A Trindade é hoje a Padre Prudêncio mais a Presidente Pernambuco

Ontem, numa mesa redonda promovida pela ed.ufpa com professores da FAU na XXI Feira Pan-amazônica do Livro no Hangar, uma pergunta feita por este editor ficou no ar (sem resposta): qual a localização da rua da Trindade, uma exceção à regra urbanística de Belém desde sua fundação (pelo menos até 1878)?
A bíblia — já que unanimidade em citações de dissertações e teses — Ruas de Belém, de Ernesto Cruz, diz sobre a Padre Prudêncio: da Misericórdia e depois do Landi suprimindo a necessária informação.
Mas O Democrata prestou-nos o serviço:

Referência: Planta da Cidade de Belém 1899.

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A localização do Chafariz do Bispo

Diante do anúncio publicado em 1883 corre-se ao Ruas de Belém de Ernesto Cruz para encontrar: Dr. Moraes antes Poço do Bispo e Chafariz do Bispo; assim, acredita-se num erro informativo do jornal pela impossibilidade de perpendicularidade entre tais vias e abandona-se o caso.
Entretanto: O Liberal do Pará de 05SET1877 avisa que a travessa do Chafariz do Bispo denominar-se-ha d’ora em diante travessa do Doutor Moraes; ou seja: quase seis anos antes da nota de venda dos terrenos no periódico paraense a nomenclatura daquele lugar de Nazareth não mais se confundiria com a do Reducto — em 1881 já pertenciam ao mesmo 7º distrito postal do Correio Geral da Província sem crucificações.

Mas… vejamos Belém em planta do Atlas do Império do Brazil de 1868 ao entendimento  da localização de um dos mananciais da cidade: o Paul D’água, já que o Chafariz do Bispo nele se achava, no Largo dos Poços, que ficava na travessa da Piedade como afirma o mesmo O Liberal do Pará de 11OUT1884.

Na comparação dos mapas — o antigo do Império e o recente do Google — é possível assegurar que o Largo dos Poços era uma área de confluência entre as atuais ruas Aristides Lobo e Osvaldo Cruz, mais a travessa Piedade (seu endereço real comprovado).
Assim ilustraremos o dito com uma fotografia panorâmica de 1910:

Pelo apanhado dos dados depura-se que houve duas travessas (ou travessa e rua) Chafariz do Bispo; a primeira, que transformou-se em Doutor Moraes no ano de 1877, era um caminho primitivo ao Largo dos Poços usado pelos habitantes que se deslocavam do sudeste da cidade, pelos fundos do cemitério da Soledade, para ali abastecerem-se de água; já a segunda era uma referência (ao próprio equipamento Chafariz do Bispo) dada pela população à via descontínua à rua do Rosário que passou a se chamar Aristides Lobo em 1890 em homenagem a esse líder republicano.
Até hoje a Aristides Lobo é quebrada pela Piedade, tendo a desembocadura da Osvaldo Cruz anterior à retomada de seu rumo à Visconde de Souza Franco,  sendo insensato ao transeunte crer se tratar do mesmo logradouro; portanto: a rua (paralela à Baía do Guajará) ou simplesmente o Chafariz do Bispo foi o que conhecemos como Aristides Lobo em seu segmento entre a travessa Piedade e a Doca de Souza Franco.

Observamos que os terrenos postos a leilão em 1883 representam, grosso modo, a metade do Boulevard Shopping Belém; todavia, permaneceríamos na ignorância do fato sem a desambiguação do seu caminho sito no Chafariz do Bispo.

Colaboraram com esta publicação:
Aristóteles Guilliod de Miranda e Igor Pacheco.


Postscriptvm (07JUN2017):

Saiba sobre o avanço das investigações em  A localização do Chafariz do Bispo (2) — tais novidades deverão mudar a marcação do Largo dos Poços na fotografia interferida da matéria.

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O sétimo aniversário do BF

Ver: a escolha da criação.

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Divulgação/convite à FAU

Stella Pessôa era colaboradora do Blog da FAU.

