que lá fez.
O verdadeiro Jardim Mythologico, inaugurado como Circo Olympico em 1870, funcionou até 1874 na Estrada da Independência; ou seja: seis anos antes do arrendamento feito, salvo improvável homônimo, pelo sogro de Lauro Sodré na Estrada de São José.
Vejamos a análise do documento de Heliodoro em confronto com periódicos da época em que atos e fatos se deram:

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Ampliável à leitura

Análise do artigo de Heliodoro de Almeida Brito em PDF.


Postscriptvm:

Na realidade o Jardim Público fora explorado pela família Ó de Almeida desde 1878 quando Leopoldo do Ó de Almeida firmou contrato com a Província; com seu falecimento em 1880 Antonio do Ó de Almeida – seu pai – passou a ser o arrendatário do terreno:

recortes-leopoldo-do-oEssa novidade pretérita pode habilitar mais um filho no quadro de descendentes de Antonio do Ó de Almeida mostrado no final de José do Ó de Almeida — precursor da fotografia em Belém.


Postscriptvm 2:

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Paulino de Brito estava com 29 anos; Heliodoro, se mais moço, tem sua primeira memória na decadência que provocou o arrendamento do Jardim Publico em 1873; depois salta para os bailes públicos, possivelmente como frequentador, para compará-los ao “nosso horto” da “imaginação de cre(a)nça” que tinha “o tosco portão que se abria para a então estrada de São José” – um escrito a serviço da Literatura não da História.


Postscriptvm 3 (07JUN2017):

Heliodoro Brito, na foto com gravata borboleta, era secretário do intendente de Belém, Antonio Facióla, no ano de 1930.

Antonio Facióla com netos e Heliodoro nos jardins da Chácara Bem-bom.

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Feira do Som, da Rádio Cultura, contradiz o Blog da FAU e erra

Não sabemos, por ora, se houve outro Jardim Mythologico que não o da Estrada da Independência, defronte à Companhia Urbana da Estrada de Ferro Paraense como publicamos em Onde ficava o Jardim Mythologico de Belém do Pará? exatamente a mesma pergunta, sem tirar nem por, feita hoje, 21DEZ2016, no programa Feira do Som de Edgar Augusto Proença na Rádio Cultura do Pará.
O Jardim Mythologico – inaugurado como Circo Olympico –, propriedade de Gomes Junior & Cia, funcionou entre 1871 e 1874; ou seja: anterior à Estrada de Ferro de Bragança e suas estações em Belém: tanto a de São Brás, quanto a da Estrada de São José, dita do Jardim Público.
Especula-se que no terreno do Mythologico erigiu-se a Fábrica de Cerveja Paraense e seja hoje parte do Jardim Independência na avenida Governador Magalhães Barata, entre 14 de Março e Alcindo Cacela.


Postscriptvm (22DEZ2016):

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Ampliável à leitura

Os recortes dos Relatórios Provinciais entre 1866 e 1879 dão destaque às dificuldades da implementação e manutenção do Jardim Público da Estrada de São José; são eles (os recortes) anteriores, do ano do surgimento do Jardim Mythologico na Estrada da Independência (1871) e posteriores ao seu fechamento (1874).
Nenhuma de nossas buscas apontou a localização do Jardim Mythologico nas imediações ou no lugar que edificar-se-ia a Estação da Estrada de Ferro de Bragança da São José (ou do Jardim Público) inaugurada em 1888.
Ao que tudo indica a Rádio Cultura do Pará confundiu as estações:  a da Companhia Urbana da Estrada de Ferro Paraense, na Estrada da Independência (1871), com a da Estrada de Ferro de Bragança, na Estrada de São José (1888) – atual avenida 16 de Novembro.
Existe coincidência no fato de as estações terem jardins notórios nas cercanias; o que pode causar interpretações dúbias se não observadas as datações e o fato da Estrada de Ferro Paraense, em 1871, utilizar locomotivas a vapor atreladas a vagões de passageiros e cargas   trens urbanos provocadores de inúmeros acidentes à época, daí a introdução da tração animal em algumas linhas.
Pela descrição do Jardim Mytologico em 1871, é-nos contraditório qualquer semelhança com o cenário do Jardim Público de 1868:

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O Relatorio da Repartição de Obras Publicas dá-nos mais detalhes do que havia no pequeno e acanhado espaço occupado pelo jardim publico:

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Postscriptvm 2 (27DEZ2016):

Em resposta ao comentário de Alessandra Caleja em nome do Programa Feira do Som:

É verdade que o professor Fabiano Homobono, diretor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e também colaborador do Blog da FAU, contestou, pós Feira do Som, a publicação apresentando uma transcrição do jornal Folha do Norte de 01JAN1930; tal documento, ora incompleto, está sendo analisado por outros colaboradores do BF, uma vez que não encontramos, ainda, nenhuma evidência em periódicos ou documentos antigos de que houvesse outro Jardim Mythologico que não o da Estrada da Independência em Belém do Pará; também nada achamos na dissertação de Nelson Rodrigues Sanjad  – referência sobre a análise da área de São José.
Obviamente o professor Fabiano pode estar certo e a ele é franqueado espaço para apresentar sua hipótese, ou mesmo tese, à apreciação pública e à contestação de Onde ficava o Jardim Mythologico de Belém do Pará?; por enquanto a resposta correta permanece Estrada da Independência, hoje avenida Magalhães Barata – se outro houve não mereceu a publicidade deste.


Postscriptvm 3 (27DEZ2016):

Heliodoro de Almeida Brito ao escrever na Folha do Norte de 01JAN1930 sobre sua imaginação de crença (creança?) e completando o quadro diluído por uma farta penca de janeiros… pode ter confundido o Jardim Mythologico com os Campos Elyseos, propagandeado como Antigo Jardim Publico em 1881:

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As investigações permanecem.


Postscriptvm 4 (27DEZ2016):

O Artigo 25 da Lei 778 de 09SET1873, por intermédio do Diario de Belém de 14OUT1873, diz:

diario-de-belem-14out1873

O Jardim Mythologico da Estrada da Independência é anterior à tal lei: com funcionamento entre 1870 (Circo Olympico) e 1874  em local privado de propriedade de Gomes Junior & Cia sito à Estrada da Independência.
A autorização à abertura de concessões do espaço público pode ter propiciado diversas ideias à exploração daquela área como se vê nos anos de 1882, 1883 e 1884 (antes da inauguração da Estação de São José da Estrada de Ferro de Bragança, mas posteriores ao Mythologico da Independência):

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Postscriptvm 5 (27DEZ2016):

Definitivamente o artigo escrito por Heliodoro de Almeida Brito na Folha do Norte de 01JAN1930 não se sustenta diante das notas dos jornais da época dos acontecimentos reais:

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Ampliável à leitura

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Em demolição a obra brutalista de Roberto de La Rocque Soares

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Google Street View 2016

Resultado da pesquisa: Roberto de La Rocque Soares no Blog da FAU.
Veja o álbum montado com fotografias tiradas em 08NOV2016 com a permissão da construtora: Residência Reinaldo Silva – projeto Roberto de La Rocque Soares.

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Independência, Cypriano Santos, Independência ― 10 anos de confusão na avenida

corel057A fotografia acima ilustra o Relatório 1930 do intendente Antonio de Almeida Facióla; chamamos a atenção para o Avenida da Independencia em seu título.
De fato enxergamos a Avenida da Independência (hoje Magalhães Barata) na esquina da 22 de Junho (atual Alcindo Cacela) com fuga à Avenida Nazareth.
O prédio do canto esquerdo ainda está lá, conservado:

corel060Imagem do Google View 2016

Em outra página (32) do Relatório 1930 de Facióla encontramos uma nota de isenção de imposto predial na referida via com o nome de Avenida Cypriano Santos:

corel055Supomos tratar-se do Palacete Passarinho erigido em área urbanizada, todavia, os herdeiros não reconhecem o nome Amélia Pereira Passarinho que pode ter sido grafado de modo equivocado pelo senador estadual e intendente de Belém.
Acreditamos, além das informações contidas em periódicos, que a homenagem feita ao médico e político Cypriano José dos Santos não se popularizou naquela área, já que a própria Intendência Municipal de Belém a renegou ao dualizá-la em documento público.