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Programação da ed.ufpa na XXI Feira Pan-Amazônica do Livro no Hangar

Programação da ed.ufpa na XXI Feira Pan-Amazônica do Livro.

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Divulgação/convite à FAU

O livro Mercados Populares em Belém: sociabilidades, práticas e identidades ribeirinhas em espaço urbano, em sequência ao volume 1, buscou mapear redes de sociabilidade, saberes e práticas econômicas, sociais e culturais desenvolvidas por trabalhadores e/ou frequentadores dos mercados e feiras populares localizados na área metropolitana de Belém. Os artigos publicados abordam majoritariamente estudos realizados na cidade de Belém, em feiras, portos e mercados, enfocando questões de sociabilidade, identidade e consumo relacionados às práticas comerciais. Esse conjunto de textos nos fornece uma ampliação quanto às discussões atuais sobre mercados populares, nas quais se evidencia a produção de sociabilidades e identidades nos espaços urbanos onde os mesmos estão localizados.
No livro Mercados Populares em Belém: sociabilidades, práticas e identidades ribeirinhas em espaço urbano estão as contribuições de discentes e docentes da Faculdade de Ciências Sociais-FACS e do Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Antropologia-PPGSA da Universidade Federal do Pará, incluindo pesquisas realizadas em nível de graduação, mestrado e doutorado, vinculadas aos projetos de pesquisa Mercados Populares em Belém (2009-2011) e Mercados Interculturais (2013-2016). Inclui outros trabalhos apresentados em eventos científicos regionais, nacionais e internacionais, em Grupos de Trabalho coordenados por pesquisadores integrantes do projeto, além  de outras pesquisas afins.

Luiz de Jesus Dias da Silva*

*Professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFPA
e um dos organizadores da publicação.

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Exercício gráfico ao 7º ano do Blog da FAU

Imagens ampliáveis

No dia 30 de maio próximo o projeto Blog da FAU completará sete anos de existência cumprindo seu papel de integrador do Ensino, da Pesquisa e da Extensão universitários na FAU-UFPA; oportunidade esta que propiciou aos calouros de 2017 a experimentação de ações gráficas capazes de produzir uma significação ao BF e sua atividade ininterrupta na Internet desde 30 de maio de 2010 — gestão Juliano Ximenes.
Os alunos das duas turmas da disciplina Representação e Expressão I (manhã e tarde) entregaram, na terça-feira passada, diversos exercícios de desenho em alto contraste dos quais cinco de cada grupamento de quase quarenta estudantes foram selecionados conforme conjunto acima; desses, por sua forma e conceito gráficos (nada de memorial descritivo), escolheu-se a árvore de Rosa Cunha.
Do dia 30 de maio a 14 de junho daremos destaque ao signo do aniversário do BF; os nove demais serão utilizados no cabeçalho randômico do projeto.
Autores na sequência da esquerda à direita:
Manhã: Lucas Almeida, Ronaldo Moraes, Fernanda Luz, Fernanda São Marcos e Alice Moura.
Tarde: Rosa Cunha, Cristhian Cabral, Mayko Lopes, Bianca Ribeiro e Bianca Ribeiro.

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O Pavilhão de Vesta seria obra da Constructora de Lemos?

Conjunto ampliável

As fotografias acima, publicadas em anos distintos, mostram a mesma esquina: Estrada de Nazareth/Travessa Generalíssimo Deodoro com vista ao Largo de Nazareth; a construção visível e comum às três é o Pavilhão de Vesta, obra que em 1891 substituiria o Pavilhão de Flora erigido em 1851 que cahio aos profundos golpes das picaretas vibradas pelas mãos profanas dos servidores da Intendencia!  (Diário de Notícias 22JUL1891)
Vesta teria outro fim, com mais de meio século de existênciaO desabamento…
Mas… regressemos no tempo: quando em 1890 a Companhia Constructora Paraense, sociedade anonima embrionária, propôs à Intendência Municipal de Belém construir no largo de Nazareth um pavilhão de ferro em substituição do que ali existe (Flora) e mais quatro nos angulos não calçados da mesma praça…
A Constructora, firma criada por Antonio José de Lemos e quatro sócios, intencionava explorar tais equipamentos passando os mesmos á propriedade da Intendencia no fim de 30 annos, e todos de acordo com as plantas que no prazo de 90 dias se obriga a apresentar á approvação da Intendência. (A República 29AGO1890)
A República mostra que a proposta fora rejeitada, todavia, subtraída da data de demolição do legendario Pavilhão de Flora, tem-se um intervalo inferior a um ano à análise de nova proposta; ou menos, se considerados três meses à aprovação de planos construtivos como regra.
Daí o questionamento: O Pavilhão de Vesta seria obra da Constructora de Lemos?
Haveria pertinência ao sim no caso da Companhia Constructora Paraense ter modificado seu projeto ao agrado dos pareceristas da Intendência; então um pavilhão de ferro em substituição do que ali existe (Flora) e mais quatro nos angulos não calçados da mesma praça transformar-se-iam  num pavilhão de cimento armado no centro da praça com quatro coretos em material misto [alvenaria, madeira e ferro(?)] nos vértices do logradouro como mostra a fotografia publicada em 1897 em L’état de Pará — tal imagem, certamente de momento pré ou pós Arrayal de Nazareth, nos faz enxergar barracas ou brinquedos além do Vesta e de um dos pavilhões de música (ou coretos) com dois pavimentos habitáveis.

Foto de Felipe Augusto Fidanza, da mesma época, sem os apetrechos típicos do arraial, mas que localiza o Vesta e outro coreto alto em ângulo do largo.


A Folha do Norte de 30AGO1896 parece elucidar a composição do cenário registrado por Fidanza confirmando a pretensão da Constructora (ou empreiteira congênere contratada ao serviço): explorar comercialmente os coretos.
A outra imagem (segunda foto do topo), retirada do álbum (de 1897 a 1899) do governo Paes de Carvalho, denuncia a ausência do pavilhão alto de escada íngreme em madeira sem corrimão da quina (Nazaré/Generalíssimo) da praça e a permanência soberba do Vesta.

O primeiro relatório de Antonio José de Lemos, no papel de intendente municipal de Belém, cobre o período entre 15 de novembro de 1897 e 15 de novembro de 1902 (5 anos) e é lustrado pelo Album de Belém Pará 15 de Novembro 1902  do qual retirou-se a última fotografia na sequência do topo do post; tal estampa revela nova tipologia nos coretos com aberturas de ventilação em seus porões forçando a unidade visual destes em relação ao Vesta que também não as possuía em sua origem.

O Pará 1908,  relatório do governador Augusto Montenegro (1901 a 1909), traz fotos do largo (com passeios em fórma de cruz de Lemos), do Vesta (com revestimento e aberturas distintos) e dos coretos (aparentemente sem novidades).


A pergunta do título, ainda sem resposta pela carência de dados, provoca algumas especulações:
Seriam as 42 casas da Villa Operária MacDowel as únicas obras da Companhia Constructora Paraense de Lemos e sócios?
Sabe-se que sua liquidação no final de 1896 não foi por insolvência: a Construtora possuía Uma villa de casas no coração da cidade; Terrenos no Jupatituba, em aquisição; Terrenos valiosos no Paul d’Agua; Terrenos agricolas no Castanhal; dos quais só encontramos a venda da Villa à AMAZONIA Companhia de  Seguros Terrestres e Marítimos.
É possível que os ditos Terrenos valiosos no Paul d’Agua sejam os mesmos onde Francismo Bolonha instalou sua montanha russa em 1899 (a Ferro-via Aérea Sensacional) e, na sequencia temporal: sua vila e palacete.

A marcação amarela na foto de satélite do Google tenta ilustrar a frustração da Companhia Constructora Paraense em 1893: abrir uma rua, entre a calçada do Collegio e o becco do Castello — contrato com o Bispo Diocesano, Dom Jerônimo, que não obteve aquiescência da Intendência por se tratar de edificações, na via, destinadas ao comercio e não á moradia das classes pobres. (A República 25MAR1893)
Mas… O Pavilhão de Vesta seria obra da Constructora de Lemos?
A despeito do que os jornais da época antagonizaram sobre história clássica, Vesta guardaria um conceito filosófico  explicado em 2007 por Patricia Horvat em O Templo de Vesta e a Ideia Romana de Centro do Mundo — o que não garante solução ao problema, apenas sugere a condição laica do abrigo, palco de festas profanas como fora a tenda Flora.