casa-salomao-almanak-laemmert-1931A até hoje emblemática Casa Salomão situava-se na Avenida Cypriano Santos nº35, lado ímpar, em 1931

Diante da ausência da documentação oficial que instituiu e destituiu o nome do doutor Cypriano Santos à Avenida da Independência o professor Fabiano Homobono fez um alerta ao mapa coordenado por José Sidrim em 1905; naquela carta Sidrim dá a projeção da Avenida da Independência em linha reta até um bosque fronteiriço ao Boulevard da Câmara (hoje Perimetral da Ciência).
Das plantas mais populares de Belém a de Sidrim é a única que estica a via nominando-a como da Independência, transpassando, em seu planejamento, o centro do grande largo de São Brás (ou Floriano Peixoto com a República).
Odorico Nina Ribeiro (1886) e Theodoro Braga (1918) usam o mesmo traçado sem identificar o logradouro naquele prosseguimento.
Um mapa comercial elaborado por Maÿr Sampaio Fortuna (1948) representa a realidade aproximada do Google Maps: o desalinhamento da avenida que só recupera o gabarito projectual em seu final, na Passagem Santa Cruz, uma continuação recente (pós Maÿr) da Cypriano Santos:

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Maÿr parece dizer em seu desenho que o Mercado Renascença (ou de São Brás) rompe a visão posterior à Avenida (seja da Independência, Cypriano Santos ou a hoje Magalhães Barata), estabelecendo aí seu ponto terminal lógico à percepção da população.
Esse hiato, ou independência das duas vias, possivelmente garantiu a permanência do nome de Cypriano no periférico e populoso bairro de Canudos originado com as atividades da Estação da Estrada de Ferro de Bragança no início do século XX em parte da superfície da Quinta de Queluz.


Postscriptvm (17MAR1917):

Nota enviada pelo colaborador Aristóteles Guilliot de Miranda estende o período da mudança no nome da avenida.

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Complexo Fábrica de Cerveja Paraense (2)

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A fotografia acima, sem datação, nos é inédita; foi ela enviada pelo colaborador Igor Pacheco, editor do Fragmentos de Belém, e mostra a sequência dos prédios postos à venda em 1940: Cinema Popular, Bar Pilsen, Fábrica de Cerveja Paraense e Bar Theatro Paraense; todavia, o que se vê na marcação do Cinema Popular é o Botequim Casa Machado: Tabacaria, Botequim e Bilhares.

A Fábrica de Cerveja Paraense – que não possui relação alguma com a CERPASA, Cervejaria Paraense S. A. fundada em 1966 – ocupou o cenário da principal via de expansão e integração de Belém: a Avenida da Independência, antes Estrada do Utinga, do Maranhão; bem como viu seu endereço mudar nominalmente para Avenida Cypriano José dos Santos na década de 1920 e retornar à Independência nos anos 1930, com nova numeração que trocou o seu 12 por 78.
Ainda não descobrimos os extremos do intervalo em que a Avenida Independência foi chamada Cypriano Santos; possivelmente após a morte do próprio, médico e político, em 1923 – sabe-se, pelo Almanak Laemmert, que em 1935 já estava desfeita a homenagem e a F. C. P. era achada na Avenida da Independência nº78.
Ernesto Cruz, à página 94 de Ruas de Belém, equivoca-se, em cinco anos, com o falecimento de Cypriano – O Bar Pilsen, vizinho à F. C. P., quando explorado por Affonso Lopes & Cia. em 1925, já ocupava o número 14 da Cypriano Santos, indivíduo extinto na condição de vice-governador do Pará por ser o presidente do Senado do Estado.

Fontes: jornais 1923-1935.


relatorio-lemos-pg-257-1906A imagem publicada no Relatório 1906 do intendente Antonio José de Lemos mostra o núcleo fabril pioneiro no primeiro ano de funcionamento da Fábrica de Cerveja Paraense; observe-se a cerca de madeira, recém construída, no sentido longitudinal do terreno, com perspectiva à Estrada da Constituição (hoje Avenida Gentil Bitencourt); a iconografia sugere o limite lateral primitivo do terreno comprado de Dona Maria da Ponte e Souza em 1899, seis anos antes.

Se comparados dois recortes, um publicado em Os 21 anos da Fábrica de Cerveja Paraense e o outro em O Complexo Fábrica de Cerveja Paraense, notaremos a diferença de  10.240m² entre os anos de 1926 (29.760m²) e 1947 (40.000m²) quando a Fábrica de Cerveja Paraense foi vendida, pelo Governo do Estado do Pará, à Companhia Cervejaria Brahma:

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O acréscimo significativo na superfície do terreno, salvo falhas da impressão tipográfica dos jornais, abre dúvida para quando a Casa Machado e o Bar Pilsen passaram a integrar o patrimônio da F. C. P. que em 1926 teve melhoramentos divulgados em periódico carioca como inauguração (aos 21 anos de funcionamento) feita pela diretoria composta por Antonio de Almeida Facióla, Eduardo Tavares Cardoso e Menasses Belsimon.
Os investimentos dessa nova administração da usina propiciaram uma sobrevida de 13 anos; quando, em 1939 há a sua liquidação e inúmeros funcionários e operários, muitos dos quais com 15 e 30 anos de serviço, perdem seus empregos.
O Paiz de 12SET1926, mesmo na evidência da propaganda, deu sinais do risco: a F. C. P. tinha capacidade produtiva para 5 milhões de litros anuais de cerveja, porém, pela retração do mercado, só fabricava a metade, diversificando o potencial do novo maquinário com refrigerantes e outras bebidas não alcoólicas.
O Correio da Manhã (RJ) de 22JUL1930 diz que as rendas gerais da F. C. P. caíram 470:919$740 em relação ao primeiro semestre de 1927 quando o decréscimo iniciou constância.
A situação  agravou-se paulatinamente e em 1933 surge uma greve que, dentre outras reivindicações trabalhistas, exige o restabelecimento de chopp aos reclamantes – some-se a isto, no mesmo momento, uma multa elevada (130:000$000) de imposto federal por sonegação aplicada à usina.
A Manhã (RJ) de 20AGO1935 dá panorama à política paraense destacando à imprevisibilidade do velho trapezista Antonio Facióla como um dentre os dois protagonistas da vitória na eleição indireta e fisiológica do advogado José Carneiro da Gama Malcher ao Governo do Pará – Facióla faleceria em 1936 como deputado estadual, mas fora senador do Estado e, concomitantemente, intendente municipal.
Morto Facióla a Fábrica de Cerveja Paraense ficaria mais três anos em funcionamento, até 1939; certamente a desenvoltura e prestigio do abastado comendador em governos distintos – Eurico Valle, Magalhães Barata e José Malcher – converteram-se em subsidio tácito à Sociedade Anônima que durou quarenta anos.
Em 27 de julho de 1940 a F. C. P. é posta em malogrado leilão; somente em 1943 é desapropriada, a bem da utilidade pública, pelo interventor Magalhães Barata que por ela pagou quatrocentos mil Cruzeiros; Barata intencionava instalar na antiga fábrica um magnífico modelo que resolveria o problema  de abastecimento de carne verde à população – a F. C. P. era dotada de espaçosas câmaras frigoríficas que alugava a importadores de gêneros perecíveis ou a qualquer que pudesse pagar por elas.
Em 1947, por decreto-lei, o major Moura Carvalho, então governador do Estado do Pará, vende a F. C. P. à Companhia Cervejaria Brahma do Rio de Janeiro, com a condição de que no local fosse instalada uma moderna fábrica de cerveja.
A Brahma fez da F. C. P. depósito e manteve em funcionamento, dentro do complexo que adquiriu, o Bar Pilsen (nota de revitalização do lugar em 1947) e o Cinema Popular (notícia policial de 1951).
Por ora desconhecemos as ocorrências com  a Fábrica de Cerveja Paraense entre 1951 e 1962, quando os paraenses Alcyr Boris de Souza Meira e Geneciano Fernandes Luz adquiriram, intermediados pelo escritório Freitas Valle do Rio de Janeiro, toda a área dita de 40.000m² da Brahma e lá planejaram o Loteamento Jardim Independência, objeto de matéria futura.