Referência virtual atual da construção de 1891 no centro do Largo de Nazareth em Belém do Pará:

Fonte: Progetto Traiano.


Matérias correlacionadas:

Passagem Mac Dowell — 125 anos da benção

A Villa Mac Dowell foi rebatizada Villa Amazonia 

Estrada Gentil Bittencourt, 32

Redesenhando a Villa Operária Mac Dowell 

A Villa Mac Dowell da Constructora de Antonio Lemos

A presença de Mac Farlane na Villa Mac Dowell 

Redesenhando a Villa Operária Mac Dowell (2)

Relíquia da Companhia de Seguros PARAENSE

Anúncio do terreno onde foi construída a Villa Operária Mac Dowell — 1888 

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A expansão do LAFORA (3)

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A expansão do LAFORA (2)

Imagens ampliáveis


Postscriptvum:

A área retratada nas últimas imagens em registro de 2010:

Note-se que a laje sobre as estacas limita-se no arrimo visto no vídeo.

Outro documento mais antigo do lugar:

A samaumeira defronte ao Ateliê de Arquitetura; por Luiz Braga

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Theodoro Braga — mapas de 1918

Theodoro Braga — mapas (do Pará e de Belém) 1918.

Fonte: acervo digital da BN.


Postscriptvm (15JAN2020):

Mapa TB

Hoje descobrimos que a Planta de Belém, aqui mostrada como mapas de 1918, na realidade foi publicada em 1916 no Guia do Estado do Pará de Theodoro Braga (em pdf do LV) .
Encontramos o livro de Braga em alta resolução na Bibliotheca Ibero-Americana, The Oliveira Lima Collection, Catholic University of America Washington D. C..

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A expansão do LAFORA

Fotos: Jhonata Braga.

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Apoie e faça parte dessa reedição histórica de um dos maiores romances da literatura brasileira.

Catarse.

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Jardim Independência — projeto e execução de Alcyr Boris de Souza Meira

Na tarde de 22 de outubro de 1962 (dia do Recírio de Nazaré), no Cartório Chermont, Alcyr Boris de Souza Meira, um jovem de 28 anos com seis de formado em engenharia civil, assinava, junto com seu sócio, Geneciano Fernandes Luz, a escritura pública da compra de uma grande área abandonada e insalubre às proximidades da igreja e largo de Nazaré.
O terreno, com antigas edificações remanescentes em ruínas, media cerca de 40 mil metros quadrados, possuindo duas frentes: uma à avenida Independência (hoje Magalhães Barata) e a outra à Gentil Bitencurt.
O plano de Boris, traduzido em plantas e posteriormente implementado, era retificar o lugar de acentuado declive na direção da Gentil Bitencourt, drená-lo, arruá-lo com três vias longitudinais e duas transversais asfaltadas  (todas de dois fluxos) e loteá-lo em 149 unidades à habitação; a infraestrutura de eletricidade, água e esgotamento garantiriam, como atrativo aos compradores, imediata construção de residências no momento da entrega do Jardim que possuiria, em sua rotunda — central , um monumento à Independência do Brasil desenhado pelo engenheiro-artista:

Planta do Jardim Independência cedida à fotografia por Alcy Meira (ampliável)