Fonte: jornais 1925-1951.


Postscriptvm (16/12/2016): o recorte abaixo mostra o Cinema Popular em funcionamento em 1929, ano em que Antonio de Almeida Facióla fora nomeado intendente municipal pelo governador Eurico de Freitas Valle:

lammert-1929

A mudança do nome da Avenida da Independência para Cypriano Santos, a qual estimamos uma duração de 10 anos entre 1925 e 1935, provoca confusões nas investigações.


Postscriptvm (17MAR1917):

Nota enviada pelo colaborador Aristóteles Guilliod de Miranda mostra que a avenida da Independência passou a ser chamada de Cypriano Santos em 1924.

 

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Divulgação

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Annuncio da Fábrica de Cerveja Paraense

fcp-comunicacao

corel030Fonte: Annuncios do Almanak de Laemmert
1919, 1923 e 1924.

O mesmo annuncio fora publicado no Almanak Henault de 1910; só não sabemos se em cores.

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Vicente Salles diz que Theatro Bar Paraense tinha estrutura de ferro

https://fauufpa.org/wp-content/uploads/2016/12/ibpc.jpg

O postal mostra um pórtico com arco em ferro onde se consegue ler apenas ja Paraense sugerindo Fábrica de Cerveja Paraense; isto à esquerda do Theatro Bar Paraense que, segundo Vicente Salles, era bela estrutura de ferro.
Busca-se, para substituição, imagem com melhor resolução.

Fonte do texto:
Épocas do Teatro no Grão-Pará ou Apresentação do Teatro de Época (Tomo I).


Postscriptvum:
A afirmativa de Vicente Salles não vai de encontro ao que disse ao BF o professor Alcyr Boris de Souza Meira que em 1962 adquiriu toda a área da Fábrica de Cerveja Paraense da Brahma junto com sua família e o comandante Geneciano Fernandes Luz:

Quando compramos o terreno o Theatro Bar Paraense não estava mais lá, já tinha sido desmanchado; naquela área por trás dele (Theatro Bar Paraense) só sobraram os edifícios da fábrica com a grande chaminé, todos em ruínas. Havia um prédio industrial com uma estrutura toda de alvenaria com paredes de oitenta centímetros a um metro de espessura que necessitou de muita dinamite para a sua demolição. 

Alcyr não soube responder qual o material empregado no Theatro Bar Paraense pois sua memória do lugar é remota, de criança, quando lá ia com seu pai tomar sorvetes.
Pelo anúncio de venda da Fábrica de Cerveja Paraense em 1940 é sabido que o Bar Paraense existira, pelo menos, até o referido ano.
Alcyr nasceu em Belém no dia 08 de abril de 1934.

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O Theatro Bar Paraense visto do bonde por Theodoro Braga em 1916

dd6Dahi entra êlle na bella, vasta e extensa Avenida da Independência, e logo no começo destacamos á esquerda, dentro de seu gracioso e florido jardim, o imponente edificio de educação de meninas orphãs e desvalidas, denominado Instituto Gentil Bitencourt e em frente o theatrinho Bar Paraense. Esse lugar é bastante movimentado: alem de ser ponto de passagem de bond, e final das linhas de tramways de Nazreth, ha o dito teatrinho, com uma confeitaria-bar, e junto, a grande Fábrica de Cerveja Paraense.

Theodoro Braga em foto e texto do  Guia do Estado do Pará de 1916.

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