Alcyr comprara aquele lugar, engessado por questões legais, da Companhia Cervejaria Brahma Sociedade Anônima, sediada na Guanabara (Rio de Janeiro), com a ajuda financeira, jurídica e política de seu pai, o advogado e interventor federal no Estado do Pará em 1946, Otávio Augusto de Bastos Meira, que mantinha estritas relações de amizade e profissional com outro advogado, Eurico Paulo Valle* — residente e domiciliado no Rio de Janeiro , filho do último governador do Pará antes da Revolução de 1930: Eurico de Freitas Valle [e dona Lolota (Carlota da Fonseca Valle)].
O escritório de Eurico Paulo Valle permutava habitualmente causas interestaduais com o (escritório) de Otávio Meira e era interesse de Paulo desfazer-se daquele patrimônio infrutífero, vulnerável à desapropriação pelo aparente descaso da Sociedade Anônima carioca proprietária, tanto na condição de jurista, quanto de acionista da Companhia Cervejaria Brahma; desse modo, Otávio embarcou ao Rio de Janeiro às articulações possíveis com Paulo.
O legislativo estadual, com a aquiescência do governador Aurélio do Carmo, desobrigou a Brahma de construir uma fábrica de cerveja como estabeleceu o Decreto de 1947 assinado pelo governador Moura Carvalho; de todo modo, como destaca A Província do Pará em sua Crônica da Cidade (o9NOV1962): É que, embora presa a uma cláusula de obrigatoriedade de construir, ali, uma Fábrica de Cerveja, a Brahma não o poderia fazer exatamente por força de uma outra disposição igualmente respeitável, que considerando a zona  residencial, não permitia, nem permite a instalação, ali,  de qualquer indústria.
Na contraposição o Diário de Notícias do Rio de Janeiro de 02SET1964, quase dois anos após a negociação firmada, faz apelo ao general Bandeira Coelho, responsável pela instalação de inquéritos policiais militares no Pará pós Golpe de 1964,  para investigar essa transação indecorosa e punir os culpados.
Em conversas com este editor Alcyr Meira mencionou algumas ocorrências relativas à implementação de seu projeto em área de interesse à arqueologia da arquitetura, uma vez que o lugar, sabidamente, tem resquícios, em seus estratos, da Fábrica de Cerveja Paraense Sociedade Anônima e, certamente, de um pedaço, destinado ao divertimento público entre 1871 e 1874, da quinta denominada Jardim Mithologico que também compreendia, em certa distância no rumo do Marco da Légua, o atual Parque Zoobotânico do Museu Paraense Emílio Goeldi.
Sobre a demolição do que restara do parque industrial da Fábrica de Cerveja Paraense que demorou mais de cinco anos para ser concluído (de 1900 a 1905) com planejamento e assessoria possivelmente do engenheiro industrial espanhol Claudio Solanes, Alcyr disse que houve a necessidade de muitos quilos de dinamite para pô-lo no chão, pois a estrutura de alvenaria possuía paredes com 80 centímetro a um metro de espessura; havia ali grandes blocos de concreto equivalentes ao volume de um ônibus para suportar o pesado maquinário da cervejaria (caldeiras, tonéis, geradores, etc.) que,  pela impossibilidade de removê-los, beneficiaram alguns lotes como fundações às casas.
Boris também lembrou que a chaminé da indústria ainda estava de pé, bem como o Cinema Popular que ficava na hoje alameda Paulo Maranhão com a Magalhães Barata, onde posteriormente a construtora Freire Mello levantou o edifício Rainha Elizabeth, vizinho ao Banna, este, projeto de Alcyr, executado em 1963; ambos os prédios dentro do Independência.
Dados de investigações já publicadas neste site somados aos que revelaremos na sequência nos fazem crer que os blocos-ônibus enterrados no conjunto se situem por trás do Banna, ou mesmo em porções da alameda José de Almeida Facióla**; todavia, faz-se necessário que o próprio Boris trace, sobre sua prancha, o layout da memória do que ele viu das sobras da Fábrica de Cerveja Paraense.
Alcyr insistiu que os nomes dados às vias do Jardim Independência, em respeito à história, homenageiam diretores da antiga Fábrica de Cerveja Paraense; só confirmamos um, o do engenheiro Lúcio de Freitas Amaral, falecido aos 55 anos em 17 de novembro de 1914, mas permanecemos na busca dos demais.

*Eurico Paulo Valle e sua esposa Liselotte Kostenbader Valle tiveram os filho Marcos e Paulo Sergio Kostenbader Valle, músicos de renome internacional.

**José de Almeida Facióla era irmão de Antonio de Almeida Facióla, este comprovadamente diretor da F. C. P. S/A até sua morte em 1936  em 1939 a indústria foi liquidada, em 1943 desapropriada por Magalhães Barata e em 1947 vendida por decreto de Moura Carvalho à Brahma; sobre Paulo Maranhão nada foi encontrado, até o momento, relacionando-o à cervejaria.

Fontes fora do texto: A Província do Pará OUT/NOV de 1962.


Matérias correlacionadas:

A arquitetura de Theodoro Braga em pré-moldado regional de 1908

Os 21 anos da Fábrica de Cerveja Paraense

Succursal da Real Fábrica Palmeira à Avenida da Independência, 12

O Complexo Fábrica de Cerveja Paraense

O Theatro Bar Paraense visto do bonde por Theodoro Braga em 1916

Vicente Salles diz que Theatro Bar Paraense tinha estrutura de ferro

Annuncio da Fábrica de Cerveja Paraense

Complexo Fábrica de Cerveja Paraense (2)

O igarapé da Fabrica de Cerveja Paraense

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As razões de Semblano; por Jaime Bibas (fevereiro de 2012)

São curiosas certas expressões as quais, gerações as mantêm por algum tempo presente na memória coletiva. Sem organização, apenas com o hábito de recolher esses ditos populares, às vezes topo com alguém ali, acolá, que me desperta para algo bom de ouvir e guardar na lembrança. Assim pensava quando tratei de apressar o passo para fugir do começo “da chuva das duas”, como está na canção de Edyr Proença e Adalcinda Camarão, de 1977, do “Três Canções para Belém”. Deixara em casa, sem prosseguir, alguma coisa do próximo texto para publicação neste espaço, pois parecia um daqueles momentos em que nada consigo escrever, os temas parecem inadequados enfim… Quando acontece um angustiante “branco” em minha cabeça.
Com precisão de logo voltar, entro pela porta semiaberta de antigo comércio, um casarão de esquina,  da antes Travessa da Glória, hoje Rui Barbosa. Observo no teto a única lâmpada acesa a iluminar parcamente o ambiente. Enquanto acostumo os olhos peço, no balcão, um café coado servido pela simpática atendente que sorriu para mim. Olho em volta, a casa parece vazia a não ser pela presença de dois homens sentados em uma mesa ao fundo. Parecem moradores das redondezas e aparentam ter entre setenta e oitenta anos. Escuto  a conversa, em meio tom, e ela permite distinguir um nome repetido por um deles, em voz mais alta: Semblano…
Lembrei então da mãe de meu pai que veio da Vigia, para estudar na Escola Normal e aqui ficou. O prédio das normalistas está no mesmo local até hoje. Nele também funcionou um jornal. Com a morte de Dr. Assis, Antonio Lemos adquiriu A Província do Pará por dez reis de mel coado mudando a sede para lá. E afinal o que esse nome __ Semblano __ tem a ver com isso? Contava minha avó Esther que “o” velho Lemos, no auge de seu prestígio, bem antes de ser escorraçado e expulso de Belém acusado de ser o autor intelectual do inacreditável atentado contra Lauro Sodré, fez amizade com um português, dono de padaria, que todos os dias, bem cedo o visitava no jornal, levando o pão quente da primeira fornada. Conversava com o intendente e vivia a preveni-lo sobre cuidados com os bajuladores que o cercavam apenas por interesses pessoais e, na maioria, escusos. São traidores, dizia. Lemos retrucava atribuindo o cuidado às boatarias e falatórios que se ouvia nas ruas. Era rico, dono de jornal com prestígio nacional. Tinha, ou pensava assim, influência para controlar os aspectos políticos. Nada o abalaria. O português, que não desistia da ladainha diária desprezada por Lemos. Chamava-se Semblano.
A lenda contada pela professora vigiense Esther Nunes Bibas, lembrava ainda que Lemos em 1912, há cem anos, portanto, deixava Belém na condição de exilado para nunca mais voltar, pois morreu um ano depois. À beirada do navio, ao olhar para a orla da cidade que se afastava, teria dito para alguém que estava ao seu lado: “O Semblano é quem tinha razão”. A expressão virou dito popular. Por algum tempo foi repetida para indicar algum golpe, armação, traição no feitio de puxassaquismo ou coisa que o valha. E foi assim que pude concluir mais esta crônica. Apressado, nem perguntei, para agradecer aqui, o nome do cidadão que me ajudou, de certa forma, a escrevê-la.

[jb]


Curiosamente, quando vi dois livros de Esther Nunes Bibas disponíveis no acervo digital de obras raras da Biblioteca Pública Arthur Vianna, busquei, nos e-mails pretéritos, possíveis referências que o JB tivesse feito à sua avó paterna; encontrei esta crônica, de fevereiro de 2012, inédita no BF não sei se publicada noutro canto —, como mensagem não lida.
Na realidade o e-mail é de 29 de março de 2014 e foi endereçado a mim e ao professor Marcellino Moreno de título Esquina e preâmbulo  Tenho a impressão, mas não a certeza, que a esquina do texto de 2012, a seguir, é a mesma que falamos na quinta-feira. [jb].
As quintas-feiras eram sagradas às nossas cervejas no Rosso e Bianco pós aulas na UFPA, mas o Jaime começou a pegar faltas em setembro de 2014; daí, por solidariedade e saudade, abandonamos essa boa escola da boemia vizinha ao prédio dele.
Bibas anda recluso, contudo, permanece como editor vitalício deste site.

[hb]

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Divulgação/convite à FAU

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Mosqueiro — a Vivenda J. Marques virou Chalé Cardoso em 1924

A revista paraense A Semana, em seu nº94 de 17JAN1920, estampa um clichê com a legenda A bella vivenda do capitalista J. Marques, no Chapéu Virado, vendo-se á porta a sua familia — não há texto no magazine que revele as atividades econômicas de “J. Marques”, nem seu nome completo às investigações.
Já a foto subsequente, retirada de um álbum doméstico, mostra outra família defronte da mesma casa de veraneio no Mosqueiro à praia do Chapéu Virado, uma década depois; neste caso já são os Cardoso (e agregados) descendentes de outro capitalista: o pecuarista Francisco José Cardoso, proprietário de fazendas na Ilha do Marajó.
Segundo a memória de parentes vivos o imóvel fora adquirido em 1926 por Ana de Sequeira Cardoso, esposa de Francisco, sem que ele tivesse conhecimento; estaria então a escritura pública em nome primordial de Ana em vez de Francisco — não tivemos acesso a tal documento.
Pela MENSAGEM de Eurico de Freitas Valle ao Congresso Legislativo do Pará em 07SET1930, a firma de Francisco José Cardoso foi, junto com a (firma) de Antonio de Souza Filho, a maior fornecedora de carne bovina, suína e de vísceras aos hospitais e estabelecimentos de ensino mantidos pelo Estado entre julho de 1929 e junho de 1930, sendo revelada apenas a pesagem da carne verde: 316, 6 toneladas.
Francisco José Cardoso também figura em primeiro lugar isolado na Relação Geral dos Fornecedores em 1929 da Directoria Geral da Fazenda Publica — Antonio de Souza Filho não consta — com todos os seus pagamentos efetuados integralmente pelo governo do Estado do Pará; ou seja: F. J. Cardoso vendeu sozinho mais de 36% (453:983$890) de tudo que o executivo estadual  necessitou, dentre produtos e serviços, em um ano contábil.

Chapéu Virado nº13 em foto do Google View (2012)


Mais imagens (2012) do Chalé Cardoso no BF:  A linguagem de uma antiga construção.


Postscriptvm (23ABR2017):

Para melhor compreensão da Mensagem de 1930 sugerimos a leitura da Mensagem de 1929 que dá ao conhecimento o acordo feito com os fazendeiros do Marajó para garantir o abastecimento do Matadouro do Maguary [Um estabelecimento Moderno ‒ O curro-modelo de Belém do Pará (1911)].

.


Postscriptvm (10DEZ2023):

O Registro de Imóveis corrigiu o ano da postagem (estava 1926), já que o chalé passou de Marques a Cardoso em 1924.

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